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Hebreus 11 (YLT)

Erudito bíblico Robert Young

10Pois a lei, tendo uma sombra das boas coisas vindouras — não a própria imagem das matérias, a cada ano, pelos mesmos sacrifícios que eles oferecem continuamente, nunca é capaz de tornar perfeitos os que se aproximam,1 2 visto que, não teriam eles cessado de ser oferecidos, por causa de os que servem não terem mais consciência de pecados, tendo sido uma vez purificados?2 3 mas naqueles sacrifícios há uma lembrança de pecados a cada ano,3 4 pois é impossível ao sangue de touros e bodes tirar pecados.4 5 Por isso, vindo ao mundo, ele diz: “Sacrifício e oferta Tu não quiseste, mas um corpo tu preparaste para mim,5 6 em holocaustos, e acerca de sacrifícios pelo pecado, Tu não te deleitaste, 7 então eu disse: Eis, eu venho (no volume do livro está escrito acerca de mim) para fazer, ó Deus, tua vontade”;6 8 dizendo acima: “Sacrifício e oferta e holocaustos e acerca de oferta pelo pecado Tu não quiseste”, nem te deleitaste neles — os quais segundo a lei são oferecidos —7 9 então ele disse: “Eis, eu venho para fazer, ó Deus, Tua vontade”, ele tira o primeiro para que o segundo ele possa estabelecer;8 10 na qual vontade somos santificados por meio da oferta do corpo de Jesus Cristo uma vez;9 11 e todo sacerdote está de pé diariamente servindo, e os mesmos sacrifícios muitas vezes oferecendo, os quais nunca são capazes de tirar pecados.10 12 Mas Ele, pelo pecado, um sacrifício tendo oferecido — até o fim, sentou-se à direita de Deus,—11 13 quanto ao restante, esperando até que Ele possa colocar seus inimigos como seu escabelo,12 14 pois por uma oferta ele aperfeiçoou até o fim os santificados;13 15 mas testifica-nos também o Espírito Santo, pois depois que ele havia dito antes,14 16 “Esta é a aliança que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor, dando Minhas leis sobre seus corações, e sobre suas mentes as inscreverei, 17 e seus pecados e suas ilegalidades não mais lembrarei”;15 18 mas onde perdão destes há, não há mais oferta pelo pecado.16 19 Tendo, portanto, irmãos, ousadia para a entrada em lugares santos, no sangue de Jesus,17 20 o qual caminho ele consagrou para nós — novo e vivo, através do véu, isto é, sua carne,18 21 e com um sumo sacerdote sobre a casa de Deus,19 22 acheguemo-nos com um coração verdadeiro, em plena certeza de fé, tendo os corações aspergidos de uma consciência má, e tendo o corpo banhado com água pura;20 23 mantenhamos firme a inabalável profissão da fé, (pois fiel é Ele que prometeu),21 24 e consideremos uns aos outros para provocar ao amor e às boas obras,22 25 não abandonando o ajuntamento de nós mesmos, como é o costume de certos, mas exortando, e tanto mais quanto vedes o dia aproximando-se.23 26 Pois nós — voluntariamente pecando depois do recebimento do reconhecimento da verdade — não mais pelos pecados permanece um sacrifício,24 27 mas uma certa terrível expectação de juízo, e indignação ardente, prestes a devorar os opositores;25 28 qualquer um que pôs de lado a lei de Moisés, à parte de misericórdias, por duas ou três testemunhas, morre,26 29 de quanto mais severa punição será ele contado digno aquele que pisoteou o Filho de Deus, e o sangue da aliança contou como coisa comum, no qual ele foi santificado, e ao Espírito da graça fez afronta?27 30 pois temos conhecido Aquele que está dizendo: “Vingança é Minha, Eu recompensarei, diz o Senhor;” e novamente, “O Senhor julgará Seu povo;”—28 31 terrível é o cair nas mãos do Deus vivo.29 32 Mas chamai à vossa lembrança os dias anteriores, nos quais, tendo sido iluminados, suportastes muito conflito de sofrimentos,30 33 em parte, tanto com reprovações como com tribulações, sendo feitos espetáculos, e em parte tendo-vos tornado parceiros dos que assim viviam,31 34 pois também com minhas cadeias simpatizastes,32 e o roubo de vossos bens com alegria recebestes, sabendo que tendes em vós mesmos uma substância melhor nos céus, e uma duradoura.33 35 Não lanceis fora, então, vossa ousadia, a qual tem grande recompensa de galardão,34 36 pois de paciência tendes necessidade, para que, tendo feito a vontade de Deus, possais receber a promessa,35 37 pois ainda um bem pouco, Aquele que está vindo virá, e não tardará,36 38 mas “o justo por fé viverá”, e, “se alguém vier a recuar, Minha alma não tem prazer nele”,37 39 mas nós não somos dos que recuam para destruição, mas dos que creem para a preservação de alma.38

Nota — “Uma sombra das boas coisas vindouras — não a própria imagem das matérias”

1. YLT 1863. Young imprime the law having a shadow of the coming good things—not the very image of the matters. “Tendo uma sombra” conserva a construção participial; “boas coisas vindouras” mantém coming good things; e “matérias”, embora marcado em português, procura preservar matters sem substituir a escolha de Young pela explicitação interpretativa “realidades”. A sequência prossegue com dois marcadores temporais distintos: every year e continually, ambos conservados.

2. Controle autoral e filológico. No comentário que acompanha sua tradução, Young volta a distinguir “as boas coisas que estão para ser” da “própria imagem das matérias” e entende a sequência sacrificial como repetida “a cada ano” e prolongada em continuidade. O grego subjacente apresenta σκιά, εἰκών e πραγμάτων, além de κατ’ ἐνιαυτόν e a expressão de continuidade ligada aos mesmos sacrifícios. Decisão. Mantemos a estrutura longa de Young, inclusive “a cada ano” e “continuamente”, sem condensá-la em “sacrifícios oferecidos ano após ano”, e conservamos “os que se aproximam” para those coming near.

Nota — “Não teriam eles cessado de ser oferecidos... tendo sido uma vez purificados?”

1. YLT 1863. Young mantém a forma interrogativa e a construção deliberadamente marcada: since, would they not have ceased to be offered, because of those serving having no more conscience of sins, having once been purified? “Não teriam eles cessado de ser oferecidos” preserva a pergunta; “os que servem” segue those serving; “consciência de pecados” conserva a relação nominal de conscience of sins; e “tendo sido uma vez purificados” acompanha a posição e o valor resultativo da construção final.

2. Controle sintático e lexical. O texto grego apresenta τοὺς λατρεύοντας, referente aos que prestam o serviço cultual, seguido da ausência de consciência de pecados e de uma forma participial perfeita para a purificação já realizada. Young escolhe serving, não “worshipping”, e purified, não “cleansed”, no corpo de sua tradução. Decisão. Não substituímos “servem” por “adoradores” nem “purificados” por “limpos”; tampouco reorganizamos a pergunta para torná-la mais idiomática, pois a disposição argumentativa de Young deve permanecer perceptível.

Nota — “Naqueles sacrifícios há uma lembrança de pecados a cada ano”

1. YLT 1863. A redação é but in those sacrifices is a remembrance of sins every year. A referência explícita aos sacrifícios é conservada por “naqueles sacrifícios”, e remembrance é representado por “lembrança”, sem expandir o substantivo em uma explicação do efeito ritual dessa recordação.

2. Controle lexical. O grego contém ἀνάμνησις ἁμαρτιῶν κατ’ ἐνιαυτόν, construção nominal que expressa uma lembrança de pecados “a cada ano”. O próprio comentário de Young para o versículo fala em um reminding of sins each year. Decisão. Mantemos “lembrança de pecados” e repetimos “a cada ano”, como faz Young entre os vv. 1 e 3; não variamos estilisticamente para “recordação anual”, pois isso apagaria a repetição deliberada.

Nota — “É impossível ao sangue de touros e bodes tirar pecados”

1. YLT 1863. Young conclui: for it is impossible for the blood of bulls and goats to take away sins. “É impossível ao sangue... tirar pecados” conserva a relação entre impossible e o infinitivo to take away, enquanto “touros e bodes” mantém a ordem dos dois animais na YLT.

2. Controle autoral e lexical. O grego apresenta ἀδύνατον γὰρ αἷμα ταύρων καὶ τράγων ἀφαιρεῖν ἁμαρτίας. O infinitivo ἀφαιρεῖν significa tirar, retirar ou remover; no comentário, Young o torna ainda mais concretamente como lift away sins. Decisão. “Tirar pecados” preserva a escolha simples e concreta de take away sins. Não substituímos por “remover definitivamente”, “expiar” ou “perdoar”, pois nenhuma dessas expansões pertence ao texto-fonte imediato.

Nota — “Um corpo tu preparaste para mim”

1. YLT 1863. Young imprime Wherefore, coming into the world, he saith, ‘Sacrifice and offering Thou didst not will, but a body didst thou prepare for me’. “Vindo ao mundo” conserva a construção participial; “Tu não quiseste” segue Thou didst not will; e “um corpo tu preparaste para mim” preserva tanto o pronome explícito e sua capitalização quanto a ordem marcada de a body didst thou prepare for me.

2. Controle autoral e intertextual. Na própria YLT de Salmo 40.6, traduzida do hebraico, Young escreve Sacrifice and offering Thou hast not desired, Ears Thou hast prepared for me e Burnt and sin-offering Thou askedst not. Hebreus 10.5–6, porém, traz “um corpo”, além de formular diferentemente os verbos e as ofertas. O comentário de Young reconhece expressamente a diferença entre “ouvidos” no texto hebraico e “corpo” na forma grega seguida em Hebreus. Decisão. Não harmonizamos Hebreus com a YLT do Salmo nem com o Texto Massorético; o corpo português permanece subordinado à redação que Young efetivamente publicou em Hebreus.

Nota — “Eis, eu venho... no volume do livro... para fazer, ó Deus, tua vontade”

1. YLT 1863. Young lê then I said, Lo, I come, (in the volume of the book it hath been written concerning me,) to do, O God, thy will. “Eis, eu venho” mantém Lo, I come; os parênteses são preservados; e “no volume do livro” conserva deliberadamente in the volume of the book, sem modernizar a expressão para “rolo”.

2. Controle autoral e intertextual. A YLT de Salmo 40.7–8 não é idêntica: ali Young imprime In the roll of the book it is written of me e To do Thy pleasure, my God, I have delighted. Em Hebreus aparecem volume, to do, O God e thy will. Decisão. Mantemos “volume do livro” e “para fazer, ó Deus, tua vontade” conforme Hebreus 10.7. Não importamos “rolo”, “prazer”, “meu Deus” ou “tenho-me deleitado” da tradução veterotestamentária de Young, pois isso apagaria precisamente a forma da citação que sua YLT de Hebreus preserva.

Nota — “Sacrifício e oferta e holocaustos... os quais segundo a lei são oferecidos”

1. YLT 1863. Young repete a citação como Sacrifice and offering and burnt-offerings and concerning sin-offering Thou didst not will, prosseguindo com nor delight in—which according to the law are offered. Conservamos a sucessão reiterada de “e”, o singular “Sacrifício e oferta” e a expressão marcada “acerca de oferta pelo pecado”.

2. Controle histórico e textual. O aparato grego do projeto registra em 10.8 a oposição entre Θυσίας καὶ προσφορὰς, plural, sustentado por testemunhos antigos e pelos textos críticos modernos, e Θυσίαν καὶ προσφορὰν, singular, preservado na tradição bizantina. A YLT de 1863 traz justamente o singular Sacrifice and offering. Decisão. Não corrigimos Young para “sacrifícios e ofertas” com base no texto crítico. A repetição do v. 8 deve permanecer na forma textual efetivamente traduzida por Young, ainda que difira da forma adotada em edições modernas.

Nota — “Ó Deus, Tua vontade... tira o primeiro para que o segundo ele possa estabelecer”

1. YLT 1863. Young imprime novamente Lo, I come to do, O God, Thy will e prossegue: he taketh away the first that the second he may establish. O presente “tira” conserva taketh away; “o primeiro” e “o segundo” permanecem sem explicitação interpretativa; e a ordem “para que o segundo ele possa estabelecer” procura reter a anteposição enfática encontrada na YLT.

2. Controle histórico e textual. Depois de ποιῆσαι, a tradição bizantina/recebida refletida pela YLT contém ὁ θεός, enquanto o texto crítico consultado no material do projeto apresenta a leitura mais curta, sem essas palavras. A própria YLT de 1863, portanto, repete O God no v. 9. Decisão. Conservamos “ó Deus” porque ele pertence ao texto-fonte imediato e ao horizonte textual de Young; não o suprimimos segundo uma reconstrução crítica posterior. Também mantemos “o primeiro” e “o segundo” sem identificação explicativa, pois Young não resolve seus referentes dentro da tradução.

Nota — “Na qual vontade somos santificados... uma vez”

1. YLT 1863. A redação é in the which will we are sanctified through the offering of the body of Jesus Christ once. “Na qual vontade” preserva a retomada relativa de Young; “somos santificados” mantém seu presente passivo; “por meio da oferta” representa through the offering; e “uma vez” corresponde diretamente ao once efetivamente impresso na edição de 1863.

2. Controle autoral e filológico. O grego apresenta ἐν ᾧ θελήματι ἡγιασμένοι ἐσμὲν, construção que descreve os destinatários como estando em condição de santificados, seguida de διὰ τῆς προσφορᾶς τοῦ σώματος Ἰησοῦ Χριστοῦ ἐφάπαξ. O comentário de Young explicita a força de ἐφάπαξ como “once for all”, embora sua tradução de 1863 tenha simplesmente once. Decisão. No corpo conservamos “uma vez”; não expandimos para “uma vez por todas”, pois isso substituiria a redação inglesa imediata pela explicação lexical fornecida no aparato de Young.

Nota — “Todo sacerdote está de pé diariamente servindo... muitas vezes oferecendo”

1. YLT 1863. Young conserva uma sequência fortemente participial: every priest standeth daily serving, and the same sacrifices many times offering, which are never able to take away sins. “Está de pé diariamente servindo” mantém conjuntamente postura, frequência e serviço; “os mesmos sacrifícios muitas vezes oferecendo” preserva a ordem marcada; e “nunca são capazes de tirar pecados” retoma deliberadamente a linguagem de incapacidade já utilizada em 10.1 e 10.4.

2. Controle lexical. O grego apresenta ἕστηκεν καθ’ ἡμέραν λειτουργῶν e προσφέρων, seguido de οὐδέποτε δύνανται περιελεῖν ἁμαρτίας. No comentário, Young torna a primeira construção como o sacerdote que “tem estado” diariamente em serviço público e descreve os sacrifícios como incapazes, em qualquer ocasião, de retirar completamente os pecados. Decisão. Não reduzimos “está de pé” a simplesmente “oficia”, pois a postura prepara o contraste subsequente com aquele que “sentou-se” em 10.12; tampouco variamos “tirar pecados”, preservando a correspondência interna com o v. 4.

Nota — “Pelo pecado, um sacrifício tendo oferecido — até o fim”

1. YLT 1863. Young lê But He, for sin one sacrifice having offered—to the end, sat down on the right hand of God,—. “Ele” conserva a capitalização de He; “pelo pecado” segue o singular for sin; e “um sacrifício tendo oferecido” preserva a construção participial e a posição de one sacrifice, sem normalizá-la para “depois de oferecer um único sacrifício pelos pecados”.

2. Controle autoral e filológico. O grego apresenta μίαν ὑπὲρ ἁμαρτιῶν προσενέγκας θυσίαν εἰς τὸ διηνεκές. No comentário acompanhante, Young torna a expressão final por algo equivalente a “para a plena continuidade”, mostrando que seu to the end procura representar εἰς τὸ διηνεκές. Decisão. Conservamos “até o fim”, correspondência já estabelecida neste projeto para a formulação de Young, e não a substituímos por “para sempre” ou “perpetuamente”. Os travessões destacam a inserção marcada sem alterar sua relação com o período.

Nota — “Quanto ao restante... até que Ele possa colocar seus inimigos como seu escabelo”

1. YLT 1863. A redação é as to the rest, expecting till He may place his enemies as his foot-stool. “Quanto ao restante” conserva a expressão incomum as to the rest; “esperando” mantém o particípio; e “possa colocar” representa o modal may place, sem convertê-lo em simples futuro.

2. Controle lexical e intertextual. “Escabelo” mantém a equivalência já empregada em Hebreus 1.13 para footstool. Young imprime aqui a forma gráfica foot-stool, mas a diferença de hifenização não exige uma segunda equivalência portuguesa. Decisão. Também não expandimos “seu escabelo” para “escabelo de seus pés”, pois essa explicitação pertence ao grego subjacente, não à redação condensada que Young publicou.

Nota — “Por uma oferta ele aperfeiçoou até o fim os santificados”

1. YLT 1863. Young escreve for by one offering he hath perfected to the end those sanctified. “Uma oferta” preserva one offering; “até o fim” repete a expressão já usada no v. 12; e “os santificados” segue those sanctified, sem introduzir no corpo uma progressividade que Young não expressa.

2. Controle verbal e filológico. Hath perfected é um perfeito inglês e corresponde ao perfeito τετελείωκεν; em português, “tem aperfeiçoado” sugeriria facilmente ação repetida ou progressiva, por isso “aperfeiçoou” foi mantido como forma não artificial para o resultado expresso pela YLT. O grego traz ainda τοὺς ἁγιαζομένους, particípio presente passivo, mas Young publica simplesmente those sanctified. Decisão. Preservamos “aperfeiçoou” e “os santificados”, mantendo também a família lexical perfect/perfected já representada por “perfeito/aperfeiçoar” ao longo de Hebreus.

Nota — “Mas testifica-nos também o Espírito Santo... havia dito antes”

1. YLT 1863. Young imprime but testify to us also doth the Holy Spirit, for after that he had said before. “Testifica-nos também o Espírito Santo” conserva a inversão do inglês tanto quanto o português permite; “depois que ele havia dito antes” mantém a combinação marcada de after com before, em vez de simplificá-la para “depois de dizer”.

2. Controle histórico e textual. O aparato do projeto registra εἰρηκέναι em testemunhos antigos e nos textos críticos modernos, enquanto προειρηκέναι é preservado na tradição bizantina. O prefixo προ- torna explícita justamente a ideia de “dizer antes” que aparece na YLT como had said before. Decisão. Mantemos “havia dito antes”. A redundância do português não é uma explicação acrescentada por nós, mas a representação da redação inglesa de Young e do horizonte textual que ela reflete.

Nota — “Dando Minhas leis sobre seus corações... sobre suas mentes as inscreverei... suas ilegalidades”

1. YLT 1863. Young imprime This is the covenant which I will make with them after those days, saith the Lord, giving My laws on their hearts, and on their minds will I inscribe them, seguindo depois com and their sins and their lawlessnessess I will remember no more. “Dando”, “sobre seus corações” e “sobre suas mentes as inscreverei” preservam a ordem marcada da YLT; “Minhas” acompanha o My capitalizado; e “ilegalidades” representa lexicalmente o plural pretendido por lawlessnessess, forma tipográfica impressa no fac-símile.

2. Controle autoral e intertextual. A YLT de Jeremias 31.33–34, traduzida do hebraico, formula o oráculo de outro modo: I have put My law in their inward part, And on their heart I write it e, depois, For I pardon their iniquity, And of their sin I make mention no more. Hebreus 10.16–17 apresenta “leis” no plural, “corações”, “mentes”, “pecados” e “ilegalidades”. Decisão. Não harmonizamos a citação neotestamentária com a redação que Young deu a Jeremias; preservamos a forma específica de Hebreus.

3. Controle histórico e textual. Em 10.16, o aparato do projeto registra τὴν διάνοιαν, singular, nos principais testemunhos antigos e textos críticos, contra τῶν διανοιῶν, plural, na tradição bizantina. A YLT publica their minds, plural. Decisão. Mantemos “suas mentes”. A divergência é textual, não licença para corrigir Young segundo a forma crítica moderna.

Nota — “Onde perdão destes há, não há mais oferta pelo pecado”

1. YLT 1863. Young conclui but where forgiveness of these is, there is no more offering for sin. A ordem “onde perdão destes há” procura manter visível a estrutura nominal where forgiveness of these is, em vez de expandi-la para “onde estes pecados são perdoados”. “Oferta pelo pecado” conserva o singular offering for sin.

2. Controle autoral e filológico. O grego traz ὅπου δὲ ἄφεσις τούτων, οὐκέτι προσφορὰ περὶ ἁμαρτίας. No comentário acompanhante, Young glosa ἄφεσις de modo mais etimológico como uma “sending-away”, mas no corpo bíblico escolhe forgiveness. Decisão. Seguimos a tradução publicada e mantemos “perdão”; não substituímos o termo por “remissão”, “libertação” ou outra forma derivada diretamente da análise do grego.

Nota — “Tendo, portanto, irmãos, ousadia para a entrada em lugares santos, no sangue de Jesus”

1. YLT 1863. Young imprime Having, therefore, brethren, boldness for the entrance into holy places, in the blood of Jesus. “Tendo, portanto, irmãos” conserva a construção participial, o conectivo e o vocativo sem convertê-los numa oração independente; “ousadia” mantém a equivalência já usada neste projeto para boldness, como em Hebreus 4.16; e “entrada em lugares santos” preserva o plural concreto de holy places, em continuidade com a mesma expressão em Hebreus 13.11, sem condensá-lo em “entrada no santuário”.

2. Controle autoral e filológico. O grego apresenta Ἔχοντες οὖν, ἀδελφοί, παρρησίαν εἰς τὴν εἴσοδον τῶν ἁγίων ἐν τῷ αἵματι Ἰησοῦ. No comentário acompanhante, Young glosa boldness por full speech e mantém a referência à entrada dos lugares santificados “no sangue”. Decisão. Conservamos “no sangue de Jesus”, seguindo precisamente o in the blood of Jesus da YLT, em vez de normalizar a relação para “pelo sangue de Jesus”.

Nota — “O qual caminho ele consagrou para nós — novo e vivo, através do véu”

1. YLT 1863. Young lê which way he consecrated for us—new and living, through the vail, that is, his flesh. “O qual caminho ele consagrou para nós” procura conservar a ordem marcada de which way he consecrated for us; “novo e vivo” permanece depois do travessão, como no fac-símile; e “através do véu, isto é, sua carne” mantém a identificação sem desenvolvê-la exegeticamente.

2. Controle autoral e filológico. O grego apresenta ἣν ἐνεκαίνισεν ἡμῖν ὁδὸν πρόσφατον καὶ ζῶσαν διὰ τοῦ καταπετάσματος, τοῦτ’ ἔστιν τῆς σαρκὸς αὐτοῦ. O verbo pode ser entendido como inaugurar, renovar, dedicar ou consagrar; no comentário, Young explica sua escolha de modo ainda mais literal como algo semelhante a “tornar interiormente novo para nós”. Para new, registra também “recent”. Decisão. O corpo segue a palavra efetivamente impressa por Young: “consagrou”. Substituí-la por “inaugurou” faria o português seguir diretamente uma alternativa lexical do grego, e não a YLT.

Nota — “Com um sumo sacerdote sobre a casa de Deus”

1. YLT 1863. A redação é and with a high priest over the house of God. “Sumo sacerdote” representa aqui especificamente o high priest de Young e permanece distinto de chief priest, que neste projeto é vertido por “sacerdote-chefe”. “Sobre a casa de Deus” conserva diretamente over the house of God.

2. Controle autoral e filológico. O grego não apresenta ἀρχιερεύς neste versículo, mas ἱερέα μέγαν, literalmente “grande sacerdote”. O próprio comentário de Young registra: HIGH, lit. “great priest.” Decisão. Apesar dessa glosa, o corpo da YLT publica high priest; por isso mantemos “sumo sacerdote”. A distinção entre esse termo e o recorrente chief priest, vertido neste projeto por “sacerdote-chefe”, permanece visível no português.

Nota — “Acheguemo-nos... tendo os corações aspergidos... tendo o corpo banhado”

1. YLT 1863. Young escreve let us draw near with a true heart, in full assurance of faith, having the hearts sprinkled from an evil conscience, and having the body bathed with pure water. “Acheguemo-nos” conserva a linguagem de aproximação; “plena certeza de fé” mantém full assurance of faith; e os dois membros participiais permanecem paralelos: “tendo os corações aspergidos” e “tendo o corpo banhado”.

2. Controle sintático e lexical. O grego apresenta ῥεραντισμένοι e λελουσμένοι, ambos participiais, e Young os representa por having ... sprinkled / having ... bathed. A preposição de “de uma consciência má” segue o from publicado por Young; embora seu comentário mencione também uma possibilidade causal, ela não pertence ao corpo da YLT. Decisão. Mantemos o paralelismo dos dois “tendo”, “banhado” para bathed e “de uma consciência má”, sem acrescentar “nossos” a “corações” nem explicitar uma relação causal.

Nota — “A inabalável profissão da fé”

1. YLT 1863. O fac-símile lê let us hold fast the unwavering profession of the faith, (for faithful is He who promised). “Mantenhamos firme”, “inabalável” e “profissão” seguem diretamente as escolhas de Young; “profissão” mantém ainda a correspondência já estabelecida em Hebreus 3.1 e 4.14. Os parênteses e a inversão “fiel é Ele que prometeu” preservam a construção publicada.

2. Controle autoral e filológico. O grego lê τὴν ὁμολογίαν τῆς ἐλπίδος, “a profissão da esperança”. Aqui a divergência da YLT não é explicada por uma leitura textual recebida diferente: o próprio comentário de Young reconhece o ponto ao registrar, sob OF FAITH, lit. “of the hope.” Decisão. Mantemos “da fé” porque traduzimos a YLT de 1863 e não uma reconstrução corrigida de seu texto. A discrepância autoral permanece documentada na nota, sem ser silenciosamente eliminada do corpo.

Nota — “Consideremos uns aos outros para provocar ao amor e às boas obras”

1. YLT 1863. Young imprime and let us consider one another to provoke to love and to good works. “Consideremos uns aos outros” conserva tanto o verbo quanto o objeto recíproco; “para provocar” mantém a força concreta de to provoke; e a repetição da preposição em “ao amor e às boas obras” acompanha os dois membros de to love and to good works.

2. Controle autoral e filológico. O grego contém καὶ κατανοῶμεν ἀλλήλους εἰς παροξυσμὸν ἀγάπης καὶ καλῶν ἔργων. No comentário acompanhante, Young torna a expressão ainda mais marcada: fala em conhecer uns aos outros completamente “com vistas a um paroxismo”, explicando a ideia como uma espécie de intensidade ou agudeza excedente. Decisão. “Provocar” é mantido deliberadamente. “Estimular”, “incentivar” ou “encorajar” seriam mais suaves em português, mas apagariam precisamente a escolha lexical vigorosa que Young fez em provoke.

Nota — “Não abandonando o ajuntamento de nós mesmos... tanto mais quanto vedes o dia aproximando-se”

1. YLT 1863. Young imprime not forsaking the assembling of ourselves together, as the custom of certain is, but exhorting, and so much the more as ye see the day coming near. “Não abandonando” e “exortando” conservam as formas participiais; “ajuntamento de nós mesmos” mantém a substantivação de the assembling of ourselves together; “certos” preserva a indefinição de certain; e “vedes” torna explícito o plural de ye.

2. Controle autoral e filológico. O grego traz τὴν ἐπισυναγωγὴν ἑαυτῶν, e o comentário de Young decompõe o substantivo de maneira ainda mais literal, mas o corpo publica simplesmente assembling. Decisão. Mantemos “ajuntamento”, sem substituí-lo por “sinagoga”, “assembleia”, “culto” ou “congregação”. Também preservamos “o dia aproximando-se” para the day coming near, sem identificar no corpo ou na nota editorial qual evento o termo deve designar.

Nota — “Voluntariamente pecando... recebimento do reconhecimento da verdade”

1. YLT 1863. Young imprime For we—wilfully sinning after the receiving the acknowledging of the truth—no more for sins doth there remain a sacrifice. Conservamos os travessões que isolam a construção participial; “voluntariamente pecando” mantém a posição de wilfully diante de sinning; e “depois do recebimento do reconhecimento da verdade” procura preservar a sucessão nominal deliberadamente pesada da YLT, sem reduzi-la a “depois de conhecer a verdade”.

2. Controle autoral e filológico. O grego apresenta Ἑκουσίως γὰρ ἁμαρτανόντων ἡμῶν μετὰ τὸ λαβεῖν τὴν ἐπίγνωσιν τῆς ἀληθείας. No comentário acompanhante, Young glosa ἐπίγνωσις como full-knowledge, embora no corpo tenha escolhido acknowledging. Decisão. Mantemos “reconhecimento”, subordinado ao inglês efetivamente publicado, em vez de substituí-lo por “pleno conhecimento”. Também preservamos a ordem marcada “não mais pelos pecados permanece um sacrifício”, correspondente a no more for sins doth there remain a sacrifice.

Nota — “Uma certa terrível expectação de juízo... indignação ardente... os opositores”

1. YLT 1863. A redação é but a certain fearful looking for of judgment, and fiery indignation, about to devour the opposers. “Uma certa terrível expectação” conserva separadamente certain, fearful e a construção nominal looking for; “indignação ardente” mantém fiery indignation; e “opositores” representa especificamente the opposers, sem normalizar o termo para “adversários”.

2. Controle autoral e filológico. O grego contém φοβερὰ δέ τις ἐκδοχὴ κρίσεως καὶ πυρὸς ζῆλος ἐσθίειν μέλλοντος τοὺς ὑπεναντίους. Young registra para looking for uma glosa intensiva, full-reception, e para indignation admite também zeal, acrescentando a imagem de “comer” os opositores. Decisão. O corpo segue a YLT: “expectação”, “indignação” e “devorar”. As alternativas do comentário servem como controle da intenção de Young, mas não substituem sua redação bíblica.

Nota — “Pôs de lado a lei de Moisés, à parte de misericórdias”

1. YLT 1863. Young escreve any one who set at nought the law of Moses, apart from mercies, by two or three witnesses, dieth. O idioma inglês set at nought não admite uma transposição portuguesa palavra por palavra sem criar uma estranheza meramente inglesa; “pôs de lado” conserva sua força no contexto. Já “à parte de misericórdias” preserva deliberadamente tanto apart from como o plural mercies.

2. Controle autoral e filológico. O comentário de Young confirma a opção ao reformular o trecho como any one having put aside a law of Moses, dies, apart from mercies, upon (the testimony of) two or three witnesses. O grego apresenta ἀθετήσας τις νόμον Μωϋσέως χωρὶς οἰκτιρμῶν ἐπὶ δυσὶν ἢ τρισὶν μάρτυσιν ἀποθνῄσκει. Decisão. Mantemos “pôs de lado” e a sequência “por duas ou três testemunhas, morre”; não inserimos no corpo “pelo testemunho de”, pois essa explicitação aparece apenas na glosa auxiliar.

Nota — “De quanto mais severa punição será ele contado digno... pisoteou o Filho de Deus”

1. YLT 1863. Young escreve of how much sorer punishment shall he be counted worthy who the Son of God trampled on, and the blood of the covenant counted a common thing, in which he was sanctified, and to the Spirit of grace did despite? “Será ele contado digno” conserva a construção passiva; “contou como coisa comum” preserva o verbo de avaliação; “no qual ele foi santificado” mantém o pronome e sua ambiguidade; e “ao Espírito da graça fez afronta” procura representar a locução marcada did despite.

2. Controle sintático e autoral. A ordem inglesa who the Son of God trampled on não pode ser reproduzida mecanicamente em português sem criar a falsa leitura de que “o Filho de Deus” é sujeito; por isso reordenamos apenas o necessário para “aquele que pisoteou o Filho de Deus”. No comentário, Young glosa did despite por uma forma equivalente a “insultou”. Decisão. Mantemos a relação gramatical inequívoca, a ambiguidade de “ele foi santificado” e a expressão “fez afronta”; não acrescentamos explicação sobre o referente do pronome nem resolvemos no corpo as questões exegéticas do versículo.

Nota — “Temos conhecido Aquele que está dizendo... ‘Vingança é Minha’... ‘O Senhor julgará Seu povo’”

1. YLT 1863. Young lê for we have known Him who is saying e cita: Vengeance is Mine, I will recompense, saith the Lord; em seguida: The Lord shall judge His people. “Temos conhecido”, “que está dizendo”, “Eu recompensarei” e o futuro “julgará” permanecem porque pertencem à formulação específica da YLT de Hebreus.

2. Controle autoral e intertextual. A YLT de Deuteronômio 32.35–36, traduzida do hebraico, não coincide verbalmente com Hebreus: Young imprime Mine are vengeance and recompense e, no versículo seguinte, For the LORD doth judge His people. Hebreus tem Vengeance is Mine, I will recompense e The Lord shall judge His people. Decisão. Não harmonizamos as duas redações de Young; a tradução portuguesa conserva a forma própria da citação em Hebreus.

3. Controle histórico e textual. A primeira citação da YLT inclui ainda saith the Lord, correspondente à forma recebida historicamente pertinente a Young; o texto crítico consultado no projeto segue de ἐγὼ ἀνταποδώσω diretamente para καὶ πάλιν, sem λέγει κύριος nesse ponto. Decisão. Mantemos “diz o Senhor”. Suprimi-lo por influência de uma edição crítica moderna seria corrigir anacronicamente o texto-fonte imediato.

Nota — “Terrível é o cair nas mãos do Deus vivo”

1. YLT 1863. Young conclui fearful is the falling into the hands of the living God. “Terrível é” conserva a inversão enfática; “o cair” mantém a substantivação expressa em the falling; e “nas mãos do Deus vivo” segue a formulação definida da YLT.

2. Controle autoral e filológico. O grego apresenta φοβερὸν τὸ ἐμπεσεῖν εἰς χεῖρας θεοῦ ζῶντος. No comentário acompanhante, Young oferece uma glosa ainda mais formal, into hands of a living God, sem os artigos de sua tradução bíblica. Decisão. O corpo português segue a YLT publicada — “nas mãos do Deus vivo” — e não a glosa analítica. Também preservamos a forma nominal “o cair”, em vez de suavizar a sentença para “é terrível cair”.

Nota — “Chamai à vossa lembrança... tendo sido iluminados... suportastes muito conflito de sofrimentos”

1. YLT 1863. Young imprime But call to your remembrance the former days, in which, having been enlightened, ye endured much conflict of sufferings. “Chamai à vossa lembrança” conserva a construção explícita call to your remembrance, em vez de reduzi-la ao simples “lembrai-vos”; “dias anteriores” mantém former days; e “tendo sido iluminados” preserva a construção participial passiva.

2. Controle autoral e filológico. O grego apresenta Ἀναμιμνῄσκεσθε δὲ τὰς πρότερον ἡμέρας, ἐν αἷς φωτισθέντες πολλὴν ἄθλησιν ὑπεμείνατε παθημάτων. No comentário acompanhante, Young analisa a primeira expressão de maneira ainda mais reflexiva, como “estar chamando à lembrança de vós mesmos”, e descreve o conflito como “grande” ou “pesado”. Decisão. O corpo permanece subordinado à YLT publicada: “muito conflito”, para much conflict, e “suportastes”, para endured. Não substituímos essas escolhas pelas glosas mais analíticas do comentário.

Nota — “Sendo feitos espetáculos... parceiros dos que assim viviam”

1. YLT 1863. Young lê partly both with reproaches and tribulations being made spectacles, and partly having become partners of those so living. A repetição “em parte... e em parte” conserva a arquitetura dos dois membros; “sendo feitos espetáculos” mantém a imagem concreta de being made spectacles; e “parceiros” continua a equivalência adotada neste projeto para partners.

2. Controle lexical e sintático. O grego traz κοινωνοί e τῶν οὕτως ἀναστρεφομένων. Este último particípio admite análise mais ampla quanto à conduta ou situação dos referidos, mas Young publica those so living. Decisão. Mantemos “parceiros dos que assim viviam”, sem substituir “parceiros” por outro equivalente nem retraduzir o particípio como “os que eram assim tratados”, pois essa solução não é a redação escolhida pela YLT.

Nota — “Com minhas cadeias simpatizastes”

1. YLT 1863. Young imprime for also with my bonds ye sympathised. “Pois também” conserva for also; “simpatizastes” mantém a correspondência com sympathised; e “com minhas cadeias” representa diretamente with my bonds, sem converter a frase em “tivestes compaixão dos prisioneiros”.

2. Controle histórico e textual. A redação de Young reflete δεσμοῖς μου, “minhas cadeias”, forma preservada na tradição posterior/recebida. O aparato crítico registra como leitura preferida δεσμίοις, “os prisioneiros” ou “os que estão em cadeias”, e explica que δεσμοῖς surgiu por perda de uma letra, recebendo depois pronomes como μου em parte da tradição. Decisão. Mantemos “minhas cadeias” porque é a leitura inequivocamente traduzida na YLT de 1863; substituí-la por “os prisioneiros” faria o português corrigir Young segundo outra forma textual.

Nota — “O roubo de vossos bens... tendes em vós mesmos uma substância melhor nos céus, e uma duradoura”

1. YLT 1863. Young escreve and the robbery of your goods with joy ye received, knowing that ye have in yourselves a better substance in the heavens, and an enduring one. “Roubo” mantém robbery; “bens” representa goods; “substância” preserva a palavra distinta substance; e “uma duradoura” conserva a elipse de an enduring one.

2. Controle histórico e textual. O texto crítico consultado apresenta γινώσκοντες ἔχειν ἑαυτοὺς κρείττονα ὕπαρξιν καὶ μένουσαν, sem in the heavens; o aparato registra ainda a passagem de ἑαυτούς para ἑαυτοῖς e, em testemunhos posteriores, para ἐν ἑαυτοῖς. A forma recebida refletida por Young sustenta a redação expandida que aparece em inglês como in yourselves ... in the heavens. Decisão. Conservamos integralmente “em vós mesmos” e “nos céus”, pois ambos pertencem ao texto publicado por Young; não os removemos segundo a forma crítica mais curta.

3. Controle lexical. O grego ὕπαρξις pode ser vertido por “posse”, “propriedade” ou “bens”, mas Young escolhe substance. Decisão. Mantemos “substância” e preservamos a distinção interna entre goods → “bens” e substance → “substância”, em vez de harmonizar os dois vocábulos.

Nota — “Não lanceis fora... vossa ousadia... grande recompensa de galardão”

1. YLT 1863. Young imprime Ye may not cast away, then, your boldness, which hath great recompense of reward. “Ousadia” conserva a equivalência já empregada em Hebreus 4.16 e 10.19 para boldness; “lanceis fora” mantém a imagem concreta de cast away; “então” permanece intercalado, acompanhando a posição marcada de then; e “recompensa de galardão” conserva a mesma equivalência adotada para recompense of reward em Hebreus 11.26.

2. Controle autoral e filológico. O grego apresenta Μὴ ἀποβάλητε οὖν τὴν παρρησίαν ὑμῶν, ἥτις ἔχει μεγάλην μισθαποδοσίαν. A negativa com subjuntivo possui força proibitiva. O próprio comentário de Young torna boldness por full-speech e glosa a abertura como may ye not cast away then. Decisão. “Não lanceis fora” preserva a exortação sem transformar may not em incapacidade. Young representa ainda o único substantivo μισθαποδοσία pela expressão dupla recompense of reward; por isso mantemos a igualmente marcada “recompensa de galardão”, sem condensá-la simplesmente em “recompensa”.

Nota — “De paciência tendes necessidade... tendo feito a vontade de Deus”

1. YLT 1863. A redação é for of patience ye have need, that the will of God having done, ye may receive the promise. “De paciência tendes necessidade” preserva a inversão of patience ye have need e torna visível o destinatário plural de ye; “possais receber” conserva o valor modal de may receive; e “a promessa” mantém o singular de Young.

2. Controle sintático. O grego contém ὑπομονῆς γὰρ ἔχετε χρείαν, ἵνα τὸ θέλημα τοῦ θεοῦ ποιήσαντες κομίσησθε τὴν ἐπαγγελίαν. O comentário de Young destaca justamente a construção having done e glosa o resultado como receber para si “a coisa prometida”. Decisão. Em português colocamos “tendo feito” antes de “a vontade de Deus”, porque a ordem mecânica “a vontade de Deus tendo feito” produziria falsa relação sintática. Preservamos, contudo, o particípio e não o transformamos em “depois de fazerdes”, já que essa explicitação temporal não pertence ao corpo da YLT.

Nota — “Ainda um bem pouco, Aquele que está vindo virá, e não tardará”

1. YLT 1863. Young escreve for yet a very little, He who is coming will come, and will not tarry. “Um bem pouco” conserva a expressão substantivada a very little; “Aquele que está vindo virá” mantém a repetição entre is coming e will come; e a inicial maiúscula acompanha o He da YLT.

2. Controle autoral e filológico. O grego apresenta ἔτι γὰρ μικρὸν ὅσον ὅσον, ὁ ἐρχόμενος ἥξει καὶ οὐ χρονίσει. O comentário de Young intensifica a primeira expressão como a very very little, mas o corpo publica apenas a very little. Decisão. Mantemos “um bem pouco” e “não tardará”, sem importar para a tradução a expansão analítica do comentário.

3. Controle autoral e intertextual. Em Habacuque 2.3, a própria YLT traduz o hebraico por For the vision is yet for a season, If it tarry, wait for it e For surely it cometh: it is not late. Hebreus 10.37, porém, personaliza a formulação em He who is coming will come, and will not tarry. Decisão. Conservamos a forma específica de Hebreus e não a harmonizamos com “a visão” nem com a sintaxe da tradução veterotestamentária de Young.

Nota — “O justo por fé viverá... se alguém vier a recuar, Minha alma não tem prazer nele”

1. YLT 1863. Young imprime but ‘the righteous by faith shall live,’ and, ‘if any one may draw back, My soul hath no pleasure in him,’. “Por fé” conserva a ausência de pronome possessivo no inglês; “viverá” mantém o futuro shall live; “vier a recuar” representa a modalidade de may draw back; e “Minha alma não tem prazer nele” preserva o presente e a capitalização de My.

2. Controle histórico e textual. O Texto Recebido seguido neste ponto por Young omite μου no primeiro membro, lendo ὁ δὲ δίκαιος ἐκ πίστεως ζήσεται; vários testemunhos antigos preservam o possessivo, adotado em textos críticos modernos como “meu justo”. Decisão. Não acrescentamos “meu” ao corpo, pois sua ausência corresponde à YLT publicada e ao horizonte textual que ela representa.

3. Controle autoral e intertextual. A YLT de Habacuque 2.4 lê Lo, the presumptuous! Not right is his soul within him: And the righteous by his faith liveth. Hebreus altera os dois membros: traz the righteous by faith shall live, sem his e com futuro, e apresenta if any one may draw back, My soul hath no pleasure in him em lugar da formulação que Young deu ao hebraico do profeta. Decisão. Mantemos a redação própria de Hebreus, sem harmonizá-la com Habacuque. Também preservamos a pontuação peculiar de 1863: o v. 37 não abre aspas, enquanto o v. 38 põe entre aspas separadamente os dois membros citados.

Nota — “Dos que recuam para destruição... dos que creem para a preservação de alma”

1. YLT 1863. Young conclui but we are not of those drawing back to destruction, but of those believing to the preserving of soul. Mantemos o pronome explícito “nós”, a correlação “dos que... mas dos que...” e as duas designações pessoais escolhidas por Young: “os que recuam” e “os que creem”.

2. Controle autoral e filológico. O grego é mais nominal, contrastando ὑποστολῆς, “recuo”, com πίστεως, “fé”; Young os recategoriza em those drawing back e those believing. Decisão. A tradução portuguesa acompanha essa recategorização e não retorna à estrutura nominal grega. “Para a preservação de alma” conserva ainda to the preserving of soul; não normalizamos a expressão para “salvação da alma”, pois isso substituiria a formulação de Young por uma interpretação corrente.

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