E a luz resplandece nas trevas... (João 1:5)

E a luz resplandece nas trevas... (João 1:5)


5. E a luz resplandece nas trevas. Cf. versículo 9: A luz ilumina cada homem. Note a mudança do imperfeito para o tempo presente; a luz não estava som ente brilhando durante a antiga dispensação; ela ainda está brilhando nos dias atuais, porque a característica básica da luz é a de brilhar. Além do mais, considerando que é na Palavra (Cristo) que a vida reside, e por intermédio de quem ela resplandece como luz, ele também é chamado luz (cf. 1.9; 8.12; IJo 2.8). Como o sol no céu, esta luz resplandece na promessa matriz (Gn 3.15); no livro de Êxodo, com seu Cordeiro Pascal e demais tipos; em Levítico, com suas ofertas que apontam para o derramamento do sangue de Cristo; em Números, com o levantamento da serpente (Nm 21.8; cf. Jo 3.14,15); sim, ela resplandece em todos os livros históricos, proféticos e poéticos da antiga dispensação.

Ver, por exemplo. Gênesis 49.10; Deuteronômio 18.15-18; 2 Samuel 7.12-14; Salmo 40.6, 7; 72; 110; 118; Isaías 1.18; 7.14; 9.6; 11. Isa; 35.5; 40; 42.1-4; 53, 54, 55; 60, 61; 63; 65; Oseias 11.8; Amós 5.4; Miqueias 5.2; 7.18; Ageu 2.9; Zacarias 9.9; 13:1; Malaquias 1.11.

No entanto, nós enfatizam os que a luz estava brilhando, não somente nessas profecias, promessas e convites, mas ao longo de toda a antiga dispensação, e de todo o Antigo Testamento. Ela continua resplandecendo por toda a nova dispensação, e em todo o N ovo Testamento, revelando a pessoa de Deus, em todos os seus atributos gloriosos. Essa luz está brilhando até mesmo nos dias atuais, no meio de todas as trevas mundanas.

A resposta triste dada a essa comunicação da luz é declarada na segunda parte do versículo 5. Mas “as trevas não se apropriaram dela. resposta triste dada a essa comunicação da luz é declarada na segunda parte do versículo 5. M as“ as trevas não se apropriaram dela. As trevas, a que se refere o evangelista tem um sentido concreto. Elas se referem à humanidade caída, coberta pela descrença e pelo pecado. Esse não é o único caso, no Novo Testamento, no qual um substantivo abstrato ganha um sentido concreto. Para outros exemplos, ver Rom anos 11.7 (“a eleição” , com o sentido de remanescente eleito), Romanos 3.30 (“a circuncisão”, significando os indivíduos circuncidados).

Trevas, nesse caso, é sinônimo de “mundo”, do versículo 10. Elas são antagônicas a Cristo, a Luz. Elas são um a escuridão pessoal e ativa: Elas não aceitam a luz e nem se apropriam dela. Uma tradução que está se tornando comum toma οὐ κατέλαβεν com o sentido de não dominaram, não prevaleceram, não apagaram ou não extinguiram. Em minha opinião, isso está errado. Conquanto, em forma, as três cláusulas dos versículos 5b, 10b e 1 Ib sejam muito semelhantes, parece provável que, também em significado, elas se assemelham . Aqui temos um a boa ilustração de paralelismo:

“As trevas αὐτὸ οὐ κατέλαβεν” (v. 5b);
“O mundo não o reconheceu” (v. 10b);
“Os seus não o receberam” (v. llb ).

É imediatamente evidente que a tradução “não prevaleceram ” (para o versículo 5b) não se encaixa nesse paralelismo. A tradução “não se apropriaram ” (ou “não a apreenderam ”, com o na A. R. V.) é muito melhor. Além do mais, o sentido normal, e também o sentido radical do verbo é o de captar, tomar (algum as vezes no sentido de “apanhar, ” com o em 6.17; 12.35), apreender, tom ar posse de, controlar. Ele também pode ser usado para “apreensão mental ou percepção” (ver R m 9.30; 1 Co 9.24; Ep 3.12).

Mas, m esmo quando traduzimos corretam ente mas as trevas não se apropriaram dela, devemos enfatizar que estamos tratando com um a figura de discurso chamada litotes. Quando estudam os passagens com o 3.20 (cf. E f 6.12), fica evidente que essas trevas não apenas procedem negativam ente; antes, elas odeiam a luz. Elas também se referem ao mundo da humanidade, visto como um poder hostil, que ativamente resiste à luz e se recusa a aceitá-la. O que temos aqui é uma manifestação da antítese absoluta entre a luz e as trevas, o reino de Deus e o mundo, e entre Cristo e as forças do maligno.

A vida era a luz dos homens... (João 1:4b)

E essa vida era a luz dos homens. Quando há um a manifestação da vida, ela é chamada luz, pois a característica da luz é a de resplandecer. Desde a queda, que está implícita aqui na última parte do versículo 4, essa luz foi proclamada aos seres humanos. A humanidade é caracterizada por trevas, maldade e ódio, que são manifestações opostas ã luz. A eles (especialmente para Israel; ver a explicação dos vs. 10, 11) foram proclamados, durante a antiga dispensação, a verdade e o amor de Deus em Cristo. A verdade e o amor são sinônimos da luz (tanto para os sinônimos como para os antônimos, ver 3.19-21; 1 Jo 2.8-10). Certamente que o sentido do termo luz não deveria se limitar a esses dois atributos (verdade e amor); ao contrário, eles representam todos os atributos de Deus. Todos os atributos divinos estavam presentes na obra da salvação. Eles foram proclamados aos homens pecadores.

Nele estava a vida... (João 1:4a)

Nele estava a vida... (João 1:4a)
Nele estava a vida... (João 1:4a)

1:4. Nele estava a vida. O texto não diz: por meio dele, mas nele, assim com o em 5.26; 6.48, 53; 11.25. A cláusula “A vida estava nele” significa que, desde toda a eternidade, e ao longo de toda a antiga dispensação, a vida residiu na Palavra. Portanto, a melhor tradução é “estava", em vez de “está”. Porém, qual é o sentido do termo “vida” , como usado aqui? Será que ele se refere diretamente a qualquer tipo de vida, quer física quer espiritual - tanto a vida de um a borboleta, quanto a de um arcanjo? No entanto, vida física não reside na segunda pessoa da Trindade. Deus não é físico, em nenhum sentido (cf. 4.24). Além do mais, é um a boa regra de exegese explicar um texto depois de tê-lo lido várias vezes. Quando essa regra é aplicada a esse caso, o resultado é o seguinte: A vida é caracterizada como sendo a luz dos homens (1.4b). Essa luz brilha nas trevas, e não pode ser apropriada pelos seres humanos pecaminosos (1.5). João Batista dá testem unho a respeito dessa luz (vs. 6, 7). Ele não era a luz original e perfeita, cujo brilho ofusca todas as outras luzes, mas ele veio para testificar da luz (vs. 8, 9). Essa luz é agora identificada com aquele que é rejeitado pelo mundo, mas aceito pelos filhos de Deus (vs. 10-13).

Fica claro, à luz deste contexto, que os term os vida e luz pertencem à esfera espiritual. Além do mais, tanto no Quarto Evangelho, quanto na Primeira Epístola, a palavra vida sempre (por 54 vezes) se m ove nessa esfera. Às vezes, ela é substituída pela expressão “vida eterna” (5.24). Quando um a pessoa possui esta vida, ela sente um a estreita com unhão com Deus em Cristo (17.3). No livro do Apocalipse, o sentido é semelhante (livro da vida, água da vida, árvore da vida, coroa da vida). O que parece evidente, à luz de tudo isso, é que, basicamente, o termo se refere à plenitude da essência de Deus, ou seja, seus atributos gloriosos: santidade, verdade (conhecimento, sabedoria, veracidade), amor, onipotência, soberania. É dito que essa vida divina, plena e abençoada, sem pre esteve presente na Palavra, por toda a eternidade, e durante toda a antiga dispensação: “N ele estava a vida”.

Mas embora essa vida, como tal, seja completamente espiritual, sem ter nada nela que pertença à natureza física, ela é a causa, a fonte ou o princípio de toda vida, tanto física quanto espiritual. O universo deve sua existência a ela: “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que existe se fez” (v. 3); conseqüentemente, isso também se aplica à hum anidade (v. 10). É verdade que essa luz é também a fonte da revelação geral. No entanto, o contexto presente não faz um a menção específica a essa ideia. Ela está implícita, mas não expressa. Aqui no contexto presente (o prólogo de João), a vida de Deus em Cristo, à qual todas as coisas e todos os homens devem sua existência (criação e preservação), é apresentada como a fonte da iluminação dos seres humanos, com respeito aos assuntos espirituais, e da salvação eterna dos filhos de Deus. O que tem os aqui é um contexto do Evangelho. Portanto, lemos:

Todas as coisas foram feitas por meio dele... (João 1:2-3)

Todas as coisas foram feitas por meio dele... (João 1:2-3)
Todas as coisas foram feitas por meio dele... (João 1:2-3)

2. No princípio, ele próprio estava face a face com Deus. Esta Palavra divina, que existe desde toda a eternidade como um a Pessoa distinta, estava gozando da com unhão amorosa com o Pai. Portanto, a divindade plena de Cristo, sua eternidade e existência pessoal distinta devem ser confessadas mais um a vez, para que os hereges possam ser refutados e a Igreja possa ser estabelecida na fé e no amor de Deus.

3. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que existe veio à existência. Todas as coisas, um a a um a, vieram a existir por meio desta Palavra divina. Portanto, a grande verdade de que Cristo criou todas as coisas (porque, nas obras externas, todas as três Pessoas cooperam) é, antes de tudo, declarada positivam ente, a partir do ponto de vista do passado. Do ponto de vista do presente, podem os declarar esta mesma verdade da seguinte maneira: “Sem ele, nada do que existe poderia ter sido feito”. Dois fatos são aqui enfatizados: a. que o próprio Cristo não foi criado; ele era eternam ente (para que esse pensamento seja comunicado, o tempo imperfeito é usado por quatro vezes, nos versículos 1 e 2); e b. que todas as coisas (vistas distribuitivamente, uma a uma, sem exceção) foram criadas por ele (aqui é usado o tempo aoristo).

E a Palavra Estava com Deus... (João 1:1c)

E a Palavra Estava com Deus... (João 1:1c)
E a Palavra estava face a face com Deus (ἦν πρὸς τὸν θεόν). O sentido é que a Palavra existia na mais estreita com unhão possível com o Pai, e que ele tinha um prazer supremo nessa comunhão (cf. 1 Jo 1.2). Essa alegria tinha sido impressa tão profundam ente no Logos, que nunca foi apagada de sua consciência, como é também evidenciado por sua oração sacerdotal: “E agora glorifica-m e, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti antes que o m undo existisse.” Portanto, a encarnação começa a aparecer, mais claramente, como uma obra de amor incompreensível, e de um a infinita condescendência. 

E a Palavra era Deus. Para que a ênfase fosse totalmente posta na divindade plena de Cristo, o predicado, no original, precede o sujeito (καὶ θεὸς ἦν ὁ λόγος). Contra qualquer tentativa herética de desmerecer essa verdade, devem os sem pre deixar claro que esta Palavra é completamente divina.

No Princípio era a Palavra... (João 1:1a)

No Princípio era a Palavra... (João 1:1a)

No Princípio era a Palavra (João 1:1a)No princípio... Quando os céus e a terra foram criados (Gn 1.1) - a Palavra já existia. Esse é um modo diferente de dizer que ele existia desde a eternidade. Ele não era um ser criado, com o alguns heréticos têm afirmado. (Ver p. 51.)

Era a Palavra. Tanto João quanto os hereges falaram da Palavra (ho logos). Mas, em bora o termo seja o mesmo, o sentido era diferente. A doutrina de João não é dependente da doutrina dos hereges, nem da dos filósofos especulativos, como Filo, um alexandrino proeminente, que foi muito conhecido no primeiro século d.C. Ninguém consegue concluir qual era o entendimento de Filo a respeito do Logos. Ele usa o termo mais de 1.300 vezes em seus escritos, em bora o sentido nunca seja definido." Ele o descreve como um atributo divino, e também como um a ponte entre Deus e o mundo, sem ser idêntico com nenhum dos dois lados, mas com partilhando da natureza de ambos. Filo usava o termo alegoricamente, o que torna muito difícil apreendermos seu significado.

Assim, em seus comentários do texto de Gênesis 3.24, ele faz algumas observações a respeito dos querubins, equipados com espadas refulgentes, que são colocados nos portões do Jardim do Éden para evitar o acesso à Árvore da Vida. De acordo com Filo, esses querubins são duas potências divinas: a bondade amorosa de Deus e sua soberania. A espada é o Logos ou a Razão que une as duas. Balaão, o profeta louco, não tinha a espada (Razão), pois ele disse à mula: “Se eu tivesse um a espada, eu teria cortado você” (Sobre os Querubins, XXXII). Certam ente que o termo, conforme é usado pelo evangelista, não pode derivar seu sentido dessas alegorias. Ele está radicado no pensamento semítico, e não no grego.’’ Já no Antigo Testamento, a Palavra de Deus é representada como um a Pessoa. Observe, especialmente, o Salmo 33.6: “Pela palavra de Jeová os céus foram feitos”. Talvez o melhor comentário de João 1.1 esteja em Provérbios 8.27-30;

“Quando ele preparava os céus, aí eu estava;
quando traçava o horizonte sobre a face do abismo;
quando firmava as nuvens de cima
e quando estabelecia as fontes do abismo;
quando fixava ao m ar seu limite, para que as águas não traspassassem
seus limites;
quando com punha os fundamentos da terra;
então, eu estava com ele e era seu arquiteto,
dia após dia eu era suas delícias,
folgando perante ele em todo o tempo” .

O termo Verbo, como um a designação neotestamentária de Cristo, ocorre somente em 1.1, 14; 1 João 1.1 e Apocalipse 19.13. Um a palavra serve a dois propósitos distintos: a. ela dá expressão aos pensamentos profundos - a alma do ser humano - , e faz com que ninguém esteja presente para ouvir o que é dito, ou ler o que é pensado; e b. ela revela esse pensamento (isto é, a alma de quem fala) aos outros. Cristo é o Verbo (ou a Palavra) de Deus em ambos aspectos: ele expressa ou reflete a mente de Deus e também revela Deus para os homens (1.18; cf. M t 11.27; Hb 1.3).

Aparições do Jesus Ressuscitado

Aparições do Jesus Ressuscitado 

Aparições do Jesus Ressuscitado
O capítulo final mostra Cristo como o Mestre de nosso serviço e o Amigo dos pecadores. Se não houvesse esse capítulo, não saberíamos o que aconteceu entre Pedro e o Senhor e se realmente resolveram ou não a questão a respeito da desobediência dele.

I. Uma noite de derrota (20:1-3)

Pedro, sem receber nenhuma ordem nesse sentido, voltou à pescaria. Ele abandonou de vez o seguir Cristo (Lc 5:1-11) e, agora, voltava à antiga vida. Tudo nessa cena fala de derrota: 

(1) está escuro, o que indica que não caminhavam na luz;  

(2) eles não tiveram uma palavra direta do Senhor; 

(3) não conseguiram nada com seu esforço; 

(4) eles não reconheceram a Cristo quando este apareceu, o que indica que a visão espiritual deles estava obscurecida. 

Pedro, ao tomar uma decisão precitada, fez com que outros seis homens também errassem. A má influência é algo muito ruim. Temos de lembrar que Deus nos abençoa apenas quando permanecemos em Cristo e obedecemos à Palavra. "Sem mim nada podeis fazer" (15:5). Muitos cristãos empreendem atividades que contrariam a Bíblia, embora sejam bem-intencionados, e só perdem tempo, dinheiro e energia por nada. Sejamos pacientes. É melhor esperar a orientação do Senhor e, assim, receber sua bênção, que nos envolvermos por conta própria em atividades inúteis.

II. Uma manhã de decisões (21:4-17)

A luz começa a brilhar quando Cristo entra em cena. Da praia, ele os instrui, e, assim, eles pegam uma quantidade enorme de peixe! Poucos minutos de atividade sob o controle de Cristo realizam muito mais que uma noite inteira de esforço carnal! É interessante comparar esse milagre com o do início da carreira de Pedro relatado em Lucas 5.

Lucas 5

1. Após uma noite de fracasso

2. Não informa a quantidade exata de peixes que pescaram

3. As redes começam a quebrar

4. Cristo dá instruções do barco


João 21

1. Após uma noite de fracasso

2. Pescaram 153 peixes (v. 11)

3. A rede não se rompe

4. Cristo dá instruções da praia

Algumas pessoas vêem nessas cenas um retrato da igreja hoje (Lc 5) e do fim desta era, quando Cristo retornar (Jo 21). Hoje, lançamos a rede do evangelho, no entanto ela se rompe muitas vezes, e não sabemos quantas almas realmente ganhamos, o que gera um sentimento de fracasso. Todavia, saberemos o número exato de almas ganhas quando Cristo retornar, e nenhuma será perdida. Hoje, muitos pescadores e barcos participam da pescaria, mas, quando ele retornar, veremos uma só igreja e todos os redimidos em uma só rede de evangelho.

Na verdade, esse capítulo apresenta muitos milagres além do da pescaria. Pedro recebe uma força milagrosa que o capacita a lançar uma rede que sete homens juntos não conseguem lançar (vv. 6,11). É surpreendente a rede não se romper. Com certeza, a refeição matinal de peixes cozidos na brasa e pão foi suprida de forma milagrosa. O desígnio da cena toda era despertar a consciência de Pedro e abrir seus olhos. A pescaria lembrou-o de sua decisão anterior de abandonar tudo e seguir a Cristo. As brasas do carvão o levaram de volta à sua negação (Jo 18:18). A localização — mar da Galileia — lembrou-o de várias experiências passadas com Cristo: a alimentação dos 5 mil, o caminhar sobre as águas, o peixe com a moeda, a tempestade que foi acalmada, etc.

Como Pedro negou Cristo três vezes em público, ele tinha de corrigir isso publicamente. Observe que Cristo alimentou Pedro antes de lidar com o pecado dele. Só o Senhor é capaz de nos abençoar primeiro, para depois lidar conosco! A questão era o amor de Pedro por Cristo. A vida do homem que realmente ama Cristo é devotada e dedicada. Veja que Cristo dá um novo comissionamento a Pedro: agora, além de ser um pescador de homens, ele é um pastor. (Veja 1 Pe 5.) Agora, ele é o pastor das ovelhas e alimenta-as com a Palavra de Deus. Espera-se que todos os cristãos sejam pescadores de homens (ganhadores de almas), mas alguns são chamados para o ministério especial de pastorear o rebanho. Não há nada de bom em ganhar o perdido se não houver uma igreja que possa alimentá-lo e
cuidar dele. 

III. Um dia de dedicação (21:18-25)

Há uma grande diferença entre filiação (ser salvo) e discipulado (seguir o Senhor). Nem todos os cristãos são discípulos. Pedro não perdeu sua filiação quando pecou, mas afastou-se de seu discipulado. Por isso, Cristo repetiu seu chamado: "Segue-me". Cristo também confronta Pedro com a cruz (v. 18), uma indicação de que Pedro também seria crucificado. (Veja 2 Pe 1:12-14.) Temos de tomar a nossa cruz antes de seguir a Cristo. Essa ordem assume um novo significado quando lembramos que, antes, Pedro tentara afastar Cristo da cruz (Mt 16:21-28).

Mais uma vez, Pedro comete um erro trágico: ele desvia seus olhos do Senhor e começa a olhar os outros, nesse caso João. Deve mos manter nosso olhar apenas em Cristo se quisermos segui-lo (Hb 12:1-2). Não é "da nossa conta" como Cristo lida com os outros cooperadores; nossa tarefa é seguir a Cristo e lhe obedecer. (Veja Rm 14 para saber como devemos nos relacionar com os outros cristãos.)

João termina seu evangelho com a afirmação de que, se escrevesse tudo que Cristo fez na vida, o mundo seria pequeno para a quantidade de livros necessários para o relato. Os quatro evangelhos não são "vidas de Cristo", mas quatro retratos de Jesus com ênfase em aspectos distintos. João diz que seria impossível relatar sua vida completa.

Não leríamos a respeito de Pedro em Atos 1, se, em João 21, ele não tivesse se encontrado com Cristo, confessado seu pecado e afirmado seu amor. Mais tarde, Deus pôde usar Pedro, porque se endireitou com o Senhor. Cristo abençoa e usa os que o seguem.