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Comentário de João 6:1-71

Comentário de João 6:1-71

I. Alimentando os Cinco Mil e o Sermão sobre o Pão da Vida. 6:1-71.
Comentário de João 6:1-71

Alguns mestres, advogando que os capítulos 5 e 6 foram trocados, apontam certas vantagens em colocá-los na posição anterior. Mas falta de evidências documentárias para tanto formam barreira formidável para aceitarmos esse ponto de vista. O milagre diante de nós é apenas um "sinal" registrado em todos os quatro Evangelhos. Marcos e Lucas contam que Jesus estava ensinando a multidão antes do milagre, mas só João registra o sermão que Jesus pronunciou no dia seguinte.

1-4. O outro lado do mar, neste caso, é a praia oriental. Outro nome para esse corpo de água é Lago de Genesaré (Lc. 5:1). Atraída pelos milagres de Jesus, uma grande multidão o seguia pela praia setentrional. Isso pressupõe um ministério de certa duração, talvez diversos meses, no setor da Galiléia, depois dos acontecimentos do capítulo 5 localizados em Jerusalém. Ao monte. As terras altas. A menção da proximidade da Páscoa é significativa. Uma vez que João não registra a instituição da Ceia do Senhor como parte de sua narrativa dos acontecimentos da Semana da Paixão, provavelmente ele está chamando a atenção do leitor para a realização do milagre e o discurso sobre a ordenança central da fé cristã.

5-7. A cidade mais próxima era Betsaida. Seria difícil para o povo obter pão, devido à distância e a hora tardia. Jesus chegou à conclusão que ele e o seu grupo deviam fornecer o necessário (v. 5). Aconselhou-se com Filipe sobre as possibilidades, já sabendo o que faria, mas desejando experimentar a fé do discípulo. Filipe era natural de Betsaida (1:44). Duzentos denários de pão, calculou o apóstolo, não seriam suficientes. Um denário valia cerca de vinte centavos e era o que se costumava pagar a um trabalhador por dia. Um trabalhador com uma família de cinco membros provavelmente gastava metade do ganho diário em alimento. Supondo que a família tivesse três refeições por dia, podemos concluir que meio denário lhes forneceria o. alimento de um dia ou quinze refeições. Um denário inteiro forneceria a ração para dois dias ou trinta refeições. Duzentos denários forneceriam uma refeição para cerca de 6.000 pessoas. Nessa multidão só os homens eram cerca de 5.000 (6:10).

8, 9. Não foi necessário exaurir a tesouraria, nem causar demora importuna procurando comprar alimento. André aproximou-se informando sobre um rapaz. A palavra grega usada indica uma faixa etária larga. Pode indicar também um escravo, mas seria pouco provável. Os pães eram pouco maiores que pãezinhos de lanche. O suprimento parecia tristemente pequeno para a necessidade.

10, 11. Havia necessidade de ordem para a grande operação em vista. Segundo as ordens de Jesus, dadas através dos discípulos, o povo assentou-se. A menção da relva indica a primavera (cons. v. 4). Assim o povo ficou melhor acomodado. Depois Jesus agradeceu a provisão. (Teria dado graças também pela generosidade do rapaz?). Logo a seguir, distribuiu o alimento aos discípulos, os quais por sua vez distribuíram-no entre a multidão. No processo da distribuição ocorreu o milagre. O povo saciou-se de pão e peixe, em contraste com a estimativa de Filipe ''um pouco".

12, 13. A prodigalidade da distribuição foi complementada pela escassez de recipientes para se guardar as sobras. Os dons de Deus não devem ser desperdiçados. Doze cestos foram necessários para guardar os pedaços, e assim todos os discípulos estiveram ocupados.

14, 15. Não havia dúvida de que um sinal fora realizado. O povo viu e ficou impressionado. Todos foram beneficiados. Viram que o seu benfeitor não era um homem comum, e concluíram que ele devia ser o profeta esperado (Dt. 18:18). Aqui, como em João 4, o profeta parece ser identificado com o Messias, enquanto que em João 1:20, 21 os dois foram discriminados. Na mente do público provavelmente não havia uma linha dura e firme entre os dois representantes. O profeta se tornaria rei de qualquer maneira, se esta multidão pudesse fazer a sua vontade. Tal movimento expressaria imediatamente a sua gratidão pelo milagre e também garantia a canalização do poder de operar maravilhas de Jesus para as necessidades da nação, tanto econômicas como militares. A expectativa popular do Messias estava para ser expressada de maneira dramática. Mas aquele cujo reino não era deste mundo (18:36), percebendo a intenção, frustrou-a retirando-se.

16-21. O Senhor que atende à necessidade da multidão, atendeu agora à necessidade dos seus discípulos, que foram apanhados por uma tempestade noturna no lago, sem Jesus, mas ao que parece esperando que viesse ter com eles (v. 17), os discípulos dirigiram-se para Cafarnaum. À dificuldade da escuridão acrescentou-se o infortúnio de um vento rijo que soprava com ondas. Já tinham avançado cerca de vinte e cinco a trinta estádios da praia (cada estádio tinha cerca de 190 metros). Quando a situação estava se tomando mais desesperadora, Jesus se aproximou. Ao medo da tempestade acrescentou-se agora o medo da aparição. Mas a voz de Jesus, dizendo, Sou eu. Não temais desvaneceu seus temores. Receberam-no em seu barco e acharam-se imediatamente em terra. Os Sinóticos contam-nos que, nesta ocasião, Jesus andou sobre as águas. Seu poder miraculoso manifestou-se também na remoção da barreira da distância. A gravidade e o espaço, ambos estão sob o seu controle. João não acrescenta nenhuma interpretação à sua narrativa. A passagem é útil por si mesma, ensinando que apesar de forças que se opõem Jesus capacita o Seu povo a atingir os alvos que Ele estabelece diante deles, inclusive o próprio céu.

22-25. Estes versículos apresentam o cenário do discurso. Talvez fosse a tempestade que impediu o povo de abandonar a área do milagre da multiplicação dos pães, além da impressão de que Jesus ainda se encontrava por perto. O desejo de tê-lO como seu líder e provedor ainda era forte. Vendo que não partira com os Seus discípulos, ficaram perplexos quanto aos Seus movimentos. Quando uma busca pela área mostrou-se infrutífera, e chegaram barcos de Cafarnaum, a multidão decidiu entrar nos barcos e atravessar o lago na esperança de encontrá-lO do outro lado. Quando... ? (6:25) Jesus era um homem misterioso para eles.

26-34. Repreendidos pelo Senhor, as pessoas exigiram um sinal como base para crerem nEle. Mesmo tendo visto o milagre (cons. 6:14), Jesus acusou-as de não verem, isto é, de não enxergar além dos aspectos externos. Elas só viam a provisão do sustento material e sentiam-se satisfeitas (v. 26). O ensinamento de Jesus aqui tinha duplo aspecto, pois ele contrastou o alimento que perece com o alimento que permanece para a vida eterna, e também colocou o trabalho em contraste com a dádiva (cons. Is. 55:1, 2). Mesmo o alimento que Jesus tinha providenciado do outro lado do lago era perecível. Mas Ele podia dar aquele que seria significativo para a vida eterna. Seu poder para fazê-lo descansava na autoridade de que Deus Pai o investira (selou com voz divina no batismo e concessão do Espírito). A advertência sobre o trabalho não foi inteiramente compreendida, pois o povo continuou perguntando o que devia fazer para executar as obras de Deus (v. 28), isto é, para executar obras aceitáveis diante dEle. Em resposta, o Senhor apontou a fé como sendo a obra maior e indispensável (v. 29). Isto lhes pareceu ser um requisito fora do comum. Afinal, muitos falaram em nome de Deus no passado e não exigiram que se tivesse fé neles, mas apenas naquele que os enviara. Por isso a multidão sentiu-se justificada em exigir um sinal especial para sustentar esta especial reivindicação. Para crer nEle, precisavam de algo parecido com fazer vir pão do céu (6:31), em contraste com o milagre do outro lado do lago.

Para evitar mal-entendidos, Jesus fê-los lembrar que não foi Moisés mas Deus que lhes dera pão no deserto, o qual também lhes garantia o pão do céu. Por verdadeiro devemos entender perfeito, aquele que atende às mais profundas necessidades do homem. Cristo identificou o pão como sendo o que (v. 33), alguém que já descera do céu para dar vida ao mundo. Mas uma identificação explícita com ele mesmo não foi feita na ocasião. O povo queria desse pão, mas parece que ainda pensava nele em termos materiais, tal como a mulher de Samaria pensava na água viva (v. 34).

35-65. Esta seção compreende o discurso propriamente dito, interrompido três vezes por perguntas e discussões.

35. Finalmente Jesus identificou-se como o pão da vida. Além dEle ter vida em Si mesmo, pode também transmiti-la aos outros. Mas esse pão não é algo externo, algo separado dEle. É preciso ir a Ele, que é o equivalente a crer nEle. Aqueles que vêm, terão a fome espiritual banida para sempre. Comer e beber ocorre junto aqui, talvez em antecipação ao versículo 53. Ninguém precisa se afastar de Cristo para qualquer outra satisfação.

36. Ver não resultou em crer (cons. 6:30). "Ele mesmo era o sinal que os judeus não conseguiam compreender. Nenhum outro mais convincente podia ser fornecido" (B.F. Westcott, The Gospel According do John).

37. Mesmo assim, o Filho não desanimou, pois todo aquele que o Pai Lhe desse viria, e vindo encontraria nEle não o espírito da rejeição mas antes de boas vindas.

38. Essa recepção era inevitável, pois a vontade do Pai era o deleite do Filho.

39, 40. Essa vontade não se limitava à chamada mas se estendia também à preservação daqueles que foram dados a Cristo (cons. 17:12). A reunião do último dia desafiará o poder da morte.

41,42. A ofensa da humanidade do Nazareno cegou seus ouvintes. Eles sabiam demais a respeito dEle, inclusive quem eram Seus supostos pais, para aceitarem a conclusão de que Ele desceu do céu (cons. Mc. 6:2, 3).

43, 44. Aqueles que murmuravam (como seus pais no deserto) diante da alta reivindicação do Filho do homem provaram que não sabiam o que era ser trazido pelo Pai. Sem essa aproximação, uma inclinação do coração induzida por Deus, ninguém pode vir a Cristo. Ninguém pode depender de seu próprio entendimento.

45. A aproximação é mais devido ao ensinamento do que por meio de algum processo místico. Aqui Cristo citou Is. 54:13. Se todos for enfatizado, fica removido qualquer elemento de restrição que possa parecer escondido na idéia de aproximação conforme declarado em Jo. 6:44.

46. Mas conhecimento imediato de Deus só pode vir por meio de Alguém que tenha visto o Pai. Essa é a proclamação principal do Evangelho (cons. 1:18).

47, 48. Verdades apresentadas anteriormente são novamente enfatizadas.

49-51. Os judeus exigiram que Jesus trouxesse pão do céu. Qual o resultado permanente que resultaria? Os pais que comeram o maná estavam mortos, mas aqueles que participaram do pão que é o Filho de Deus não morrerão (espiritualmente), pois a própria vida de Deus tornou-se deles. A carne de Jesus, sua verdadeira existência corpórea, seria dada pela vida do mundo. Isso apontava para a cruz.

52-54. Ainda pensando em termos materiais, os judeus discutiam entre si sobre a possibilidade de Jesus lhes dar a sua carne para comer (v. 52). Tornando o assunto ainda mais complicado, nosso Senhor indicou que o Seu sangue, além de Sua carne, devia ser aceito se alguém quisesse ter vida (v. 53). À vista da proibição do V.T. contra a ingestão de sangue (Lv. 7:26, 27), a ofensa contido nas palavras de Jesus deve ter aumentado. Essas palavras parecem antecipar o significado da Ceia do Senhor.

55-58. A seguinte citação resume melhor o pensamento: "O alimento e a bebida da Eucaristia são, fisicamente, o pão e o vinho, e espiritualmente, a Carne e o Sangue do Filho do homem: o verdadeiro alimento e a verdadeira bebida porque efetuam a sagrada união do Filho de Deus com aqueles que crêem nEle, comunicando assim a vida eterna e garantindo a imortalidade. A união do Pai com o Filho é, portanto, entendida enlaçando também os crentes. Assim como o Pai comunica vida ao Filho, assim o Filho comunica vida àqueles que se alimentam dEle, concedendo-lhes a imortalidade" (Hoskyns). Essa alimentação não precisa ser confinada à celebração da Eucaristia.

59. Em Cafarnaum escavou-se uma bela sinagoga, a qual tem um pote com maná como motivo de decoração. Embora essa estrutura seja de um período posterior ao de Jesus, uma sinagoga provavelmente havia no mesmo local no tempo de Jesus.

60-65. Esta seção relaciona-se especialmente com a reação dos discípulos diante das palavras de Jesus. Devem ser considerados à parte dos "judeus" do contexto precedente e dos Doze nos versículos seguintes. Estes discípulos eram seguidores, mas sentiram, à vista desse ensinamento, que não podiam mais continuar.

O duro discurso é este se refere à necessidade de comer a carne de Cristo e beber seu sangue. Sua ascensão, que para os verdadeiros crentes confirmaria suas declarações, apenas aumentariam a ofensa para aqueles que não podiam aceitar a sua humanidade oferecida por eles na morte na cruz (v. 62). Até mesmo a carne de Cristo, declarada tão indispensável, de nada adiantaria a não ser que o Espírito a vivificasse para o crente. Suas próprias palavras, entretanto, participavam do caráter do espírito, isto é, davam vida. Elas salvariam, não independente da obra histórica da cruz, mas apontando para essa obra e interpretando-a. A própria resistência encontrada pelas suas palavras entre os discípulos supostos demonstrou que a sua fé era superficial. Jesus discernia não apenas a presencia de la fe falsa; mas até a traição em potencial da parte de um dos seus seguidores.

66-71. O efeito do discurso sobre os Doze está sendo agora apresentado. Este foi o momento da separação para muitos dos que foram Seus discípulos (6:66). Sua partida provocou a pergunta de Jesus aos Doze quanto às intenções deles (v. 67). Pedro, como rocha, permaneceu firme. Sua confissão é semelhante à que foi registrada pelos Sinóticos em relação com o incidente em Cesaréia de Filipe (Mt. 16:16), mas em harmonia com o discurso enfatiza que Jesus tem palavras da vida eterna (cons. Jo. 6:63). Outros só viam as palavras. Pedro viu que proporcionavam o gozo da vida eterna, ainda que não entendesse no momento o significado da cruz. Havia outro no grupo que não podia falar, porque era um diabo (diabolos). O significado não é que fosse um instrumento de Satanás quando Cristo o escolheu, mas que se tornara tal. Judas pertencia à multidão que partia, mas permaneceu. Ofendido porque Jesus recusou-se ser feito rei, conclusão à que chegamos quando estudamos a sua carreira mais de perto, um dia iria traí-lo, apesar de trair a confiança daqueles que confiaram nEle para conduzi-los à vitória messiânica.


Esboço de João 6

Esboço de João 6
Esboço de João 6

I. Dois Milagres (6.1-24)

A. O primeiro milagre (6.1-15): Jesus alimenta os cinco mil.
1. Eventos anteriores a este milagre (6.1-9)

a. O lugar (6.1-4): Isto ocorre às margens do mar da Galileia.
b. O problema (6.5-6): Jesus pergunta a seus discípulos o que eles
sugerem para alimentar a multidão à sua volta.
c. O pessimismo (6.7-9)

(1) Conforme demonstrado por Filipe (6.7): Ele diz que seria necessário uma grande fortuna para alimentá-los.
(2) Conforme demonstrado por André (6.8-9): Ele traz um garoto com cinco pães e dois peixes, mas não crê que seja suficiente para a multidão.

2. Eventos durante o milagre (6.10-13)
a. A escassez de comida (6.10): Jesus toma a única comida existente — cinco pães de cevada e dois peixes —, dá graças e ordena sua distribuição.

b. A abundância de comida (6.11-13): Depois de todos terem comido e ficarem satisfeitos, sobram doze cestos cheios.

3. Eventos posteriores ao milagre (6.14-15)
a. A decisão do povo (6.14): Concluindo que Jesus é o Messias, eles planejam coroá-lo rei.
b. A partida do Salvador (6.1 5): Ele se retira rapidamente para os montes.

B. O segundo milagre (6.16-24): Jesus anda sobre as águas.

1. O mar agitado (6.16-18): O barco dos discípulos é ameaçado por uma tempestade repentina.
2. O Senhor soberano (6.19-21): Um milagre duplo acontece.
a. Ele anda sobre as águas (6.19-20).
b. Ele conduz o barco à terra firme imediatamente (6.21).

3. Os pecadores que procuram (6.22-24): Grande multidão se reúne para encontrar com Jesus.

II. Duas Mensagens (6.25-71)

A. Comentários públicos (6.25-66)

1. Cristo e os curiosos (6.25-40)
a. Ele fala sobre a salvação de Deus (6.25-36).

(1) A confusão (6.25-26, 28, 30-31, 36)

(a) Eles querem saber como ele chegou ali (6.25).
(b) Eles o procuram apenas por causa do pão físico (6.26).
(c) Eles não sabem como agradar a Deus (6.28).
(d) Eles pressupõem que o maná do Antigo Testamento veio
de Moisés (6.30-31).
(e) Eles não crêem nele, embora o tenham visto (6.36).

(2) A correção (6.27, 29, 32-35)
(a) Eles devem buscar o pão espiritual (6.27, 33-35).
(b) Eles agradarão a Deus se crerem em Jesus (6.29).
(c) Ele diz que o maná do Antigo Testamento veio de Deus (6.32).

b. Ele fala da soberania de Deus (6.37-40).

(1) Garante que todos os eleitos virão a Cristo (6.37): Eles
jamais serão rejeitados.
(2) Garante que todos os eleitos continuarão em Cristo (6.38-40): Todos os que crêem nele ressuscitarão no dia final.

2. Cristo e os críticos (6.41-59)
a. A crítica (6.41-42, 52)

(1) Ele é simplesmente o filho de José (6.41-42).
(2) Ninguém pode (fisicamente) comer de sua própria carne e beber de seu próprio sangue (6.52).

b. A correção (6.43-51, 53-59)
(1) Jesus diz que é o Pão da vida (6.43-51).
(2) Jesus diz que qualquer um que deseja a vida eterna deve
(espiritualmente) comer de sua carne e beber de seu sangue
(6.53-59).

3. Cristo e os carnais (6.60-66)
a. Muitos de seus seguidores viram-se contra ele (6.60-65).
b. Muitos de seus seguidores o abandonam (6.66).

B. Comentários particulares (6.67-71): )esus dirige-se a seus escolhi
dos.
1. O Salvador e todos os apóstolos (6.67-69)
a. Jesus pergunta: "Quereis vós também retirar-vos?" (6.67).
b. Pedro responde: "Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as pa
lavras da vida eterna. E nós já temos crido e bem sabemos que
tu és o Santo de Deus" (6.68-69).

2. O Salvador e o apóstolo perverso (6.70-71)
a. A natureza do apóstolo (6.70): Ele se entregou a Satanás.
b. O nome do discípulo (6.71): Ele é Judas Iscariotes.


Explicação de João 6:16-40

Explicação de João 6:16-40
Explicação de João 6:16-40

João 6

6.16-18 — Jesus havia subido a encosta da montanha para ficar sozinho (6.15). Os discípulos desceram para o mar para esperar por Ele. Embora já fosse tarde naquele dia, muitos dos discípulos eram navegadores experientes que teriam se sentido muito à vontade navegando à noite, como se estivessem navegando durante o dia. Jesus tinha pedido a Pedro que o seguisse, depois do apóstolo e seus companheiros terem passado a noite toda pescando (Lucas 5.1-11). Quando escureceu, e ainda Jesus não tinha chegado, os discípulos decidiram partir e passar o lago em direção a Cafamaum. Este lago, o Mar da Galiléia (ou Mar de Tiberíades, veja 6.1), é muito grande. Ele está a 650 pés abaixo do nível do mar, tem 150 pés de profundidade, e é cercado por montes. Estas características físicas o tornam sujeito a repentinas tempestades de vento que causam ondas extremamente altas. Os marinheiros esperavam tais tempestades neste lago, porém mesmo assim estas tempestades podiam ser muito assustadoras. Tal tempestade repentina se levantou porque um grande vento assoprava.

O Mar da Galiléia tem cerca de sete milhas em seu ponto mais largo, e os discípulos estavam remando o barco por águas turbulentas que o vento havia agitado na extremidade norte. Eles haviam recentemente enfrentado uma forte tempestade em circunstâncias semelhantes, porém naquela ocasião Jesus estava dentro do barco com eles (Marcos 4.35-41). Desta vez eles puderam sentir a falta do Senhor.

6.19-21 Eles tinham navegado cinco ou seis quilômetros. De acordo com Marcos 6.45, os discípulos levaram a noite toda remando para percorrer esta pequena distância - evidentemente porque o vento forte era contrário. De repente, eles viram Jesus andando sobre o mar e aproximando-se do barco. Jesus não estava apenas andando sobre a água, Ele havia andado uma grande distância sobre mares turbulentos! E compreensível que os discípulos tenham temido, mas Jesus exclamou por sobre o gemido do vento: “Sou eu; não temais”. Os discípulos pensaram que estivessem vendo um fantasma (Marcos 6.49).

6.22-25 Em algum momento durante o dia, vários barcos chegaram de Tiberíades. Embora náo esteja declarado, a sugestão é que as multidões possam ter ouvido sobre o paradeiro de Jesus, por parte de alguém que tenha estado próximo aos barcos. Então, as pessoas da multidão usaram aqueles barcos, que entendemos que iriam de qualquer maneira voltar para o outro lado do mar em direção a Tiberíades, para atravessar para Cafarnaum com a finalidade de procurar Jesus.

6.26,27 A multidão, sendo satisfeita em uma ocasião pelo que Jesus havia feito por ela, queria ver o que mais Jesus poderia fazer a seu favor (será que Ele forneceria mais refeições de graça?). Mas eles náo perceberam o que o milagre na verdade lhes revelou. Jesus se recusava a encorajá-los no desejo que tinham pela satisfação material que Ele poderia lhes conceder. A sua resposta inicial foi, em outras palavras: “Vocês estavam tão preocupados por serem alimentados, que não enxergaram Aquele que providenciou a comida”. Pode ser que as pessoas não tenham percebido este detalhe, mas a necessidade delas era muito mais profunda. Os sinais de Jesus foram dados para revelar que Ele poderia atender as necessidades mais profundas.

Portanto, Jesus lhes disse: “ Trabalhai não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará.” O pão que sacia o estômago, seja produzido por um sinal miraculoso ou feito em uma padaria, não é espiritual ou eterno. Jesus estava dizendo que as pessoas não deveriam segui-lo porque Ele proveu pão de graça, mas porque Ele provê o “pão” espiritual - o pão que pode lhes dar a vida eterna. Ele queria que as pessoas olhassem para Ele como Aquele que podia fornecer o alimento que permanece para a vida eterna. Ele mesmo é este alimento. Vindo até Ele, e recebendo-o pela fé, eles iriam participar do Pão da Vida. E por isto que Deus o Pai o enviou.

6.28,29 A multidão não entendeu as palavras de Jesus sobre como Ele daria a comida que permanece para a vida eterna. Então perguntaram: “ Que faremos para executarmos as obras de Deus?” Jesus deu uma resposta direta: “A obra de Deus é esta: que creiais naquele que ele enviou” . A única “obra” que Deus exige de nós é que creiamos em seu Filho. Mas por alguma razão, nos sentimos melhor “ganhando” de alguma maneira o favor de Deus como um pagamento, em vez de aceitá-lo como uma dádiva. A vida eterna é um dom; não pode ser ganha; a única obra a ser feita é crer em Jesus Cristo.

6.30,31 Surpreendentemente, a multidão então pediu a Jesus que fizesse um sinal miraculoso se quisesse que cressem nele. A multidão havia acabado de ver o milagre da multiplicação dos pães, mas eles queriam mais - não só um suprimento de pão de um dia, mas a garantia de um suprimento contínuo. O argumento deles era que os seus ancestrais comeram o maná no deserto - o que, naturalmente, esteve disponível todos os dias por aproximadamente quarenta anos. E eles citaram suas Escrituras, mencioando versículos como Êxodo 16.4 e o Salmo 78.24,25. Um Midras (comentário judaico) sobre Êxodo 16.4 diz que da mesma forma que o antigo redentor (Moisés) fez com que o maná descesse do céu, assim também o último Redentor fará com que o maná desça. Eles esperavam que Jesus fizesse isto, se fosse o Messias.

6.32,33 Moisés não havia operado o milagre, mas sim o Pai. E o Deus que deu o maná para os israelitas por quarenta anos, agora dá o verdadeiro pão do céu — Jesus. Da mesma forma que os israelitas comeram o maná todos os dias, assim Deus provê o verdadeiro pão de Deus para o sustento diário. Deus lhes havia dado o seu Filho - aquele que desce do céu e dá vida ao mundo - como o verdadeiro pão celestial para atender as suas necessidades espirituais cotidianas. O tempo verbal no presente indica um suprimento contínuo.

6.34,35 Os judeus não entenderam que Jesus falava de si mesmo como o Pão da Vida; eles queriam um suprimento diário de pão físico, dizendo, “Dá-nos sempre desse pão” . Como a mulher no poço que pediu a Jesus que lhe desse da água viva para que não tivesse mais sede, a multidão queria o que Jesus pudesse dar para que suas vidas pudessem ser facilitadas. Eles náo entenderam o que Jesus quis dizer. Então Jesus lhes disse diretamente: “Eu sou o pão da vida” . Se as pessoas quisessem este pão, deveriam vir a Jesus e crer nele. Quando Jesus usou as palavras “Eu sou”, Ele estava apontando para a sua identidade incomparável e divina. Em essência, esta declaração diz: “Eu, o Senhor Deus, estou aqui para prover a vocês tudo o que precisam para a sua vida espiritual”. Jesus dizer que é o Pão da Vida é para Ele o mesmo que dizer: “Eu sou o sustento da vida de vocês”. Da mesma forma que o pão fornece aos nossos corpos força e nutrição, Jesus, o verdadeiro Pão do Céu, veio paia fortalecer e nutrir o seu povo, para que jamais tenham fome e nunca tenham sede.

6.36 De acordo com alguns manuscritos, a leitura é. “Vós me vistes” . Isto enfatiza que as multidões tinham visto a Jesus, o próprio Pão da Vida, de pé diante deles, e mesmo assim não tinham crido nele. Outros manuscritos apresentam, “Vós vistes e, contudo, não crestes”. Isto enfatiza que as multidões tinham visto os milagres que Jesus fizera, e mesmo assim não creram. Eles não só tinham visto, mas comido os pães e os peixes multiplicados, mas resistiam à conclusão necessária de que Ele era divino.

6.37 No grego, a palavra todo é singular neutro, indicando o corpo total de crentes, em todas as épocas. O Pai dá este grupo coletivo para o Filho (veja também 17.2,24). Somente aqueles que são escolhidos por Deus é que podem vir ao Filho e crer nele. O Espírito de Deus os capacita a vir. Todos aqueles que foram convidados a vir a Jesus e fizeram isto, podem descansar seguros de que Deus operou em suas vidas.

Embora a primeira parte deste versículo fale do grupo coletivo de crentes, esta segunda parte fala do individuo: “De maneira nenhuma o lançarei fora”. A palavra de Deus nos assegura que Jesus irá sempre receber aquele que o busca com sinceridade, e aquele que buscar, e vier a crer nunca será rejeitado (10.28,29).

6.38 Jesus não operava independentemente de Deus Pai, mas em união com Ele: Ele veio para fazer a vontade de Deus. Isto deve nos dar ainda mais segurança de sermos recebidos na presença de Deus e de sermos protegidos por Ele. Todos aqueles que responderem positivamente ao chamado de Deus poderão estar certos de sua proteção (veja 17.11). A proteção os alcança nesta vida e também por toda a eternidade. A nossa fome e sede espirituais são satisfeitas nesta vida, e sabemos que no futuro seremos ressuscitados dos mortos para vivermos com Jesus para sempre. No entanto, a garantia não se aplica à fidelidade superficial. Devemos segui-lo com sinceridade de coração, entregando a nossa vida a Ele.

6.39,40 Como no versículo 37, as palavras gregas para todos aqueles é singular neutro; elas indicam a entidade coletiva completa de todos os crentes. Todos aqueles que estiverem entre este grupo de crentes podem estar seguros da promessa de Deus de vida eterna. Cristo não permitirá que o seu povo seja vencido por Satanás. Eles não se perderão, terão a vida eterna, e Ele os ressuscitará no último dia. No entanto, este compromisso não deve ser superficial, como foi o “compromisso” daqueles discípulos que se desviaram (veja 6.66). Mas aqueles que crerem terão a vida eterna. Deus valoriza cada pessoa. Jesus demonstrou, através de seu ensino, como somos valiosos: Deus enviou o Seu precioso Filho à terra; o Filho veio à terra; o Filho prometeu preservar e ressuscitar aqueles que Ele recebeu do Pai.

Explicação de João 6:60-71

Explicação de João 6:60-71
Explicação de João 6:60-71

João 6

6.60 Neste momento no ministério de Jesus, Ele tinha vários seguidores que poderiam vagamente serem chamados de seus discípulos (veja 4.1). Estes “discípulos” não eram os doze, e muitos deles náo receberiam a sua mensagem. Eles demonstravam dificuldades para entender. O motivo por trás das palavras ásperas de Jesus não é difícil de se ver - Ele queria que as pessoas considerassem o custo de segui-lo (Lucas 14.25-33). Suas palavras chocavam e desafiavam. Não havia meias-verdades confortáveis, mas uma verdade dura e penetrante. Aqueles que seguem Jesus na esperança de se sentirem bem, sempre se desapontarão - mais cedo ou mais tarde. Somente aqueles que encontram em Jesus a verdade sólida como a rocha, serão capazes de enfrentar as dificuldades de se viver neste mundo caído.

6.61 Jesus, sabendo que os seus ouvintes estavam murmurando, perguntou: “ Isto vos escandaliza?” ou mais literalmente, “Isto vos faz tropeçar?” (A palavra grega skandalizo significa “apanhar em laço, apanhar em armadilha, fazer tropeçar”; ela é freqüentemente usada para indicar a queda na descrença. Veja, por exemplo, Mateus 13.21; 24.10; Marcos 6.3; Romanos 14.20,21). Jesus estava profundamente ciente de que aqueles que não estavam prontos a responder totalmente a Ele se escandalizariam dele ou se sentiriam ofendidos por Ele. Lembre-se de que é possível sermos ofensivos na maneira como transmitimos o Evangelho - e esta seria uma razão pela qual estaríamos em falta. Mas se apresentarmos Jesus amavelmente e honestamente, não deveremos ficar chocados nem nos sentirmos culpados se as Boas Novas ofenderem alguém.

6.62 Eles não creram que Jesus desceu do céu. Se eles o vissem voltar ao céu, será que creriam então? De acordo com o versículo 65, eles não creriam, porque não eram crentes verdadeiros. Jesus havia sido propositalmente severo, com a finalidade de separar os verdadeiros crentes daqueles que o estavam acompanhando pelas razões erradas. Alguns buscavam um novo partido político; outros pensavam que Jesus poderia liderar uma revolta contra Roma; havia ainda outros que estavam simplesmente fascinados pelas discussões teológicas. Todos estes pensamentos eram pontos iniciais de um potencial interesse por Jesus, mas não eram suficientes para torná-los verdadeiros discípulos.

6.63 Esta declaração nos dá a chave para interpretar o discurso de Jesus. Seus ouvintes não tinham entendido o propósito espiritual de sua mensagem. Uma interpretação carnal de suas palavras não produziria nada; deve-se aplicar uma interpretação espiritual às palavras inspiradas pelo Espírito. O esforço humano que começa com os desejos e objetivos de sabedoria humana para nada aproveita. Em vez disso, é o Espírito que dá a vida eterna. As próprias palavras de Jesus são espírito e vida; portanto, devemos depender do Espírito que dá a vida para nos apropriarmos das palavras de Jesus. Pedro era um crente que veio a perceber que Jesus tinha as palavras de vida eterna (veja 6.68).

6.64 Desde o princípio de seu ministério, Jesus sabia que alguns dos que o seguiam não criam em sua verdadeira identidade como o Filho de Deus vindo do céu. Jesus também sabia desde o princípio quem era que o havia de entregar. Este era Judas, filho de Simão Iscariotes (6.70). Por um momento, João interrompe com uma breve palavra de explicação dirigida aos seus leitores originais, e a nós. Jesus incluiu Judas em toda faceta de seu ministério, sabendo todo o tempo que Ele não iria responder à verdade viva. O tratamento de Jesus a Judas foi coerente com o seu próprio caráter, a despeito daquilo que Judas merecesse por sua falta de vontade de crer.

6.65 Isto repete o que Jesus havia declarado antes (veja 6.44,45). Os sinais em si, a despeito de quão extraordinários possam ser, náo são completamente convincentes. Alguns crêem vendo, e outros crêem sem precisar ver; mas todos precisam da ajuda de Deus (20.29). 6.66 Jesus estava dizendo coisas severas, e isto fez com que muitos dos seus discípulos não o seguissem mais. Embora estivessem vendo o Reino dos Céus, tendo o privilégio de experimentar o sabor do pão da vida, e vendo a água da vida fluir, eles se retiraram. Em uma frase curta, Joáo mostrou um dos momentos mais tristes do ministério de Jesus.

6.67,68 De acordo com a gramática grega, esta pergunta espera uma reposta negativa. Jesus conhecia a fraqueza deles, bem como o entendimento limitado que possuíam. Ele sabia que um deles náo só se retiraria, mas também o trairia. Contudo, Ele também sabia que Deus havia escolhido onze para crerem nele. Náo podemos ficar em uma posição de meio termo em relaçáo a Jesus. Quando Ele perguntou aos discípulos, “Quereis vós também retirarvos?” estava lhes mostrando que náo tinha a fé deles como algo garantido. Jesus nunca tentou repelir as pessoas através dos seus ensinos. Ele simplesmente dizia a verdade. Quanto mais as pessoas ouviam a verdadeira mensagem de Jesus, mais se dividiam em dois campos - aqueles que o buscavam honestamente querendo entender mais, e aqueles que rejeitavam a Jesus porque náo gostavam daquilo que ouviam.

Pedro respondeu, “Para quem iremos nós?” Com seu modo direto, Pedro respondeu por todos nós - náo há outro caminho. Embora haja muitas filosofias e pretensas autoridades, somente Jesus tem as palavras da vida eterna. As pessoas procuram a vida eterna em todos os lugares, e há aquelas que náo enxergam a Cristo, a única fonte da vida eterna. Quando se trata de salvaçáo, não há ninguém a quem possamos recorrer além de Jesus Cristo.

6.69 A declaração de Pedro faz um paralelo com o que ele fez em Cesaréia de Filipe, mas cada um dos Evangelhos sinóticos apresenta uma versão ligeiramente diferente das palavras de Pedro (veja Mateus 16.16; Marcos 8.29; Lucas 9.20). Pedro estava na verdade dizendo mais do que ele sabia. As palavras descritivas que ele falou sem pensar para dizer a Jesus como ele e os outros discípulos se sentiam a respeito do Mestre, transmitem tanto a natureza impulsiva de Pedro como a genuína impressão que ele tinha de Cristo. Primeiro ele chamou a Jesus de “Senhor” (6.68). E então, ele acrescentou: (1) não há nenhum outro como Tu; (2) Tu tens a verdade sobre a vida eterna; (3) nós temos crido; (4) sabemos que tu és o Santo de Deus. Pedro estava fazendo o melhor que podia para descrever Jesus em uma categoria separada de qualquer outro homem que já viveu.

Como o entendimento de Pedro, o nosso próprio entendimento a respeito de Jesus deve se expandir à medida que vivemos para Ele. Quando a princípio cremos em Jesus como Salvador e Senhor, o nosso entendimento é real, mas limitado. Mas com o passar do tempo, a nossa consciência da amplitude e profundidade da obra salvadora de Jesus e do seu senhorio deve crescer.

6.70,71 Pedro pode ter pensado que estava falando pelos doze, mas não foi assim. Um dentre eles - Judas Iscariotes - era um diabo, o traidor que iria trair Jesus. De acordo com 13.2 e 27, Satanás colocou no coração de Judas a idéia de trair Jesus, e então entrou em Judas para instigar a traição real. Diabolos (6.70) significa “difamador, diabólico”, algo ou alguém que tem a natureza e as características de Satanás. Judas se deixou levar por pensamentos maus e ficou sob o controle do diabo. João lembrou aos seus primeiros leitores o que estava em jogo. Quase toda palavra de ensino proferida por Jesus foi dada dentro do contexto de um intenso drama espiritual. O céu deve ter ficado em uma situação de expectativa, enquanto os homens tentavam entender a verdadeira identidade de Jesus.

Explicação de João 6:1-15

Explicação de João 6:1-15
Explicação de João 6:1-15

6.1 Jesus partiu para o outro lado do Mar da Galileia, um grande corpo de água (que é na verdade um lago, de treze por sete milhas) que recebeu o nome de Mar de Tiberíades por Herodes Antipas em homenagem ao imperador romano Tibério em 20 d.C.

6.2-4 Jesus era popular, e uma grande multidão o seguia, principalmente por causa dos sinais que operava sobre os enfermos. Presumivelmente para continuar a ensinar, Jesus subiu ao monte (o Mar da Galileia é cercado por montes) e assentou-se ali com os seus discípulos. João menciona três celebrações da Páscoa neste Evangelho: a primeira em 2.13 (quando Jesus estava em Jerusalém), a segunda aqui (quando Jesus permaneceu na Galileia), e a terceira em 12.12 (quando Jesus foi para Jerusalém e foi crucificado pouco tempo depois).

6.5,6 As multidões seguiam Jesus subindo os montes. Quando Jesus as viu, Ele perguntou a Filipe onde comprariam pão para estes comerem. Se alguém sabia onde conseguir comida, seria Filipe porque ele era de Betsaida, uma cidade há cerca de quatorze quilômetros dali (1.44). Jesus estava testando Filipe para fortalecer a sua fé. Ao pedir uma solução humana (sabendo que não havia nenhuma), Jesus destacou o ato poderoso e miraculoso que Ele estava prestes a realizar.

João nos dá uma pista: Jesus estava experimentando Filipe, porque Ele bem sabia o que havia de fazer. No uso habitual, a palavra “experimentar” (peirazo) tem um significado neutro. Ela se refere a uma experiência de provação como o teste de Jesus no deserto ou o teste de Abraão no sacrifício de Isaque. Em todos estes casos, Deus permitiu que o teste ocorresse, não esperando falha, mas colocando a pessoa em uma situação em que a sua fé pudesse ser fortalecida. Jesus não queria que Filipe perdesse o que Ele estava prestes a fazer.

6.7-9 Filipe percebeu que pelo número de pessoas que subiam em sua direção, duzentos dinheiros de pão não lhes bastariam, para que cada um deles tomasse um pouco. Mas, na verdade, Filipe não respondeu realmente a pergunta de Jesus. O Senhor havia lhe perguntado onde eles poderiam comprar comida; Filipe respondeu com o que ele percebia ser o problema maior - o dinheiro que seria necessário para fornecer a comida. Neste momento, André (que é geralmente apresentado nos Evangelhos como o irmão de Simão Pedro, e que assume uma posição subordinada a ele) aproveitou uma oportunidade para juntar-se à discussão. Aparentemente um rapaz que havia ouvido casualmente a conversa tirou o seu almoço e o ofereceu. Foi André que inadvertidamente respondeu a pergunta original de Jesus. Ele destacou que a única comida disponível era o almoço do rapaz: cinco pães de cevada e dois peixes. (Pães de cevada e peixes eram a refeição dos pobres). Então André acrescentou o repúdio: “Mas que é isso para tantos?” Não podemos ter certeza se André estava falando com humor ou através de uma hipérbole, mas podemos estar bem certos de que ele não esperava o que se seguiria.

6.10-13 O que foi oferecido era suficiente para Jesus. Ele disse que os discípulos deveriam mandar que os homens se assentassem. Os homens (a palavra grega significa “indivíduos do sexo masculino”) eram em número de quase cinco mil. Portanto, com mulheres e crianças, havia muitos mais. Então Jesus tomou os pães e, havendo dado graças, repartiu-os pelos discípulos, e os discípulos, pelos que estavam assentados. Os peixes também foram distribuídos de igual modo. Depois que todos haviam comido e estavam saciados, eles ainda tinham os pedaços que sobejaram; e os discípulos encheram doze cestos com os pedaços dos cinco pães de cevada que sobraram. Este milagre e estas sobras revelam Jesus mais uma vez como o Senhor que é completamente suficiente. As nossas necessidades e problemas não são obstáculos para Ele, porque o seu poder abundante transcende qualquer necessidade ou problema que coloquemos diante dele.

6.14 As pessoas viram e encheram seus estômagos como resultado deste sinal - quem poderia ter perdido isto? - e isto os levou a crer  que Jesus era o Profeta que Moisés havia predito (Deuteronômio 18.15-18). João não diz que o povo estava errado ao pensar em Jesus como “o Profeta”, mas o versículo seguinte mostra que eles pensavam que este Profeta devia ser um líder político. Nisto eles estavam errados. Eliseu prefigurou este Profeta (que se assemelhava ao Messias) que viria. De acordo com 2 Reis 4.42-44, Eliseu alimentou cem homens com vinte pães (uma proporção de 5.1). Mas Jesus alimentou cinco mil com cinco pães (uma proporção de 1000:1)! Em Isaías 25.6-9, o profeta disse que o Messias prepararia um grande banquete para todo o povo: judeus e gentios. Este milagre mostra que Jesus é o Messias.

6.15 Durante o ministério de Jesus, o fervor nacionalista estava em alta; o povo queria um rei, um líder que libertasse Israel de Roma. O povo esperava isto do futuro Messias-Rei. Quando Jesus percebeu a intenção deles, partiu. O Reino de Jesus não seria terreno; seu Reino não seria estabelecido por um maremoto de popularidade. Esta mesma oportunidade de poder político já havia sido oferecida a Jesus por Satanás no deserto (Mateus 4.1-11). Jesus sabia que a oportunidade imediata não era nada se comparada com aquilo que Deus havia planejado (veja Daniel 7.13,14).


Explicação de João 6:41-59

Explicação de João 6:41-59
Explicação de João 6:41-59

João 6

6.41-43 Os judeus murmuravam a respeito de Jesus. Eles conheciam seu pai e sua mãe, então como Ele podia dizer que desceu do céu? O que eles concluíram era lógico, mas não conheciam realmente os pais de Jesus. Jesus havia se mudado de Nazaré para Cafarnaum no início de seu ministério (veja Mateus 4.13; Marcos 1.21; João 2.12). E muito provável que seus pais e irmãos tenham ido com Ele. Os judeus em Cafernaum conheciam os pais de Jesus e, portanto, pensavam que sabiam quem Jesus era - o filho de José. Mas Jesus disse ao povo que parasse de murmurar e reclamar sobre o que Ele havia dito. Nenhum deles poderia conhecer a sua verdadeira identidade, se o Pai não a revelasse a cada um. Jesus se fundamentava nesta revelação.

6.44-46 Uma pessoa não pode vir a Jesus se não for trazida pelo Pai, ensinada pelo Pai, se não tiver ouvido do Pai, e aprendido do Pai. Deus, não a pessoa, desempenha o papel mais ativo na salvação. Quando alguém escolhe crer em Jesus Cristo como Salvador, ele ou ela o fazem somente em resposta ao estímulo do Espírito Santo de Deus. Portanto, ninguém pode crer em Jesus sem a ajuda de Deus. Quando Jesus citou os profetas dizendo, “E serão todos ensinados por Deus”, Ele estava fazendo uma alusão a uma visão do Antigo Testamento do Reino messiânico onde todo o povo seria ensinado diretamente por Deus (Isaías 54.13; Jeremias 31.31-34). Ele estava destacando a importância de não apenas ouvir, mas aprender. Nós somos ensinados por Deus através da Bíblia, de nossas experiências, dos pensamentos que o Espírito Santo traz, e dos relacionamentos com outros cristãos. Você está aberto para o ensino que o Senhor Deus quer lhe proporcionar?

A declaração anterior de Jesus sobre as pessoas serem ensinadas por Deus (e ouvirem e aprenderem do Pai) não significa que qualquer pessoa pudesse realmente ver a Deus Pai. Somente Jesus veio da presença do Pai, e somente Ele viu o Pai. Esta última declaração em si sugere privilégios divinos - porque nenhum homem jamais viu a Deus (veja 1.18; 1 Timóteo 6.15,16).

6.47 Jesus deixa claro que o crente tem a vida eterna, que começa agora. O verbo “crê” nestes versículos significa “continuar a crer”. Nós não cremos apenas uma vez; continuamos crendo e confiando em Jesus.

6.48-50 Jesus então declarou novamente (6.35), “Eu sou o pão da vida!” Esta é uma das declarações extraordinárias de “Eu sou” de Jesus registrada no Evangelho de João. Ninguém além de Jesus é o Pão que dá a vida eterna. O povo anteriormente havia falado do maná que seus pais comeram no deserto (6.31), usando este evento como um padrão para avaliar Jesus. Jesus recusou o desafio deles. O maná foi um pão físico e temporal. O povo o comia e se sustentava por um dia. Mas era necessário que conseguissem mais pão todos os dias, e este pão não poderia impedi-los de morrer.

Sem diminuir o papel de Moisés, Jesus estava apresentando a si mesmo como o Pão espiritual do Céu que satisfaz completamente, e que conduz à vida eterna. Além disso, a eficácia pessoal deste Pão não vem de vê-lo ou de reconhecer a sua origem celestial, mas de tomá-lo - de comê-lo.

6.51 Oferecer a sua carne significava que Jesus entregou o seu corpo para a morte na cruz, para que por sua morte as pessoas pudessem viver para sempre. Comer o pão vivo significa aceitar a Cristo em nossa vida e tornarmo-nos unidos a Ele. Somos unidos a Cristo de duas maneiras: (1) crendo em sua morte (o sacrifício de sua carne) e ressurreição, e (2) nos dedicando todos os dias a viver como Ele quer que vivamos, dependendo de seu ensino para que tenhamos direção, e confiando no Espírito Santo para que tenhamos poder. Da mesma forma que os judeus dependiam de pão para terem a força cotidiana, e o apreciavam como uma parte principal de seu cardápio, assim devemos depender do Cristo vivo em nossa vida diária, desejando-o com fervor.

6.52,53 Em vez de responder diretamente a pergunta deles sobre como poderia lhes dar a sua carne para comer, Jesus enfatizou outra vez a necessidade de se comer a sua carne, e também de se beber o seu sangue. Ninguém poderia receber a sua vida até que o doador morresse derramando o sangue de sua própria vida. Portanto, Jesus quer que aceitemos, recebamos, e até mesmo assimilemos o significado de sua morte, a fim de que recebamos a vida eterna. Os cristãos fazem isto freqüentemente quando comemoram a Ceia do Senhor. Mas os cristãos não devem limitar isto somente à celebração da Ceia do Senhor (que alguns chamam de Eucaristia); os cristãos podem participar de Jesus em todos os momentos da vida.

6.54,55 Aqueles que comem a carne de Jesus e bebem o seu sangue têm a vida eterna. Aqueles que aceitam pela fé a morte sacrificial de Jesus recebem a vida eterna.

6.56 Esta é a primeira menção de “habitação mútua” neste Evangelho (isto é, uma habitação simultânea de duas pessoas em um ser, também conhecida como “co-existência”). Quando recebemos Jesus, permanecemos nele e Ele permanece em nós.

6.57 Aqui Jesus apontou para o seu relacionamento com o Pai como um modelo de união vital que Ele compartilharia com cada crente. Jesus disse que Ele mesmo vive pelo poder do Pai... que o enviou, de forma que aqueles que tomam parte na vida de Jesus, viverão por causa de Jesus.

6.58,59 Este versículo resume o discurso e repete os pontos principais da mensagem de Jesus. Ele contrastou outra vez a si mesmo como o verdadeiro pão do céu que dá vida, com o maná que não podia dar a vida eterna àqueles israelitas que o comeram. Jesus disse essas coisas na sinagoga, ensinando em Cafarnaum aos judeus que estavam reunidos ali para a adoração.

Comentário de João 6 — Matthew Henry

Comentário de João Capítulo 6
por Matthew Henry


Comentário de João 6:1-14

Comentário de João 6 — Matthew Henry
João narra o milagre de alimentar à multidão para referir-se ao sermão que segue. Observe-se o efeito deste milagre sobre a gente. Até os judeus comuns esperavam que o Messias viesse ao mundo e fosse um grande Profeta. Os fariseus o desprezavam por não conhecer a lei, mas eles sabiam mais dAquele que é o fim da lei. Não obstante, os homens podem admitir que Cristo é esse Profeta e ainda fazer ouvidos surdos.

Comentário de João 6:15-21

Aqui estavam os discípulos de Cristo no caminho do dever, e Cristo ora por eles; contudo, estão afligidos. Pode haver perigos e aflições deste tempo presente onde há interesse em Cristo. As nuvens e as trevas costumam rodear os filhos da luz e do dia.

Vêem a Jesus caminhando sobre o mar. Ainda quando se aproximam o consolo e a liberação, costumam entendê-lo tão mal que se convertem em ocasião para temer. Nada é mais forte para convencer a pecadores que a palavra "Eu sou Jesus, o que persegues"; nada mais forte para consolar os santos que isto: "Eu sou Jesus a quem amas". Se temos recebido a Cristo Jesus, o Senhor, embora a noite seja escura e o vento, forte, ainda assim podemos consolar-nos que estaremos na margem antes que passe muito tempo.

Comentário de João 6:22-27

Em vez de responder à pergunta de como chegou ali, Jesus os repreende por perguntar. A maior seriedade deveria utilizar-se para buscar a salvação no uso dos meios indicados, mas deve buscar-se somente como dom do Filho do homem. Ao que o Pai tem selado, lhe prova que é Deus. Ele declara que o Filho do homem é o Filho de Deus com poder.

Comentário de João 6:28-35

O exercício constante da fé em Cristo é a parte mais importante e difícil da obediência exigida de nós, Enquanto a pecadores que buscam salvação. Quando somos capacitados por sua graça para levar uma vida de fé no Filho de Deus, seguem os temperamentos santos e podem fazer-se serviços aceitáveis.

Deus, seu próprio Pai, que deu esse alimento do céu a seus antepassados para sustentar sua vida natural, agora lhes deu o Pão verdadeiro para a salvação de suas almas.

Ir a Jesus e crer nEle significa o mesmo. Cristo mostra que Ele é o Pão verdadeiro; é para a alma o que o pão é para o corpo, nutre e sustenta a vida espiritual. É o Pão de Deus. O pão que dá o Pai, é o que tem feito para alimento de nossas almas. O pão nutre somente pelos poderes do corpo vivo, porém Cristo mesmo é o Pão vivo e nutre por seu próprio poder. A doutrina de Cristo crucificado é agora tão fortalecedora e consoladora para o crente como sempre tem sido.

Ele é o Pão que veio do céu. Denota a divindade da pessoa de Cristo e sua autoridade; além disso, a origem divina de todo o de bom que nos chega por meio dEle. Digamos, com inteligência e fervor: Senhor, dá-nos sempre deste Pão.

Comentário de João 6:36-46

O descobrimento da culpa, perigo e remédio para eles, por meio do ensino do Espírito Santo, faz que os homens se disponham e alegrem de ir, e rendam tudo o que impede ir a Ele em busca de salvação. A vontade do Pai é que nenhum dos que foram dados ao Filho sejam rejeitados ou perdidos por Ele. Ninguém irá até que a graça divina o subjugue e, em parte, mude seu coração; portanto, ninguém que acuda será lançado fora. O evangelho não acha a ninguém disposto a ser salvado na forma santa e humilhante que aqui se dá a conhecer, porém Deus atrai com sua palavra e o Espírito Santo; e o dever do homem é ouvir e aprender; isto é, receber a graça oferecida e assentir à promessa.

Ninguém viu o Pai senão seu amado Filho; e os judeus devem esperar ser ensinados por seu poder interior exercido sobre sua mente, e por sua palavra e os ministros que lhes mande.

Comentário de João 6:47-51

A vantagem do maná era pouca, somente servia para esta vida; mas o Pão de vida é tão excelente que o homem que se alimenta dele nunca morrerá. Este pão é a natureza humana de Cristo que tomou para apresentar ao Pai como sacrifício pelos pecados do mundo; para adquirir todas as coisas correspondentes à vida e à piedade, para que se arrependam e creiam nEle os pecadores de toda nação.

Comentário de João 6:52-59

A carne e o sangue do Filho do Homem denotam o Redentor em sua natureza humana; Cristo, e Ele crucificado, e a redenção operada por Ele, com todos os benefícios preciosos da redenção: o perdão do pecado, a aceitação de Deus, o caminho ao trono de graça, as promessas da aliança, e a vida eterna. São chamados carne e sangue de Cristo, porque foram comprados devido a que seu corpo foi partido e seu sangue, derramado. Além disso, porque são comida e bebida para a nossa alma. Comer esta carne e beber este sangue significa crer em Cristo. Participamos de Cristo e seus benefícios por fé. A alma que conhece corretamente seu estado e sua necessidade, encontra no Redentor, em Deus manifestado em carne, todas as coisas que podem acalmar a consciência e fomentar a santidade verdadeira. Meditar na cruz de Cristo dá vida a nosso arrependimento, amor e gratidão. Vivemos por Ele, assim como nossos corpos vivem pela comida. Vivemos por Ele como as extremidades dependem da cabeça, os ramos da raiz: porque Ele vive, nós também vivemos.

Comentário de João 6:60-65

A natureza humana de Cristo não tinha estado antes no céu, porém, sendo Deus e homem, se diz com veracidade que essa maravilhosa Pessoa desceu do céu. O reino do Messias não era deste mundo; eles deviam entender por fé o que disse de um viver espiritual nEle e em sua plenitude. Assim como sem a alma do homem, a carne não vale de nada, do mesmo modo, sem o Espírito de Deus que vivifica, todas as formas de religião são mortas e nulas. O que fez esta provisão para nossas almas é o único que pode ensinar-nos estas coisas e atrair-nos a Cristo para que vivamos pela fé nEle. Acudamos a Cristo, agradecidos que tenha sido declarado que todo aquele que quiser ir a Ele será recebido.

Comentário de João 6:66-71

Quando admitimos em nossa mente duros pensamentos acerca das palavras e obras de Jesus, entramos na tentação de modo que, se o Senhor não o evitasse em sua misericórdia, terminaríamos retrocedendo. O coração corrupto e mau do homem faz com que o que é matéria de maior consolo seja uma ocasião de ofensa. Nosso Senhor tinha prometido vida eterna a seus seguidores no sermão anterior; os discípulos aderiram a essa palavra simples e resolveram aferrar-se a Ele, quando os outros se aderiram às palavras duras e o abandonaram.

A doutrina de Cristo é a palavra de vida eterna, portanto, devemos viver e morrer por ela. Se abandonarmos a Cristo, abandonamos nossas próprias misericórdias.

Eles acreditaram que este Jesus era o Messias prometido a seus pais, o Filho do Deus vivo. Quando sejamos tentados a descaminhar-nos, bom é que lembremos os princípios antigos e nos mantenhamos neles. Lembremos sempre a pergunta de nosso Senhor. Nos afastaremos e abandonaremos a nosso Redentor? A quem poderemos acudir? Somente Ele pode dar salvação pelo perdão dos pecados. Isto só dá confiança, consolo e gozo, e faz que o temor e o abatimento fujam. Ganha a única alegria firme neste mundo e abre o caminho à felicidade do próximo.