Romanos 1
1Paulo, um servo de Jesus Cristo, um apóstolo chamado, tendo sido separado para as boas novas de Deus,1 2 (que Ele anunciou antes através de Seus profetas em escritos santos,)2 3 acerca de Seu Filho, (que veio da semente de Davi segundo a carne,3 4 que é marcado como Filho de Deus em poder,4 segundo o Espírito de santidade,5 pelo levantar novamente dentre os mortos,)6 Jesus Cristo nosso Senhor;
5 através de quem recebemos graça e apostolado, para obediência de fé entre todas as nações, em favor de seu nome;7 6 entre os quais sois vós também os chamados de Jesus Cristo;8 7 a todos os que estão em Roma, amados de Deus, santos chamados:9 Graça a vós, e paz, de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo!10
8 Primeiro, de fato, agradeço a meu Deus através de Jesus Cristo por vós todos, porque vossa fé é proclamada em todo o mundo;11 9 pois Deus é minha testemunha, a quem sirvo em meu espírito nas boas novas de Seu Filho, quão incessantemente faço menção de vós,12 10 sempre em minhas orações suplicando, se por algum meio agora, por fim, eu tiver uma jornada próspera, pela vontade de Deus, para vir a vós;13 11 pois anseio ver-vos, para que possa comunicar-vos algum dom espiritual, para que sejais estabelecidos;14 12 e isto é, que eu possa ser confortado juntamente entre vós, através da fé em uns nos outros, tanto vossa como minha.15
13 Mas não desejo que sejais ignorantes, irmãos, de que muitas vezes propus-me vir a vós, (e fui impedido até o presente tempo,) para que algum fruto eu pudesse ter também entre vós, assim como também entre as outras nações.16 14 Tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a não inteligentes, sou devedor;17 15 assim, quanto está em mim, estou pronto a proclamar as boas novas também a vós que estais em Roma,18
16 pois não me envergonho das boas novas de Cristo, pois elas são o poder de Deus para salvação a todo aquele que está crendo, tanto ao judeu primeiro como ao grego.19 17 Pois a justiça de Deus nelas é revelada de fé para fé,20 segundo está escrito: “Mas o justo pela fé viverá”;21
18 pois revelada é a ira de Deus do céu sobre toda impiedade e injustiça dos homens, retendo a verdade em injustiça.22 19 Porque aquilo que é conhecido de Deus é manifesto entre eles, pois Deus o manifestou a eles,23 20 pois as coisas invisíveis dEle, desde a criação do mundo, sendo entendidas pelas coisas feitas, são claramente vistas, tanto Seu poder eterno como Divindade — para serem eles indesculpáveis;24
21 porque, tendo conhecido Deus, não O glorificaram como Deus, nem deram graças, mas foram feitos vãos em seus raciocínios, e seu coração tolo foi escurecido,25 22 professando-se sábios26 23 foram feitos tolos, e mudaram a glória do Deus incorruptível para a semelhança de uma imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.27
24 Por isso também Deus os entregou, nos desejos de seus corações, à impureza, para desonrarem seus corpos entre si mesmos: 28 25 os quais mudaram a verdade de Deus para falsidade, e honraram e serviram a criatura mais do que o Criador, que é bendito para as eras. Amém.29
26 Por causa disto, Deus os entregou a afeições desonrosas, pois até suas fêmeas mudaram o uso natural para aquele contra a natureza; 30 27 e, de semelhante maneira, também os machos, tendo deixado o uso natural da fêmea, arderam em suas concupiscências uns para com os outros; machos com machos operando vergonha, e a recompensa de seu erro, a qual era apropriada, em si mesmos recebendo.31
28 E, conforme não acharam bom ter Deus por conhecimento, Deus os entregou a uma mente desaprovada para fazer as coisas não convenientes: 32 29 tendo sido enchidos de toda injustiça, prostituição, maldade, cobiça, malícia; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, más disposições: sussurradores, 33 30 faladores de mal, odiadores de Deus, desdenhosos, orgulhosos, jactanciosos, inventores de coisas más, desobedientes aos pais, 34 31 tolos, infiéis, sem afeição natural, implacáveis, sem misericórdia; 35 32 os quais, o justo julgamento de Deus tendo conhecido, (que os que estão praticando tais coisas são dignos de morte,) não somente as fazem, mas também têm deleite com aqueles que estão praticando-as.36
Nota — “Um servo de Jesus Cristo, um apóstolo chamado, tendo sido separado para as boas novas de Deus”
1. YLT 1863. Young abre Romanos com a servant of Jesus Christ, a called apostle, having been separated to the good news of God. “Servo” segue servant; “apóstolo chamado” conserva a ordem marcada de a called apostle; e “tendo sido separado” mantém a construção participial.
2. Controle. O Texto Recebido apresenta Ἰησοῦ Χριστοῦ, correspondente à ordem “Jesus Cristo”. No Critical Companion, Young glosa servant como bondman, confirma a called apostle e explica a separação por marked out. Decisão. Essas glosas esclarecem a análise de Young, mas não substituem as palavras impressas em 1863: mantemos “servo”, “apóstolo chamado” e “separado”. “Boas novas” permanece a equivalência da TLY para good news.
3. Comentário de Young. No Concise Commentary, Young explica “Paulo” como “o pequeno”; glosa servant por bondsman, isto é, alguém “ligado” a fazer algo; entende “Jesus Cristo” como “Salvador ungido”; esclarece a called apostle como alguém não enviado por si mesmo; explica “separado” por “inteiramente marcado”; e gospel por “boas novas de Deus”. Young divide ainda Romanos 1 em quatro partes: vv. 1–7, saudação de Paulo; vv. 8–12, ação de graças e orações; vv. 13–18, desejo de vê-los e proclamar a justiça de Deus nas boas novas; vv. 19–32, a vileza indesculpável dos gentios.
4. Nota expandida. A própria introdução de 1863 declara que Young buscava uniformidade na representação das palavras e frases originais. Na edição revisada de 1982 da Analytical Concordance, usamos somente o núcleo concordancial atribuído a Young — não a introdução de Donald Guthrie nem o Universal Subject Guide, que são acréscimos posteriores. Nesse núcleo, εὐαγγέλιον aparece sob Gospel como “good news, tidings, word”. Isso reforça a política da TLY de conservar “boas novas” como correspondência estável para a escolha lexical de Young.
Nota — “Que Ele anunciou antes através de Seus profetas em escritos santos”
1. YLT 1863. A redação é which He announced before through His prophets in holy writings. “Anunciou antes”, “através de Seus profetas” e “em escritos santos” conservam separadamente os elementos da formulação de Young.
2. Controle. O grego apresenta προεπηγγείλατο. No Critical Companion, Young registra para a expressão tradicional afore a glosa literal beforehand e mantém through his prophets in holy writings. Decisão. Seguimos, porém, a redação efetiva de 1863, announced before: “anunciou antes”. Não a substituímos por “prometeu anteriormente”, nem lexicalizamos holy writings como “Sagradas Escrituras”.
3. Comentário de Young. Young comenta que a expressão tradicional “prometido” corresponde literalmente a “aquilo que Ele mesmo disse de antemão (ou publicamente) através de Seus profetas em escritos santos”; para “santos”, acrescenta a glosa etimológica “não da terra”.
4. Nota expandida. A expressão holy writings é deliberadamente menos lexicalizada que a fórmula tradicional “Sagradas Escrituras”. Como a TLY traduz Young, não uma tradição portuguesa preexistente, “escritos santos” mantém visível a composição inglesa de 1863. A preferência de Young por aderir ao texto recebido e separar tradução de crítica textual, explicitada em seus prefácios, recomenda não substituir essa forma por uma expressão eclesiasticamente estabilizada.
Nota — “Que veio da semente de Davi segundo a carne”
1. YLT 1863. Young imprime who is come out of the seed of David according to the flesh. “Veio da semente de Davi” preserva essa formulação sem introduzir “nascido”; “segundo a carne” conserva diretamente according to the flesh.
2. Controle. No Critical Companion, Young registra who came e identifica was born como a leitura da Revisão inglesa de 1881. A edição de 1898 passa a imprimir who is come of the seed of David. Decisão. A TLY permanece ancorada em 1863: “veio da semente de Davi”, sem incorporar nem “nascido” nem a pequena suavização posterior de out of para of.
3. Comentário de Young. Para “acerca de Seu Filho”, Young admite também “em favor de Seu Filho” e conserva a formulação “que veio da semente de Davi, segundo [Sua] carne”; acrescenta que “carne” se refere à natureza humana.
4. Nota expandida. O contraste documentado por Young entre came e o was born da Revisão inglesa é relevante para a TLY: a primeira formulação não reduz o particípio a um evento de nascimento. A opção portuguesa “veio” conserva essa abertura sem tentar produzir uma tradução independente de γίνομαι.
Nota — “Marcado como Filho de Deus em poder”
1. YLT 1863. Young lê who is marked out Son of God in power. “Marcado como” acrescenta apenas o apoio sintático necessário ao português; “em poder” conserva in power.
2. Controle. O grego apresenta ὁρισθέντος υἱοῦ θεοῦ ἐν δυνάμει. No Critical Companion, Young volta a explicar ὁρισθέντος por marked out. Decisão. Mantemos “marcado”, em vez de normalizar para “declarado”, “designado” ou “constituído”; e preservamos “em poder”, sem convertê-lo em “poderosamente”.
3. Comentário de Young. Young glosa a expressão por “que é marcado como Filho de Deus em poder”, acrescentando que “em poder” pode ser entendido adverbialmente como “poderosamente”.
4. Nota expandida. A forma “marcado” deve ser lida como uma marca própria da política tradutória de Young. Mesmo quando léxicos ou versões posteriores preferem “designado”, “declarado” ou “constituído”, a TLY não corrige marked out por uma equivalência moderna considerada mais elegante; a nota registra a alternativa, mas o corpo permanece dependente da YLT.
Nota — “Segundo o Espírito de santidade”
1. YLT 1863. A primeira edição traz according to the Spirit of holiness. “Segundo o Espírito de santidade” segue essa redação, inclusive a capitalização de Spirit.
2. Controle. O grego apresenta πνεῦμα ἁγιωσύνης. No Critical Companion, Young registra holiness, or sanctification; a edição revisada de 1898 passa a imprimir Spirit of sanctification. Decisão. Como o texto-fonte imediato é a YLT 1863, mantemos “santidade”. “Santificação” documenta uma revisão posterior e não deve ser retroprojetada no corpo da TLY.
3. Comentário de Young. No mesmo comentário, Young conserva “segundo [Seu] espírito de santidade”. A glosa não resolve de modo independente a identidade de “espírito”, mas acompanha de perto a forma da tradução.
4. Nota expandida. A mudança de holiness (1863) para sanctification (1898) é um testemunho editorial especialmente útil: mostra uma revisão real dentro da própria tradição de Young. A TLY toma 1863 como base e trata a forma posterior apenas como evidência de que Young reconhecia outra maneira de representar ἁγιωσύνη.
Nota — “Pelo levantar novamente dentre os mortos”
1. YLT 1863. Young escreve by the rising again from the dead. “Levantar novamente” preserva a imagem verbal de rising again, em vez de substituí-la pelo termo teológico mais lexicalizado “ressurreição”.
2. Controle. O grego apresenta ἐξ ἀναστάσεως νεκρῶν. No Critical Companion, Young explicita de forma ainda mais literal out of an upstanding of the dead. Decisão. Mantemos “pelo levantar novamente dentre os mortos”: a nota registra a análise mais estrita de Young, mas a TLY traduz sua redação de 1863, não a glosa de 1881.
3. Comentário de Young. Young explica a preposição de modo mais estrito como “a partir de” e representa ἀνάστασις pela expressão concreta “um levantar-se dos mortos” (an up-standing from the dead).
4. Nota expandida. A glosa up-standing mostra a tendência de Young de desmontar termos teológicos cristalizados e recuperar sua imagem verbal. Por isso “levantar novamente” é mantido no corpo, ainda que “ressurreição” seja muito mais natural em português: a estranheza aqui pertence ao projeto tradutório de Young, não ao inglês acidental.
Nota — “Recebemos graça e apostolado, para obediência de fé entre todas as nações”
1. YLT 1863. Young escreve through whom we received grace and apostleship, for obedience of faith among all the nations, in behalf of his name. “Através de quem”, “recebemos”, “graça e apostolado” e “entre todas as nações” conservam a sequência da YLT.
2. Controle. O grego apresenta δι’ οὗ ἐλάβομεν χάριν καὶ ἀποστολὴν εἰς ὑπακοὴν πίστεως ἐν πᾶσιν τοῖς ἔθνεσιν ὑπὲρ τοῦ ὀνόματος αὐτοῦ. No Critical Companion, Young torna εἰς mais explícito por with a view to, glosa a obediência como a submissive hearkening of faith e admite in ou among para a relação com as nações. Decisão. A TLY conserva a redação efetiva de 1863: “para obediência de fé”, sem resolver o genitivo; “nações”, não “gentios”; e “em favor de seu nome” para in behalf of his name.
3. Comentário de Young. Young comenta: “através de quem recebemos graça” — entendendo “graça” como aquilo que causa “salto de alegria” — “e apostolado, com vistas a uma obediência de fé”, que ele ainda explica como “obediência firme”, literalmente “escutar submissivamente”, “em ou entre todas as nações”.
4. Nota expandida. No núcleo concordancial de Young preservado na edição ampliada de 1982, πίστις é apresentado sob Faith com a faixa “faith, faithfulness, steadfastness”. Essa amplitude ajuda a entender por que o Concise Commentary pode falar em “obediência firme” sem que a YLT abandone faith. A TLY conserva “fé” e deixa a relação do genitivo sem resolução.
Nota — “Entre os quais sois vós também os chamados de Jesus Cristo”
1. YLT 1863. A redação é among whom are ye also the called of Jesus Christ. “Sois vós” preserva a segunda pessoa do plural; “também” permanece junto ao pronome; e “os chamados de Jesus Cristo” representa diretamente the called of Jesus Christ.
2. Controle. O grego apresenta ἐν οἷς ἐστε καὶ ὑμεῖς κλητοὶ Ἰησοῦ Χριστοῦ. No Critical Companion, Young conserva the called of, enquanto registra called to be Jesus Christ’s como leitura da Revisão inglesa. Decisão. Não resolvemos o genitivo como “chamados por Jesus Cristo” ou “pertencentes a Jesus Cristo”. A TLY segue a formulação deliberadamente compacta de 1863.
3. Comentário de Young. Young glosa diretamente a expressão como “chamados [uns] de Jesus Cristo” (called [ones] of Jesus Christ), preservando a construção nominal sem explicá-la por uma paráfrase possessiva ou causal.
4. Nota expandida. O genitivo em “os chamados de Jesus Cristo” admite mais de uma relação semântica possível. Como Young não a resolve no corpo de 1863, a TLY também não escolhe entre origem, pertencimento ou agente. A função da nota expandida é tornar a ambiguidade visível, não eliminá-la.
Nota — “Amados de Deus, santos chamados”
1. YLT 1863. Young dirige a carta to all who are in Rome, beloved of God, called saints. “Amados de Deus” conserva beloved of God; “santos chamados” mantém os dois elementos de called saints sem introduzir uma locução verbal.
2. Controle. O grego apresenta πᾶσιν τοῖς οὖσιν ἐν Ῥώμῃ ἀγαπητοῖς θεοῦ, κλητοῖς ἁγίοις. No Critical Companion, Young manda omitir o tradicional to be. Decisão. Não traduzimos “chamados para serem santos”, pois isso insere uma relação verbal que Young deliberadamente não imprimiu. “Santos chamados” preserva a compactação da YLT, ainda que seja menos idiomática em português.
3. Comentário de Young. Young reexpressa o endereço como “aos amados de Deus, aos chamados santos” (to the beloved of God, to the called holy ones), reforçando que “santos” funciona como designação dos chamados, não como finalidade acrescentada por “para serem”.
4. Nota expandida. A ausência de “para serem” é editorialmente significativa. Young combate justamente esse tipo de palavra suprida quando entende que ela altera a forma do original. “Santos chamados” soa marcado em português, mas preserva o caráter nominal e compacto de called saints.
Nota — “Graça a vós, e paz, de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo”
1. YLT 1863. A saudação é Grace to you, and peace, from God our Father, and the Lord Jesus Christ!. “Graça a vós” conserva o plural explícito; a coordenação e a exclamação final seguem Young.
2. Controle. Em 1863 há apenas um from: from God our Father, and the Lord Jesus Christ. A edição de 1898 passa a imprimir from God our Father, and from the Lord Jesus Christ. Decisão. O “do” diante de “Senhor Jesus Cristo” é exigido pela regência portuguesa na coordenação e não representa adoção da revisão de 1898.
3. Comentário de Young. Young explica “paz” como aquilo que “traz à unidade” e glosa “nosso Pai” literalmente como “Pai de nós, e de nosso Senhor Jesus Cristo”.
4. Nota expandida. A adição de um segundo from em 1898 torna a coordenação inglesa mais explícita, mas pertence à revisão posterior. Na TLY, a repetição portuguesa da preposição decorre apenas da regência de “de”, não de uma retroversão da redação de 1898.
Nota — “Primeiro, de fato, agradeço a meu Deus… porque vossa fé é proclamada em todo o mundo”
1. YLT 1863. Young escreve First, indeed, I thank my God through Jesus Christ for you all, that your faith is proclaimed in the whole world. “Primeiro, de fato” conserva First, indeed; “por vós todos” mantém for you all; e “porque vossa fé é proclamada” verte that segundo sua função causal no período.
2. Controle. O grego apresenta Πρῶτον μὲν εὐχαριστῶ τῷ θεῷ μου διὰ Ἰησοῦ Χριστοῦ περὶ πάντων ὑμῶν ὅτι ἡ πίστις ὑμῶν καταγγέλλεται ἐν ὅλῳ τῷ κόσμῳ. No Critical Companion, Young indica First (add indeed); registra proclaimed como leitura da Revisão inglesa e dá como glosa literal fully announced. A YLT 1863, porém, já imprimia proclaimed. Decisão. Mantemos “Primeiro, de fato” e “proclamada”; “porque” evita importar para o português o anglicismo sintático de that.
3. Comentário de Young. Young glosa “agradeço” de maneira etimologizante como “salto muito de alegria diante de Deus” e admite para πίστις tanto “fé” quanto “firmeza”: “que a fé ou firmeza de vós é [proclamada]”.
4. Nota expandida. A Analytical Concordance, em seu núcleo lexical atribuído a Young, inclui para πίστις não apenas “faith”, mas também “faithfulness” e “steadfastness”. Isso explica a glosa “fé ou firmeza” no comentário de Young. A TLY, todavia, traduz o substantivo que ele efetivamente imprimiu em 1863: “fé”.
Nota — “Deus é minha testemunha, a quem sirvo em meu espírito nas boas novas de Seu Filho”
1. YLT 1863. A redação é for God is my witness, whom I serve in my spirit in the good news of His Son, how unceasingly I make mention of you. “Sirvo em meu espírito” mantém serve in my spirit; “quão incessantemente faço menção” conserva a construção enfática.
2. Controle. O grego traz ᾧ λατρεύω ἐν τῷ πνεύματί μου ἐν τῷ εὐαγγελίῳ τοῦ υἱοῦ αὐτοῦ. No Critical Companion, Young sugere explicitar serve com publicly e glosa gospel por good tidings. Decisão. Essas observações não substituem o corpo de 1863: mantemos “sirvo” e “boas novas de Seu Filho”, sem acrescentar “publicamente”.
3. Comentário de Young. Young explica a relação com Deus por “a quem, ou com quem, vou muito tremulamente em meu espírito” e representa a lembrança por “fazer memória”. Sua glosa procura tornar visível a força cultual do verbo que a YLT traduz simplesmente por serve.
4. Nota expandida. Algumas glosas de Young no Concise Commentary são fortemente etimologizantes. Elas são valiosas para reconstruir como ele pensava a palavra, mas não devem ser tratadas como definições lexicográficas modernas. Por isso a nota registra a dimensão cultual sugerida por Young sem introduzir “publicamente”, “cultualmente” ou outra expansão no corpo da TLY.
Nota — “Sempre em minhas orações suplicando… se por algum meio agora, por fim, eu tiver uma jornada próspera”
1. YLT 1863. Young continua a frase com always in my prayers beseeching, if by any means now at length I shall have a prosperous journey, by the will of God, to come to you. “Sempre em minhas orações suplicando”, “agora, por fim” e “jornada próspera” preservam os elementos distintivos da YLT.
2. Controle. O grego apresenta πάντοτε ἐπὶ τῶν προσευχῶν μου δεόμενος εἴ πως ἤδη ποτὲ εὐοδωθήσομαι ἐν τῷ θελήματι τοῦ θεοῦ ἐλθεῖν πρὸς ὑμᾶς. No Critical Companion, Young dá a forma mais literal I shall be prospered, ao passo que a YLT 1863 imprime I shall have a prosperous journey. Decisão. Traduzimos a redação de 1863 por “se... eu tiver uma jornada próspera”: o futuro do subjuntivo é o equivalente português natural para a referência futura sob condição e evita um calque sintático do inglês.
3. Comentário de Young. Para “suplicando”, Young oferece as alternativas “rogando” ou “desejando”. O comentário é deliberadamente breve e não substitui a formulação mais ampla da YLT 1863 sobre a jornada próspera.
4. Nota expandida. Aqui a adaptação ao português não é uma suavização semântica, mas uma exigência da gramática de chegada. O futuro inglês sob if não pode ser reproduzido mecanicamente por “se... hei de ter” sem produzir um anglicismo. O futuro do subjuntivo “se... eu tiver” mantém a referência temporal de Young.
Nota — “Para que possa comunicar-vos algum dom espiritual, para que sejais estabelecidos”
1. YLT 1863. Young lê for I long to see you, that I may impart to you some spiritual gift, that ye may be established. “Anseio ver-vos” conserva long to see you; a repetição “para que... para que” preserva os dois movimentos da frase; e “sejais estabelecidos” representa ye may be established.
2. Controle. O grego apresenta ἐπιποθῶ γὰρ ἰδεῖν ὑμᾶς, ἵνα τι μεταδῶ χάρισμα ὑμῖν πνευματικὸν εἰς τὸ στηριχθῆναι ὑμᾶς. No Critical Companion, Young glosa impart como give a share to you, χάρισμα como spiritual grant e a finalidade como with a view to your being established. Decisão. Mantemos a redação de 1863: “comunicar-vos algum dom espiritual” e “sejais estabelecidos”, sem substituir “dom” por “graça/concessão” nem “estabelecidos” por uma interpretação como “fortalecidos”.
3. Comentário de Young. Young glosa “comunicar” por “dar-vos uma porção de alguma graça espiritual” e “ser estabelecidos” por “ser confirmados”. A nota mostra que sua escolha impart procura conservar a ideia de compartilhar algo com os destinatários.
4. Nota expandida. A proximidade lexical entre χάρισμα e χάρις explica por que Young fala em “graça” ao comentar gift. Entretanto, sua tradução de 1863 escolhe gift, e é essa forma que governa a TLY. A nota expandida registra a rede lexical sem fundir “dom” e “graça” no texto.
Nota — “E isto é… confortado juntamente entre vós, através da fé em uns nos outros”
1. YLT 1863. A frase é and that is, that I may be comforted together among you, through the faith in each other, both yours and mine. “E isto é”, “confortado juntamente” e “tanto vossa como minha” preservam a construção incomum de Young.
2. Controle. O grego apresenta τοῦτο δέ ἐστιν συμπαρακληθῆναι ἐν ὑμῖν διὰ τῆς ἐν ἀλλήλοις πίστεως ὑμῶν τε καὶ ἐμοῦ. O Critical Companion conserva a formulação to be comforted together among you through the faith in one another, both yours and mine. Decisão. Mantemos “fé em uns nos outros”, em vez de resolver a reciprocidade por “fé mútua”; a estranheza pertence à formulação escolhida por Young e deve permanecer visível.
3. Comentário de Young. Young oferece para “confortado juntamente” a alternativa “exortado juntamente entre vós” (exhorted together among you), preservando em ambos os casos o elemento de reciprocidade do composto verbal.
4. Nota expandida. O elemento de reciprocidade já está marcado por comforted together e por in each other. Traduzir simplesmente “fé mútua” tornaria o português mais fluente, mas condensaria duas marcas formais que Young manteve separadas. A TLY prefere conservar a duplicação estrutural.
Nota — “Muitas vezes propus-me vir a vós… para que algum fruto eu pudesse ter também entre vós”
1. YLT 1863. Young escreve But I do not wish you to be ignorant, brethren, that many times I purposed to come to you, (and was hindered till the present time,) that some fruit I might have also among you, even as also among the other nations. A TLY conserva “não desejo que sejais ignorantes”, “propus-me” e os parênteses de 1863.
2. Controle. O grego apresenta οὐ θέλω δὲ ὑμᾶς ἀγνοεῖν, ἀδελφοί, ὅτι πολλάκις προεθέμην ἐλθεῖν πρὸς ὑμᾶς, καὶ ἐκωλύθην ἄχρι τοῦ δεῦρο, ἵνα τινὰ καρπὸν σχῶ καὶ ἐν ὑμῖν καθὼς καὶ ἐν τοῖς λοιποῖς ἔθνεσιν. No Critical Companion, Young registra proposed como forma mais estrita e explicita in order that. Decisão. O corpo da TLY segue purposed de 1863 por “propus-me”, conserva “algum fruto” e mantém “outras nações”, sem normalização para “outros gentios”.
3. Comentário de Young. Young glosa “propus-me” por “pus-me adiante” ou “pus-me publicamente”, e conserva no mesmo movimento “fui impedido” e “as outras nações”. Sua explicação procura tornar transparente a formação verbal que está por trás de purposed.
4. Nota expandida. “Fruto” permanece metafórico e indefinido porque Young imprime some fruit. A nota não identifica esse fruto com conversões, êxito missionário ou edificação, embora essas leituras sejam possíveis no contexto; fazê-lo dentro da tradução resolveria uma imagem que Young deixou aberta.
Nota — “Tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a não inteligentes, sou devedor”
1. YLT 1863. A redação é Both to Greeks and to barbarians, both to wise and to unintelligent, I am a debtor. A repetição “tanto... como..., tanto... como...” conserva os dois pares coordenados; “sou devedor” mantém a predicação nominal.
2. Controle. O grego apresenta Ἕλλησίν τε καὶ βαρβάροις, σοφοῖς τε καὶ ἀνοήτοις ὀφειλέτης εἰμί. No Concise Commentary, Young glosa “gregos” como Hellenes e admite, no segundo par, wise or skilful e thoughtless. A edição de 1898 efetivamente passa a imprimir foreigners e thoughtless. Decisão. A TLY conserva “bárbaros” e “não inteligentes”, porque são as escolhas de 1863; as alternativas posteriores pertencem ao aparato e não ao corpo da tradução.
3. Comentário de Young. Young explica “gregos” por “helenos”; para o segundo par oferece “sábios ou hábeis” e “irrefletidos” (thoughtless ones). Essas glosas documentam alternativas lexicais de Young sem substituir o texto efetivamente impresso em 1863.
4. Nota expandida. A passagem de barbarians (1863) para foreigners (1898) mostra uma revisão lexical consciente. Essa diferença é precisamente o tipo de dado que a TLY deve conservar documentalmente: “bárbaros” pertence à edição-base; “estrangeiros” pertence à história posterior da YLT.
Nota — “Assim, quanto está em mim, estou pronto a proclamar as boas novas também a vós que estais em Roma”
1. YLT 1863. Young imprime so, as much as in me is, I am ready also to you who are in Rome to proclaim the good news. “Assim” conserva so; “quanto está em mim” preserva a expressão peculiar as much as in me is; e “também a vós que estais em Roma” mantém o alcance de also to you who are in Rome com ordem ajustada ao português.
2. Controle. O grego apresenta οὕτως τὸ κατ’ ἐμὲ πρόθυμον καὶ ὑμῖν τοῖς ἐν Ῥώμῃ εὐαγγελίσασθαι. No Concise Commentary, Young explica a construção como the forward mind is in me myself to tell the good-news; no Critical Companion, como there is a readiness in me to announce good tidings. Decisão. Essas glosas esclarecem a sintaxe, mas a TLY conserva o inglês efetivamente impresso em 1863: “quanto está em mim” e “proclamar as boas novas”.
3. Comentário de Young. Young parafraseia a construção difícil como “a mente disposta está em mim mesmo para dizer as boas novas”. A glosa mostra que as much as in me is, I am ready representa para ele uma disposição interior efetiva para anunciar.
4. Nota expandida. O grego apresenta uma construção nominal de prontidão, enquanto a YLT a expande em inglês com I am ready. A TLY não volta diretamente ao grego para reconstruir uma frase nominal portuguesa; ela traduz a solução de Young e preserva sua expressão peculiar “quanto está em mim”.
Nota — “Não me envergonho das boas novas de Cristo… a todo aquele que está crendo”
1. YLT 1863. Young escreve for I am not ashamed of the good news of Christ, for it is the power of God for salvation to every one who is believing, both to Jew first, and to Greek. “Boas novas”, “de Cristo” e “está crendo” preservam escolhas explícitas da YLT 1863.
2. Controle. O Texto Recebido apresenta τὸ εὐαγγέλιον τοῦ Χριστοῦ, correspondente a the good news of Christ. No Critical Companion, Young registra que a Revisão inglesa omite “of Christ”; também nota que δύναμις é literalmente a power e que “believeth” corresponde a is believing. A edição de 1898 conserva a expressão, agora como the good news of the Christ. Decisão. Mantemos “de Cristo”, “o poder de Deus” e “está crendo”, porque traduzimos a redação efetiva de 1863; as observações mais literais de 1881 permanecem no aparato, não substituem o texto-fonte.
3. Comentário de Young. Young glosa “de Cristo” por “do Cristo”; observa que o evangelho “é um poder” e descreve os destinatários como “todos os que estão crendo ou permanecendo firmes”; para a ordem final, usa “ao judeu em primeiro lugar e ao heleno”.
4. Nota expandida. O núcleo concordancial de Young registra εὐαγγέλιον sob Gospel como “good news, tidings, word”, corroborando o emprego consistente de “boas novas”. O dado textual “de Cristo” pertence à tradição recebida refletida por Young; a Revisão inglesa de 1881 o omite, mas a YLT de 1863 o possui e a de 1898 ainda o conserva como of the Christ.
Nota — “A justiça de Deus nelas é revelada de fé para fé”
1. YLT 1863. A redação é For the righteousness of God in it is revealed from faith to faith. “Nelas é revelada” conserva a colocação marcada de in it; o plural português concorda necessariamente com “boas novas”, a equivalência lexical estável da TLY para good news; “de fé para fé” representa diretamente from faith to faith.
2. Controle. O grego apresenta δικαιοσύνη γὰρ θεοῦ ἐν αὐτῷ ἀποκαλύπτεται ἐκ πίστεως εἰς πίστιν. No Critical Companion, Young glosa a construção por in it is uncovered a righteousness of God out of faith to faith. Decisão. A TLY preserva “a justiça de Deus” e “de fé para fé”, sem resolver a fórmula por paráfrases teológicas como “pela fé do princípio ao fim” ou “de uma fé para outra”. “Nelas” não corrige Young: é apenas a concordância gramatical exigida pela solução portuguesa plural “boas novas”.
3. Comentário de Young. Young torna a frase ainda mais literal: “uma justiça de Deus é descoberta a partir de, ou por, fé”. Sua glosa conserva as duas possibilidades para ἐκ πίστεως e evita transformar a expressão “de fé para fé” numa paráfrase teológica.
4. Nota expandida. A Analytical Concordance associa πίστις a “faith, faithfulness, steadfastness”. A amplitude lexical é relevante para from faith to faith, mas não autoriza a TLY a escolher uma paráfrase interpretativa. “De fé para fé” conserva a forma que Young julgou adequada para manter a sequência ἐκ...εἰς.
Nota — “Mas o justo pela fé viverá”
1. YLT 1863. Young cita: But the righteous one by faith shall live. “Mas” conserva But; “o justo” representa the righteous one; e “pela fé viverá” mantém a sequência da YLT.
2. Controle. Romanos apresenta ὁ δὲ δίκαιος ἐκ πίστεως ζήσεται, em citação de Habacuque 2.4. No Concise Commentary, Young explicita the just (righteous or right one) out of or by faith (or stedfastness) shall live. Decisão. Seguimos a redação efetivamente impressa em 1863, “pela fé”, sem decidir dentro da tradução se ἐκ πίστεως se liga primariamente a “justo” ou a “viverá”.
3. Comentário de Young. Na citação de Habacuque 2.4, Young explica “o justo” também como “o reto”; para “pela fé” admite “a partir da fé”, “pela fé” ou mesmo “firmeza”; e conserva o futuro “viverá”.
4. Nota expandida. Na mesma Concordância, Habacuque 2.4 aparece sob a família de “faith” com a ideia de “faithfulness/stability”, enquanto o grego do NT é agrupado sob πίστις, também com “steadfastness” entre seus valores. Isso ajuda a explicar a glosa de Young “faith (or stedfastness)” sem exigir que “fé” seja substituída no corpo.
Nota — “Revelada é a ira de Deus… retendo a verdade em injustiça”
1. YLT 1863. Young escreve for revealed is the wrath of God from heaven upon all ungodliness, and unrighteousness of men, holding down the truth in unrighteousness. “Revelada é” preserva a ordem marcada; “do céu” verte from heaven; e a repetição “injustiça... em injustiça” mantém a correspondência lexical.
2. Controle. O grego apresenta Ἀποκαλύπτεται γὰρ ὀργὴ θεοῦ ἀπ’ οὐρανοῦ ἐπὶ πᾶσαν ἀσέβειαν καὶ ἀδικίαν ἀνθρώπων τῶν τὴν ἀλήθειαν ἐν ἀδικίᾳ κατεχόντων. No Critical Companion, Young registra anger para ὀργή, impiety como alternativa para ἀσέβεια e hold down, or fast para κατέχω. Decisão. A TLY não substitui por essas glosas a redação de 1863: conserva “ira”, “impiedade” como equivalente português de ungodliness e “retendo a verdade”, sem resolver holding down pela interpretação mais explicativa “suprimindo”.
3. Comentário de Young. Young glosa: “ira de Deus é descoberta... sobre toda ou cada irreverência e injustiça dos homens, que estão retendo a verdade em ou por injustiça”. Ele oferece “irreverência” para ungodliness e mantém a imagem de “reter” a verdade.
4. Nota expandida. Há um paralelismo formal importante com o v. 17: a mesma ideia verbal de “revelar” estrutura primeiro a justiça e depois a ira. Preservar “revelada é” mantém na TLY a ligação que Young deixa audível entre os dois versículos, em vez de variar o verbo por elegância estilística.
Nota — “Aquilo que é conhecido de Deus é manifesto entre eles”
1. YLT 1863. A redação é Because that which is known of God is manifest among them, for God manifested it to them. “Aquilo que é conhecido de Deus”, “entre eles” e “manifesto... manifestou” preservam as escolhas e a repetição da YLT.
2. Controle. O grego apresenta διότι τὸ γνωστὸν τοῦ θεοῦ φανερόν ἐστιν ἐν αὐτοῖς· ὁ θεὸς γὰρ αὐτοῖς ἐφανέρωσεν. No Critical Companion, Young registra para ἐν αὐτοῖς as possibilidades in, or among; a YLT 1863 escolhe among them. Decisão. Mantemos “entre eles”, sem corrigir Young para “neles”, e conservamos “conhecido de Deus” sem resolver no corpo da tradução o alcance do genitivo τοῦ θεοῦ.
3. Comentário de Young. Young resume a construção como: “é conhecido... aparente entre eles... [Deus] o tornou aparente a eles”. A glosa confirma tanto “entre eles” quanto a repetição entre “manifesto” e “manifestou”.
4. Nota expandida. Young reconhece explicitamente a possibilidade “in, or among” para ἐν αὐτοῖς, mas em 1863 escolhe among them. A TLY registra a alternativa apenas no aparato. Trocar “entre eles” por “neles” transformaria uma possibilidade filológica em correção silenciosa da edição-base.
Nota — “Sendo entendidas pelas coisas feitas, são claramente vistas… para serem eles indesculpáveis”
1. YLT 1863. Young escreve for the invisible things of Him from the creation of the world, by the things made being understood, are plainly seen, both His eternal power and Godhead — for their being inexcusable. “Sendo entendidas pelas coisas feitas” conserva os elementos da construção, mas os dispõe de modo a deixar claro em português que “sendo entendidas” se refere às “coisas invisíveis”.
2. Controle. O grego apresenta τὰ γὰρ ἀόρατα αὐτοῦ ἀπὸ κτίσεως κόσμου τοῖς ποιήμασιν νοούμενα καθορᾶται, ἥ τε ἀΐδιος αὐτοῦ δύναμις καὶ θειότης, εἰς τὸ εἶναι αὐτοὺς ἀναπολογήτους. No Concise Commentary, Young glosa κτίσις por building or formation, ἀΐδιος por perpetual e ἀναπολόγητος por without apology; o Critical Companion registra divinity como leitura da Revisão inglesa para θειότης. Decisão. Mantemos o vocabulário efetivamente impresso em 1863: “criação”, “poder eterno”, “Divindade” para Godhead e “indesculpáveis”. A reordenação do particípio evita apenas uma falsa ligação sintática em português.
3. Comentário de Young. Young explica “criação” por “construção ou formação”; “eterno” por “perpétuo”; conserva “Divindade” (Godhead); e exprime o resultado como “com vistas a serem sem apologia”, isto é, sem defesa.
4. Nota expandida. A escolha inglesa Godhead é historicamente marcada e não deve ser nivelada automaticamente a “Deus” ou “natureza divina”. “Divindade” procura conservar o caráter nominal de Young. A nota distingue a decisão de 1863 das alternativas lexicais posteriores sem resolver no texto o alcance teológico de θειότης.
Nota — “Foram feitos vãos em seus raciocínios, e seu coração tolo foi escurecido”
1. YLT 1863. Young escreve because, having known God, they glorified Him not as God, nor gave thanks, but were made vain in their reasonings, and their foolish heart was darkened. A TLY conserva a construção participial, o passivo “foram feitos vãos” e o vocabulário “raciocínios” / “coração tolo”.
2. Controle. O grego apresenta διότι γνόντες τὸν θεὸν οὐχ ὡς θεὸν ἐδόξασαν ἢ ηὐχαρίστησαν, ἀλλ’ ἐματαιώθησαν ἐν τοῖς διαλογισμοῖς αὐτῶν καὶ ἐσκοτίσθη ἡ ἀσύνετος αὐτῶν καρδία. Young glosa ἀσύνετος de modo mais estrito como unintelligent, e a edição de 1898 passa efetivamente a imprimir unintelligent heart. Decisão. Mantemos “coração tolo”, correspondente ao foolish heart de 1863; “não inteligente” pertence ao aparato e à revisão posterior.
3. Comentário de Young. Young glosa a ação de graças de maneira etimológica como “saltaram muito de alegria”; conserva “seus raciocínios” e descreve o coração como “não inteligente”, acrescentando que ele “se tornou escuro”.
4. Nota expandida. A revisão de 1898 para unintelligent heart confirma que Young posteriormente preferiu uma correspondência mais analítica para ἀσύνετος. Esse dado é mantido no aparato justamente para impedir que a revisão posterior apague o foolish heart historicamente impresso em 1863.
Nota — “Professando-se sábios”
1. YLT 1863. No fac-símile de 1863, o v. 22 compreende somente professing themselves to be wise. “Professando-se sábios” conserva a reflexividade de themselves no pronome “-se”.
2. Controle. O grego apresenta φάσκοντες εἶναι σοφοὶ, construção participial que no texto grego continua em ἐμωράνθησαν. O ponto editorial relevante aqui, porém, é a divisão impressa por Young: o número 23 aparece antes de they were made fools. Decisão. A TLY preserva essa divisão versicular histórica e encerra o v. 22 em “professando-se sábios”.
3. Comentário de Young. Young oferece “afirmando” como alternativa a “professando” e “hábeis” como alternativa a “sábios”. No fac-símile de 1863, porém, o v. 22 termina precisamente com a profissão de sabedoria, antes de “foram feitos tolos”.
4. Nota expandida. A numeração do fac-símile de 1863 não coincide aqui com a divisão que se tornou corrente em edições posteriores: Young coloca o número 23 antes de they were made fools. A TLY reproduz a divisão material da edição-fonte, mesmo quando isso resulta em um v. 22 excepcionalmente curto.
Nota — “Foram feitos tolos, e mudaram a glória do Deus incorruptível”
1. YLT 1863. No fac-símile, o v. 23 começa em they were made fools, and changed the glory of the incorruptible God into the likeness of an image of corruptible man, and of fowls, and of quadrupeds, and of reptiles. Assim, “foram feitos tolos” pertence ao v. 23, e não ao v. 22; “mudaram”, “para a semelhança de uma imagem” e a repetição “e de...” conservam a formulação de 1863.
2. Controle. O grego nesta transição apresenta ἐμωράνθησαν καὶ ἤλλαξαν: o primeiro verbo corresponde a they were made fools, e o segundo a changed. No Concise Commentary, Young oferece exchanged como alternativa a changed, mas a YLT 1863 imprime changed. Decisão. Mantemos “foram feitos tolos, e mudaram”, exatamente dentro do v. 23 segundo a numeração impressa no original de 1863, além de preservar o contraste “Deus incorruptível / homem corruptível” e toda a enumeração.
3. Comentário de Young. Young oferece “trocaram” (exchanged) como alternativa a “mudaram” e conserva a sequência “para a semelhança de uma imagem de...”. O comentário confirma que sua análise lexical reconhecia a ideia de troca, embora a YLT 1863 imprimisse changed.
4. Nota expandida. A nota deve ser lida junto à anterior: “foram feitos tolos” abre materialmente o v. 23 em 1863. A alternativa exchanged do próprio Young mostra que ele reconhecia a força de “troca”, mas sua primeira edição escolheu changed; por isso “mudaram” continua sendo a forma da TLY.
Nota — “Deus os entregou, nos desejos de seus corações, à impureza”
1. YLT 1863. Young imprime Wherefore also God gave them up, in the desires of their hearts, to uncleanness, to dishonour their bodies among themselves. “Por isso também”, “Deus os entregou”, “nos desejos de seus corações” e “à impureza” seguem diretamente a sequência de 1863.
2. Controle. O grego recebido apresenta διὸ καὶ παρέδωκεν αὐτοὺς ὁ θεὸς ἐν ταῖς ἐπιθυμίαις τῶν καρδιῶν αὐτῶν εἰς ἀκαθαρσίαν. No Critical Companion, Young torna a construção mais analítica por “in the over-desires of their hearts” e mantém o resultado “that their bodies be dishonoured among themselves”. Decisão. A TLY traduz o inglês efetivamente impresso em 1863: “desejos”, não “concupiscências”, neste versículo; e conserva “Deus os entregou” como fórmula que reaparecerá nos vv. 26 e 28.
3. Comentário de Young. No Concise Commentary, Young glosa gave them up por “entregou-os” ou “deu-os para impureza”, explica a esfera como “em ou com os desejos plenos de seus corações” e conserva a finalidade de seus próprios corpos serem desonrados entre si.
4. Nota expandida. No núcleo concordancial atribuído a Young na edição ampliada de 1982, παραδίδωμι aparece sob a ideia de “give over”, com Rm 1.24 e 1.26 entre os exemplos; ἐπιθυμία aparece sob Lust como “desire, over desire”, incluindo Rm 1.24. Usamos aqui apenas esse núcleo lexical, não os materiais editoriais modernos da edição. O dado ajuda a explicar por que Young pôde imprimir desires em 1863 sem perder a força do termo.
Nota — “Mudaram a verdade de Deus para falsidade, e honraram e serviram a criatura”
1. YLT 1863. A redação de 1863 é who changed the truth of God into falsehood, and honoured and served the creature more than the Creator, who is blessed to the ages. Amen. “Mudaram”, “falsidade”, “honraram e serviram”, “criatura” e “Criador” preservam as correspondências de Young.
2. Controle. No Critical Companion, Young registra exchanged como leitura da Revisão inglesa para “changed”, admite “in (or with) the falsehood” e explica a dupla ação como reverência e serviço público à coisa criada. Decisão. A TLY não substitui changed de 1863 por “trocaram”, nem falsehood por “mentira”; conserva ainda “mais do que” para more than e “para as eras” para to the ages.
3. Comentário de Young. No Concise Commentary, Young oferece “trocaram” para “mudaram”, chama a falsidade de “a coisa mentirosa (isto é, ídolo)”, descreve o serviço à criatura como ir “muito tremulamente” a ela e glosa o Criador como “criador ou construtor”, “bem-falado para as eras”.
4. Nota expandida. Na parte concordancial da edição de 1982, ψεῦδος aparece como “lie, falsehood”, com Rm 1.25 entre os exemplos; a mesma obra distingue o verbo de criar e o título “Creator”. Esses dados pertencem ao núcleo lexical ligado a Young, enquanto a introdução de Guthrie e o Universal Subject Guide são posteriores. A TLY escolhe “falsidade” porque esse é o substantivo que Young imprimiu em 1863.
Nota — “Deus os entregou a afeições desonrosas”
1. YLT 1863. Young escreve Because of this, God gave them up to dishonourable affections, for even their females changed the natural use into that against nature. “Por causa disto”, “Deus os entregou”, “afeições desonrosas”, “suas fêmeas” e “contra a natureza” mantêm a formulação deliberadamente direta de 1863.
2. Controle. O Critical Companion reexpressa a abertura como “Because of this did God give them over to dishonourable passions” e conserva “females” e a troca do uso natural. A edição de 1898 acrescenta o auxiliar enfático did, mas mantém dishonourable affections. Decisão. A TLY continua com a forma simples de 1863 — “Deus os entregou” — e não importa nem passions do aparato nem o auxiliar da revisão posterior.
3. Comentário de Young. No Concise Commentary, Young resume a expressão como “entregou-os a uma afeição de desonra” e registra laconicamente que “as fêmeas trocaram” o uso natural.
4. Nota expandida. Este é o segundo membro da tríplice repetição de 1.24, 1.26 e 1.28: God gave them up. A repetição é estrutural, não mero excesso estilístico; por isso a TLY conserva a mesma fórmula portuguesa nas três ocorrências. A nota expandida evita variar para “abandonou”, “deixou” ou “entregou-os” apenas por elegância.
Nota — “Machos com machos operando vergonha, e a recompensa de seu erro”
1. YLT 1863. Young imprime the males having left the natural use of the female, burned in their lusts towards one another; males with males working shame, and the recompense of their error which was fit, in themselves receiving. A TLY mantém “machos”, “fêmea”, “concupiscências”, “operando vergonha”, “recompensa” e a ordem final participial.
2. Controle. No Critical Companion, Young oferece uma forma mais analítica: “males... burned out in their eager desire”, “working out the shame” e “the recompence which was becoming (E due)”. A edição de 1898 substitui lusts por longing. Decisão. Como o texto-base é 1863, “concupiscências” representa lusts; não retroprojetamos longing nem a leitura “devida” da Revisão inglesa.
3. Comentário de Young. No Concise Commentary, Young conserva “machos” e “fêmea”, descreve-os como ardendo intensamente em sua “lust”, à qual acrescenta a glosa etimologizante “extensão dos braços”, e mantém “machos com machos operando completamente a coisa vergonhosa”.
4. Nota expandida. A alteração de lusts para longing em 1898 é uma revisão lexical real de Young e deve permanecer visível no aparato. A glosa “extensão dos braços” do comentário é tratada como testemunho histórico do método etimologizante de Young, não como definição lexicográfica moderna; por isso ela não interfere no corpo da TLY.
Nota — “Não acharam bom ter Deus por conhecimento... uma mente desaprovada”
1. YLT 1863. A redação de 1863 é And, according as they did not think good to have God by knowledge, God gave them up to a disapproved mind to do the things not seemly. “Não acharam bom”, “ter Deus por conhecimento”, “mente desaprovada” e “coisas não convenientes” procuram conservar a construção marcada de Young.
2. Controle. No Critical Companion, Young glosa: “did not approve of having God in their full knowledge”, “a disapproved mind” e “the things not fitting”. A edição de 1898 passa a imprimir did not approve of having God in knowledge, aproximando o corpo da tradução da glosa de 1881. Decisão. A TLY mantém a formulação histórica de 1863, did not think good... by knowledge, sem importar a revisão posterior.
3. Comentário de Young. No Concise Commentary, Young explica “não acharam bom” por “pensar ou aprovar ter Deus em pleno conhecimento”; para a mente oferece “não pensante ou desaprovada” e para a conduta final, “não apta”.
4. Nota expandida. No núcleo concordancial da edição revisada de 1982, δοκιμάζω é relacionado a “make trial, proof”, ἐπίγνωσις a “full knowledge”, νοῦς a “mind” e ἀδόκιμος a “disapproved/reprobate”. Rm 1.28 aparece nas entradas correspondentes. Esses dados ajudam a reconstruir por que Young gravita em torno de “approve/full knowledge/disapproved”, mas a TLY conserva o estágio efetivamente impresso em 1863.
Nota — “Tendo sido enchidos de toda injustiça, prostituição, maldade, cobiça, malícia”
1. YLT 1863. Young inicia a lista com having been filled with all unrighteousness, whoredom, wickedness, covetousness, malice e prossegue com envy, murder, strife, deceit, evil dispositions: whisperers. A TLY conserva a acumulação e a ordem lexical da edição de 1863.
2. Controle. No Critical Companion, Young registra “having been full of all” e observa expressamente que a Revisão inglesa de 1881 omite fornication; também oferece “maliciousness or malice”, “strife”, “guile” e “evil customs” como alternativas. Decisão. A TLY mantém “prostituição” porque whoredom está no texto de Young 1863; não o eliminamos em função de uma tradição textual diversa.
3. Comentário de Young. No Concise Commentary, Young reenumera a série como “injustiça, prostituição, mal, cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, dolo, maus costumes, sussurradores”. A função da glosa é principalmente lexical, não expositiva.
4. Nota expandida. Este versículo mostra de modo particularmente claro por que a TLY não deve ser corrigida por um texto crítico moderno: o próprio Critical Companion assinala que a Revisão inglesa omitia o termo correspondente a “prostituição”, enquanto Young o conservou. A edição de 1898 ainda imprime whoredom. Assim, a presença do termo é uma característica documental da tradição seguida por Young.
Nota — “Faladores de mal, odiadores de Deus, desdenhosos, orgulhosos, jactanciosos”
1. YLT 1863. Young imprime evil-speakers, God-haters, contemptuous, proud, boasters, inventors of evil things, disobedient to parents. A TLY conserva a série substantiva/adjetival sem convertê-la em frases explicativas.
2. Controle. No Critical Companion, Young admite “Backbiters, or Slanderers”; para God-haters, registra que a Revisão inglesa prefere hateful to God; e oferece “reproachful, arrogant, vaunting”. A edição de 1898 mantém God-haters, mas altera contemptuous para insulting. Decisão. A TLY segue 1863: “odiadores de Deus” e “desdenhosos”, deixando as alternativas no aparato.
3. Comentário de Young. No Concise Commentary, Young glosa backbiters literalmente como “faladores-para-baixo”, isto é, detratores. Essa observação confirma seu interesse em tornar visível a composição das palavras, ainda que a YLT 1863 use evil-speakers.
4. Nota expandida. A expressão correspondente a God-haters é conhecida por admitir análise passiva ou ativa. Young registra a alternativa histórica da Revisão inglesa, mas não a adota nem em 1863 nem em 1898. A TLY, portanto, não resolve a questão contra seu texto-base: conserva “odiadores de Deus”.
Nota — “Tolos, infiéis, sem afeição natural, implacáveis, sem misericórdia”
1. YLT 1863. A série de 1863 é foolish, faithless, without natural affection, implacable, unmerciful. A TLY conserva cinco qualificações e evita fundi-las em categorias morais mais gerais.
2. Controle. No Critical Companion, Young oferece “Without understanding, or Unintelligent” e registra que a Revisão inglesa omite implacable. A edição de 1898 muda foolish para unintelligent, mas continua a imprimir implacable. Decisão. A TLY preserva tanto “tolos” como “implacáveis”, pois ambos pertencem à YLT 1863.
3. Comentário de Young. No Concise Commentary, Young glosa o primeiro termo por uma imagem literal de “não juntar as coisas” e, para os termos finais da série, registra formulações etimologizantes como “não derramado” e “sem bondade”. O comentário documenta sua análise lexical, mas não substitui os cinco vocábulos impressos na tradução.
4. Nota expandida. A presença de “implacáveis” é também um dado de história textual: Young sabia que a Revisão inglesa de 1881 o omitia e mesmo assim o conservou. Isso torna inadequada qualquer supressão silenciosa na TLY. Já “não inteligente” pertence à revisão lexical posterior de 1898 e permanece apenas no aparato.
Nota — “O justo julgamento de Deus tendo conhecido... têm deleite com aqueles que estão praticando-as”
1. YLT 1863. Young encerra o capítulo com who the righteous judgment of God having known, (that those who are practising such things are worthy of death,) not only do them, but also have delight with those who are practising them. A TLY conserva o particípio deslocado, os parênteses, “estão praticando” e “têm deleite com”.
2. Controle. No Critical Companion, Young torna a construção por “having known also the righteous judgment (E ordinance) of God” e conclui que eles “are also well pleased (E consent) with those practising them”. Decisão. Mantemos “justo julgamento” porque traduz righteous judgment de 1863; não o substituímos por “ordenança”. Também conservamos o aspecto progressivo de are practising.
3. Comentário de Young. No Concise Commentary, Young glosa “julgamento” por “justo julgamento”, mantém “aqueles praticando” e reexpressa o final como “também estão bem satisfeitos juntamente com aqueles que as praticam”.
4. Nota expandida. No núcleo concordancial da edição de 1982, Rm 1.32 aparece sob δικαίωμα com a glosa “judicial sentence” e sob πράσσω com a ideia de “practise/do”. Isso esclarece a rede lexical sem substituir a YLT. A distinção editorial permanece: “ordenança” é a alternativa da Revisão inglesa; “justo julgamento” é o texto de Young que governa a TLY.
Bibliografia
Young, Robert. The Holy Bible, Consisting of the Old and New Covenants; Translated according to the Letter and Idioms of the Original Languages. Edinburgh: George Adam Young & Co., 1863. ____. Concise Commentary on the Holy Bible: Being a Companion to the New Translation of the Old and New Covenants, Specially Designed for Those Teaching the Word of God. Edinburgh: G. A. Young & Co.; London: S. W. Partridge, 1865. ____. Contributions to a New Revision; or, A Critical Companion to the New Testament. Edinburgh: G. A. Young & Co., 1881. ____. The Holy Bible: Consisting of the Old and New Covenants, Translated according to the Letter and Idioms of the Original Languages. Revised edition. Edinburgh: G. A. Young, 1898. ____. Young’s Analytical Concordance to the Bible. Newly Revised and Corrected. Introduction by Donald Guthrie. Nashville: Thomas Nelson, 1982. Edição ampliada moderna; na TLY, utiliza-se apenas o núcleo concordancial atribuível a Young, não o Universal Subject Guide nem os acréscimos editoriais posteriores.
