E essa vida era a luz dos homens. Quando há um a manifestação da vida, ela é chamada luz, pois a característica da luz é a de resplandecer. Desde a queda, que está implícita aqui na última parte do versículo 4, essa luz foi proclamada aos seres humanos. A humanidade é caracterizada por trevas, maldade e ódio, que são manifestações opostas ã luz. A eles (especialmente para Israel; ver a explicação dos vs. 10, 11) foram proclamados, durante a antiga dispensação, a verdade e o amor de Deus em Cristo. A verdade e o amor são sinônimos da luz (tanto para os sinônimos como para os antônimos, ver 3.19-21; 1 Jo 2.8-10). Certamente que o sentido do termo luz não deveria se limitar a esses dois atributos (verdade e amor); ao contrário, eles representam todos os atributos de Deus. Todos os atributos divinos estavam presentes na obra da salvação. Eles foram proclamados aos homens pecadores.
Nele estava a vida... (João 1:4a)
Nele estava a vida... (João 1:4a)
1:4. Nele estava a vida. O texto não diz: por meio dele, mas nele, assim com o em 5.26; 6.48, 53; 11.25. A cláusula “A vida estava nele” significa que, desde toda a eternidade, e ao longo de toda a antiga dispensação, a vida residiu na Palavra. Portanto, a melhor tradução é “estava", em vez de “está”. Porém, qual é o sentido do termo “vida” , como usado aqui? Será que ele se refere diretamente a qualquer tipo de vida, quer física quer espiritual - tanto a vida de um a borboleta, quanto a de um arcanjo? No entanto, vida física não reside na segunda pessoa da Trindade. Deus não é físico, em nenhum sentido (cf. 4.24). Além do mais, é um a boa regra de exegese explicar um texto depois de tê-lo lido várias vezes. Quando essa regra é aplicada a esse caso, o resultado é o seguinte: A vida é caracterizada como sendo a luz dos homens (1.4b). Essa luz brilha nas trevas, e não pode ser apropriada pelos seres humanos pecaminosos (1.5). João Batista dá testem unho a respeito dessa luz (vs. 6, 7). Ele não era a luz original e perfeita, cujo brilho ofusca todas as outras luzes, mas ele veio para testificar da luz (vs. 8, 9). Essa luz é agora identificada com aquele que é rejeitado pelo mundo, mas aceito pelos filhos de Deus (vs. 10-13).
Fica claro, à luz deste contexto, que os term os vida e luz pertencem à esfera espiritual. Além do mais, tanto no Quarto Evangelho, quanto na Primeira Epístola, a palavra vida sempre (por 54 vezes) se m ove nessa esfera. Às vezes, ela é substituída pela expressão “vida eterna” (5.24). Quando um a pessoa possui esta vida, ela sente um a estreita com unhão com Deus em Cristo (17.3). No livro do Apocalipse, o sentido é semelhante (livro da vida, água da vida, árvore da vida, coroa da vida). O que parece evidente, à luz de tudo isso, é que, basicamente, o termo se refere à plenitude da essência de Deus, ou seja, seus atributos gloriosos: santidade, verdade (conhecimento, sabedoria, veracidade), amor, onipotência, soberania. É dito que essa vida divina, plena e abençoada, sem pre esteve presente na Palavra, por toda a eternidade, e durante toda a antiga dispensação: “N ele estava a vida”.
Mas embora essa vida, como tal, seja completamente espiritual, sem ter nada nela que pertença à natureza física, ela é a causa, a fonte ou o princípio de toda vida, tanto física quanto espiritual. O universo deve sua existência a ela: “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que existe se fez” (v. 3); conseqüentemente, isso também se aplica à hum anidade (v. 10). É verdade que essa luz é também a fonte da revelação geral. No entanto, o contexto presente não faz um a menção específica a essa ideia. Ela está implícita, mas não expressa. Aqui no contexto presente (o prólogo de João), a vida de Deus em Cristo, à qual todas as coisas e todos os homens devem sua existência (criação e preservação), é apresentada como a fonte da iluminação dos seres humanos, com respeito aos assuntos espirituais, e da salvação eterna dos filhos de Deus. O que tem os aqui é um contexto do Evangelho. Portanto, lemos:
Todas as coisas foram feitas por meio dele... (João 1:2-3)
Todas as coisas foram feitas por meio dele... (João 1:2-3)
2. No princípio, ele próprio estava face a face com Deus. Esta Palavra divina, que existe desde toda a eternidade como um a Pessoa distinta, estava gozando da com unhão amorosa com o Pai. Portanto, a divindade plena de Cristo, sua eternidade e existência pessoal distinta devem ser confessadas mais um a vez, para que os hereges possam ser refutados e a Igreja possa ser estabelecida na fé e no amor de Deus.
3. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que existe veio à existência. Todas as coisas, um a a um a, vieram a existir por meio desta Palavra divina. Portanto, a grande verdade de que Cristo criou todas as coisas (porque, nas obras externas, todas as três Pessoas cooperam) é, antes de tudo, declarada positivam ente, a partir do ponto de vista do passado. Do ponto de vista do presente, podem os declarar esta mesma verdade da seguinte maneira: “Sem ele, nada do que existe poderia ter sido feito”. Dois fatos são aqui enfatizados: a. que o próprio Cristo não foi criado; ele era eternam ente (para que esse pensamento seja comunicado, o tempo imperfeito é usado por quatro vezes, nos versículos 1 e 2); e b. que todas as coisas (vistas distribuitivamente, uma a uma, sem exceção) foram criadas por ele (aqui é usado o tempo aoristo).
E a Palavra Estava com Deus... (João 1:1c)
E a Palavra estava face a face com Deus (ἦν πρὸς τὸν θεόν). O sentido é que a Palavra existia na mais estreita com unhão possível com o Pai, e que ele tinha um prazer supremo nessa comunhão (cf. 1 Jo 1.2). Essa alegria tinha sido impressa tão profundam ente no Logos, que nunca foi apagada de sua consciência, como é também evidenciado por sua oração sacerdotal: “E agora glorifica-m e, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti antes que o m undo existisse.” Portanto, a encarnação começa a aparecer, mais claramente, como uma obra de amor incompreensível, e de um a infinita condescendência.
E a Palavra era Deus. Para que a ênfase fosse totalmente posta na divindade plena de Cristo, o predicado, no original, precede o sujeito (καὶ θεὸς ἦν ὁ λόγος). Contra qualquer tentativa herética de desmerecer essa verdade, devem os sem pre deixar claro que esta Palavra é completamente divina.
No Princípio era a Palavra... (João 1:1a)
No Princípio era a Palavra... (João 1:1a)
No princípio... Quando os céus e a terra foram criados (Gn 1.1) - a Palavra já existia. Esse é um modo diferente de dizer que ele existia desde a eternidade. Ele não era um ser criado, com o alguns heréticos têm afirmado. (Ver p. 51.)
No princípio... Quando os céus e a terra foram criados (Gn 1.1) - a Palavra já existia. Esse é um modo diferente de dizer que ele existia desde a eternidade. Ele não era um ser criado, com o alguns heréticos têm afirmado. (Ver p. 51.)
Era a Palavra. Tanto João quanto os hereges falaram da Palavra (ho logos). Mas, em bora o termo seja o mesmo, o sentido era diferente. A doutrina de João não é dependente da doutrina dos hereges, nem da dos filósofos especulativos, como Filo, um alexandrino proeminente, que foi muito conhecido no primeiro século d.C. Ninguém consegue concluir qual era o entendimento de Filo a respeito do Logos. Ele usa o termo mais de 1.300 vezes em seus escritos, em bora o sentido nunca seja definido." Ele o descreve como um atributo divino, e também como um a ponte entre Deus e o mundo, sem ser idêntico com nenhum dos dois lados, mas com partilhando da natureza de ambos. Filo usava o termo alegoricamente, o que torna muito difícil apreendermos seu significado.
Assim, em seus comentários do texto de Gênesis 3.24, ele faz algumas observações a respeito dos querubins, equipados com espadas refulgentes, que são colocados nos portões do Jardim do Éden para evitar o acesso à Árvore da Vida. De acordo com Filo, esses querubins são duas potências divinas: a bondade amorosa de Deus e sua soberania. A espada é o Logos ou a Razão que une as duas. Balaão, o profeta louco, não tinha a espada (Razão), pois ele disse à mula: “Se eu tivesse um a espada, eu teria cortado você” (Sobre os Querubins, XXXII). Certam ente que o termo, conforme é usado pelo evangelista, não pode derivar seu sentido dessas alegorias. Ele está radicado no pensamento semítico, e não no grego.’’ Já no Antigo Testamento, a Palavra de Deus é representada como um a Pessoa. Observe, especialmente, o Salmo 33.6: “Pela palavra de Jeová os céus foram feitos”. Talvez o melhor comentário de João 1.1 esteja em Provérbios 8.27-30;
“Quando ele preparava os céus, aí eu estava;
quando traçava o horizonte sobre a face do abismo;
quando firmava as nuvens de cima
e quando estabelecia as fontes do abismo;
quando fixava ao m ar seu limite, para que as águas não traspassassem
seus limites;
quando com punha os fundamentos da terra;
então, eu estava com ele e era seu arquiteto,
dia após dia eu era suas delícias,
folgando perante ele em todo o tempo” .
O termo Verbo, como um a designação neotestamentária de Cristo, ocorre somente em 1.1, 14; 1 João 1.1 e Apocalipse 19.13. Um a palavra serve a dois propósitos distintos: a. ela dá expressão aos pensamentos profundos - a alma do ser humano - , e faz com que ninguém esteja presente para ouvir o que é dito, ou ler o que é pensado; e b. ela revela esse pensamento (isto é, a alma de quem fala) aos outros. Cristo é o Verbo (ou a Palavra) de Deus em ambos aspectos: ele expressa ou reflete a mente de Deus e também revela Deus para os homens (1.18; cf. M t 11.27; Hb 1.3).
Aparições do Jesus Ressuscitado
Aparições do Jesus Ressuscitado
O capítulo final mostra Cristo como o Mestre de nosso serviço e o Amigo dos pecadores. Se não houvesse esse capítulo, não saberíamos o que aconteceu entre Pedro e o Senhor e se realmente resolveram ou não a questão a respeito da desobediência dele.
O capítulo final mostra Cristo como o Mestre de nosso serviço e o Amigo dos pecadores. Se não houvesse esse capítulo, não saberíamos o que aconteceu entre Pedro e o Senhor e se realmente resolveram ou não a questão a respeito da desobediência dele.
I. Uma noite de derrota (20:1-3)
Pedro, sem receber nenhuma ordem nesse sentido, voltou à pescaria. Ele abandonou de vez o seguir Cristo (Lc 5:1-11) e, agora, voltava à antiga vida. Tudo nessa cena fala de derrota:
(1) está escuro, o que indica que não caminhavam na luz;
(2) eles não tiveram uma palavra direta do Senhor;
(3) não conseguiram nada com seu esforço;
(4) eles não reconheceram a Cristo quando este apareceu, o que indica que a visão espiritual deles estava obscurecida.
Pedro, ao tomar uma decisão precitada, fez com que outros seis homens também errassem. A má influência é algo muito ruim. Temos de lembrar que Deus nos abençoa apenas quando permanecemos em Cristo e obedecemos à Palavra. "Sem mim nada podeis fazer" (15:5). Muitos cristãos empreendem atividades que contrariam a Bíblia, embora sejam bem-intencionados, e só perdem tempo, dinheiro e energia por nada. Sejamos pacientes. É melhor esperar a orientação do Senhor e, assim, receber sua bênção, que nos envolvermos por conta própria em atividades inúteis.
II. Uma manhã de decisões (21:4-17)
A luz começa a brilhar quando Cristo entra em cena. Da praia, ele os instrui, e, assim, eles pegam uma quantidade enorme de peixe! Poucos minutos de atividade sob o controle de Cristo realizam muito mais que uma noite inteira de esforço carnal! É interessante comparar esse milagre com o do início da carreira de Pedro relatado em Lucas 5.
Lucas 5
1. Após uma noite de fracasso
2. Não informa a quantidade exata de peixes que pescaram
3. As redes começam a quebrar
4. Cristo dá instruções do barco
João 21
1. Após uma noite de fracasso
2. Pescaram 153 peixes (v. 11)
3. A rede não se rompe
4. Cristo dá instruções da praia
Algumas pessoas vêem nessas cenas um retrato da igreja hoje (Lc 5) e do fim desta era, quando Cristo retornar (Jo 21). Hoje, lançamos a rede do evangelho, no entanto ela se rompe muitas vezes, e não sabemos quantas almas realmente ganhamos, o que gera um sentimento de fracasso. Todavia, saberemos o número exato de almas ganhas quando Cristo retornar, e nenhuma será perdida. Hoje, muitos pescadores e barcos participam da pescaria, mas, quando ele retornar, veremos uma só igreja e todos os redimidos em uma só rede de evangelho.
Na verdade, esse capítulo apresenta muitos milagres além do da pescaria. Pedro recebe uma força milagrosa que o capacita a lançar uma rede que sete homens juntos não conseguem lançar (vv. 6,11). É surpreendente a rede não se romper. Com certeza, a refeição matinal de peixes cozidos na brasa e pão foi suprida de forma milagrosa. O desígnio da cena toda era despertar a consciência de Pedro e abrir seus olhos. A pescaria lembrou-o de sua decisão anterior de abandonar tudo e seguir a Cristo. As brasas do carvão o levaram de volta à sua negação (Jo 18:18). A localização — mar da Galileia — lembrou-o de várias experiências passadas com Cristo: a alimentação dos 5 mil, o caminhar sobre as águas, o peixe com a moeda, a tempestade que foi acalmada, etc.
Como Pedro negou Cristo três vezes em público, ele tinha de corrigir isso publicamente. Observe que Cristo alimentou Pedro antes de lidar com o pecado dele. Só o Senhor é capaz de nos abençoar primeiro, para depois lidar conosco! A questão era o amor de Pedro por Cristo. A vida do homem que realmente ama Cristo é devotada e dedicada. Veja que Cristo dá um novo comissionamento a Pedro: agora, além de ser um pescador de homens, ele é um pastor. (Veja 1 Pe 5.) Agora, ele é o pastor das ovelhas e alimenta-as com a Palavra de Deus. Espera-se que todos os cristãos sejam pescadores de homens (ganhadores de almas), mas alguns são chamados para o ministério especial de pastorear o rebanho. Não há nada de bom em ganhar o perdido se não houver uma igreja que possa alimentá-lo e
cuidar dele.
III. Um dia de dedicação (21:18-25)
Há uma grande diferença entre filiação (ser salvo) e discipulado (seguir o Senhor). Nem todos os cristãos são discípulos. Pedro não perdeu sua filiação quando pecou, mas afastou-se de seu discipulado. Por isso, Cristo repetiu seu chamado: "Segue-me". Cristo também confronta Pedro com a cruz (v. 18), uma indicação de que Pedro também seria crucificado. (Veja 2 Pe 1:12-14.) Temos de tomar a nossa cruz antes de seguir a Cristo. Essa ordem assume um novo significado quando lembramos que, antes, Pedro tentara afastar Cristo da cruz (Mt 16:21-28).
Mais uma vez, Pedro comete um erro trágico: ele desvia seus olhos do Senhor e começa a olhar os outros, nesse caso João. Deve mos manter nosso olhar apenas em Cristo se quisermos segui-lo (Hb 12:1-2). Não é "da nossa conta" como Cristo lida com os outros cooperadores; nossa tarefa é seguir a Cristo e lhe obedecer. (Veja Rm 14 para saber como devemos nos relacionar com os outros cristãos.)
João termina seu evangelho com a afirmação de que, se escrevesse tudo que Cristo fez na vida, o mundo seria pequeno para a quantidade de livros necessários para o relato. Os quatro evangelhos não são "vidas de Cristo", mas quatro retratos de Jesus com ênfase em aspectos distintos. João diz que seria impossível relatar sua vida completa.
Não leríamos a respeito de Pedro em Atos 1, se, em João 21, ele não tivesse se encontrado com Cristo, confessado seu pecado e afirmado seu amor. Mais tarde, Deus pôde usar Pedro, porque se endireitou com o Senhor. Cristo abençoa e usa os que o seguem.
A Ressurreição de Jesus
A Ressurreição de Jesus
Esse capítulo registra três aparições de Cristo pós-ressurreição. Cada aparição trouxe um resultado diferente na vida dos envolvidos.
Esse capítulo registra três aparições de Cristo pós-ressurreição. Cada aparição trouxe um resultado diferente na vida dos envolvidos.
I. Maria viu o Senhor (20:1-18)
Cristo expulsou sete demônios de Maria Madalena (Lc 8:2), e ela o amava com ternura. Maria Madalena, em sua confusão e desapontamento, apressou-se em tirar conclusões e pensou que alguém roubara o corpo de Cristo. Ela correu para contar a Pedro e João, que, por sua vez, foram até a sepultura.
O que fez João passar à frente de Pedro (v. 4)? Talvez houvesse uma razão física: João era mais jovem que Pedro. Contudo, também há uma lição espiritual aqui: Pedro ainda não reafirmara sua devoção a Cristo, e, por isso, sua "energia espiritual" estava baixa. Isaías 40:31 afirma que os que esperam no Senhor "correm e não se cansam"; todavia, Pedro correra à frente do Senhor e lhe desobedecera. O pecado de Pedro afetou seus pés (Jo 20:4), seus olhos Go 21:7), seus lábios (ele negou o Senhor) e até a temperatura de seu corpo (Jo 18:18; e veja Lc 24:32).
O que os homens viram na sepultura? Eles viram os lençóis fúnebres com a forma do corpo, no entanto o corpo sumira! As vestes fúnebres repousavam como um casulo vazio. O lenço (para o rosto) estava separado do resto. Não era a cena de uma sepultura roubada, pois nenhum ladrão conseguiria tirar o corpo das vestes sem rasgá-las nem desarrumar as coisas. Jesus retornara à vida em glória e em poder e passara através das vestes fúnebres e da própria sepultura! O versículo 8 relata que os homens acreditaram na ressurreição por causa das evidências que encontraram. Mais tarde, eles encontram Cristo pessoalmente e creem também nos testemunhos das Escrituras. Assim, em relação aos assuntos espirituais, há três tipos de provas em que se fundamentar:
(1) a evidência que Deus fornece em sua Palavra;
(2) a Palavra do Senhor; e
(3) a experiência pessoal.
Como o homem sabe que Cristo é real? Ele pode ver as evidências na vida dos outros, ler a Palavra e, se crer em Cristo, vivenciará isso pessoalmente. No versículo 10, observe que eles voltam para casa sem proclamar a mensagem da ressurreição de Cristo. Apenas as simples evidências intelectuais não mudam as pessoas. Precisamos encontrar Cristo pessoalmente.
Foi isso que aconteceu com Maria Madalena: ela demorou-se e encontrou Cristo. Muitas vezes, vale a penas esperar! (Veja Pv 8:1 7.) Ela viu dois anjos na sepultura, mas estava muito tomada pela dor para deixá-los confortá-la. No versículo 12, a descrição dos anjos lembra-nos o propiciatório do Santo dos Santos (Êx 25:17-19); agora, a ressurreição de Cristo é nosso propiciatório no céu. Maria Madalena deu as costas aos anjos, pois procurava Cristo; ela preferia ter o corpo de Cristo ã visão dos anjos! A seguir, ela viu uma pessoa, mas seus olhos estavam cegos, e não reconheceu Cristo. No versículo 15, a palavra "supondo" explica toda a dor que ela sentia. Hoje, muitos cristãos são infelizes porque "supõem" algo que de forma alguma é verdade. Ela reconheceu Jesus quando ele disse seu nome. Ele chama os seus pelo nome (Jo 10:3-4), e eles conhecem sua voz. Veja Isaías 43:1.
O versículo 17 sugere que, no início da manhã do domingo de Páscoa, Cristo ascendeu ao céu a fim
de apresentar sua obra terminada ao Pai. Essa ascensão secreta cumpre o tipo de sacrifício discutido em Levítico 23:1-14, o movimento das "primícias" no dia seguinte ao sábado (veja 1 Co 15:23). O encontro de Maria Madalena com Cristo transformou-a em uma missionária.
II. Os discípulos vêem o Senhor (20:19-25)
Essa é a segunda menção ao "primeiro dia da semana" (20:1,19). O primeiro dia da semana é o domingo, não o sábado (o sabá judeu, o sétimo dia da semana). O sábado destina-se ao descanso após o trabalho e pertence à dispensação da Lei. O domingo é o Dia do Senhor, o primeiro dia da semana, e fala de vida e de descanso antes do trabalho. Lembra-nos a graça de Deus. Cristo atravessou a porta
fechada em seu corpo glorificado e levou paz aos homens amedrontados. Observe que ele fala de paz
duas vezes (vv. 19,21). A primeira "paz" refere-se à paz com Deus, fundamentada no sacrifício dele na cruz. Por isso, ele mostrou a eles suas mãos e o lado de seu corpo. A segunda trata-se da paz de Deus que vem da presença dele conosco (veja Fp 4). Ele comissiona-os a assumir o lugar dele como embaixadores de Deus no mundo. (Veja Jo 17:15-18.)
O sopro do Senhor sobre eles lembra Gênesis 2:7, em que Deus soprou vida em Adão, e 2 Timóteo 3:1 6, em que "inspirada" significa "sopro de Deus". Essa ação foi pessoal e individual e deu-lhes a força e o discernimento espirituais que precisariam para cumprir seu comissionamento. Em Pentecostes, a vinda do Espírito foi corporativa e capacitou-os para o serviço e o testemunho. No versículo 23, o poder de perdoar pecados, dado aos discípulos, não se aplica aos cristãos de hoje, a não ser no sentido de que retemos ou impedimos o pecado à medida que apresentamos o evangelho ao pecador. No Novo Testamento, não há nenhum exemplo de perdoar pecado feito por qualquer apóstolo. Pedro (At 10:43) e Paulo (At 13:38) falam sobre a autoridade de Cristo. Não há dúvida de que os discípulos tinham privilégios especiais, mas nós não temos esses direitos hoje.
III.Tomé viu o Senhor (20:26-31)
Tomé não estava presente no primeiro encontro com o Senhor. Quantas coisas perdemos ao não irmos à congregação local. Observe a afirmação de Tomé: "Se eu não vir [...] de modo algum acreditarei" (v. 25). Chamavam-no Dídimo, que significa "gêmeo". Ele tem muitos pares hoje!
No Dia do Senhor, o seguinte após a ressurreição, "passados oito dias", Jesus apareceu quando os discípulos estavam reunidos e dirigiu-se a Tomé. Que amor perdoador demonstrou por ele! Tomé viu o Senhor e esqueceu-se de todas as suas exigências de prova! O testemunho dele é emocionante: "Senhor meu e Deus meu!". A visão das feridas de Cristo ganhou seu coração. Cristo afirma que você e eu temos a mesma garantia e bênção, pois estamos entre os que creem nele, embora não o tenhamos visto.
Você vê os diferentes resultados dessas três aparições de Cristo à medida que as revê. Com Maria Madalena, a questão era seu amor por Cristo. Ela sentia saudades dele e queria cuidar de seu corpo. Com os discípulos, trata-se da esperança deles. Eles perderam toda a esperança e se trancaram em uma sala com medo! Com Tomé, o problema era a fé: ele não acreditaria sem ver as provas. Nossa fé está segura porque Jesus Cristo está vivo hoje. "E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé" (1 Co 15:17). Mantemos a esperança viva por causa de sua ressurreição. Primeira aos Coríntios 15:19 afirma: "Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens".
Nos versículos 30-31, João afirma o objetivo de seu evangelho: os pecadores devem crer e ter vida eterna por intermédio de Cristo. À medida que lemos esse evangelho, encontramos muitas pessoas que creram e ganharam vida eterna:
(1) Natanael (1:50);
(2) os discípulos (2:11);
(3) os samaritanos (4:39);
(4) o oficial do rei (4:50);
(5) o cego que foi curado (9:38);
(6) Marta (11:27);
(7) os judeus que viram Lázaro ressuscitar (12:11); e
(8) Tomé (20:28). Todos eles deram o mesmo testemunho: "Eu creio".
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