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Comentário de João 11 — Matthew Henry

COMENTÁRIO, CAPÍTULO 11, JOÃO
Comentário de João 11:1-6

Estar doentes não é nada novo para os que Cristo ama; as doenças corporais corrigem a corrupção e provam as graças do povo de Deus. Ele não veio a resguardar a seu povo destas aflições, senão a salvá-los de seus pecados, e da ira vindoura; não obstante, nos corresponde apelar a Ele por conta de nossos amigos e parentes quando estão doentes e afligidos. Que isto nos reconcilie com o lado mais escuro da Providência, que todo é para a glória de Deus: assim são doença, perda, desilusão; e devemos satisfazer-nos se Deus é glorificado. Jesus amava a Marta, a sua irmã e a Lázaro. Favorecidas grandemente são as famílias nas quais abundam o amor e a paz, mas são felizes até o sumo aquelas as quais Jesus ama, e pelas quais Ele é amado. Ai, este raras vezes é o caso das pessoas, ainda em famílias pequenas.

Deus tem intenções boas ainda quando parece demorar. Quando tarda a obra de libertação temporal ou espiritual, pública ou pessoal, deve-se a que espera o momento oportuno.

Comentário de João 11:7-10

Cristo nunca põe em perigo a seu povo se não vai com eles. Somos dados a pensar que somos zelosos pelo Senhor quando, em realidade, somos zelosos somente pela nossa riqueza, crédito, comodidade e segurança; portanto, necessitamos provar nossos princípios. Nosso dia será prolongado até que nossa obra seja feita, e finalizado nosso testemunho. O homem tem consolo e satisfação enquanto vai no caminho de seu dever, segundo o estipule a palavra de Deus, e esteja determinado pela providência de Deus. Aonde quer que Cristo foi, andou no dia, e assim nós andaremos, se seguirmos seus passos. Se um homem anda no caminho de seu coração, conforme o rumo deste mundo, se considerar mais seus razoamentos carnais que a vontade e a glória de Deus, cai em tentações e armadilhas. Tropeça porque não há luz nele, porque a luz em nós é a nossas ações morais como a luz em torno a nós é a nossas ações naturais.

Comentário de João 11:11-16

Já que estamos seguros de ressuscitar no final, por que a esperança que crê na ressurreição para a vida eterna não nos facilita o tirar-nos o corpo e morrer, como se fosse tirar a roupa e ir a dormir? Quando morre o cristão verdadeiro não faz senão dormir; descansa das lavouras do dia passado. Sim, daqui que a morte seja melhor que dormir, porque dormir é somente um descanso breve, mas a morte é o fim de todas as preocupações e esforços terrenos. Os discípulos pensavam que agora não era necessário que Cristo fosse onde Lázaro e expusesse a Ele junto com eles. Assim, freqüentemente esperamos que a boa obra a qual somos chamados a fazer seja feita por alguma outra mão, se houver riscos para fazê-la. Mas quando Cristo ressuscitou a Lázaro dentre os mortos, muitos foram levados a crer nEle; e se fez muito para aperfeiçoar a fé dos creram. Vamos a Ele; a morte não pode separar-nos do amor de Cristo nem colocar-nos fora do alcance de seu chamado.

Como Tomás, os cristãos devem animar-se uns a outros em tempos difíceis. A morte do Senhor Jesus deve dar-nos a disposição de morrer quando Deus nos chame.

Comentário de João 11:17-32

Aqui havia uma casa onde estava o temor de Deus e sobre a qual repousava sua bênção, mas foi feita casa de luto. A graça evita o luto no coração, mas não o da casa.

Quando Deus, por sua graça e providência, vem a nós por caminhos de misericórdia e consolo, nós, como Marta, devemos sair pela fé, esperança e oração a encontrá-lo. Quando Marta saiu a encontrar a Jesus, Maria ficou tranqüila em casa; anteriormente este temperamento foi vantajoso para ela, quando a colocou aos pés de Cristo para ouvir sua palavra, mas no dia da aflição, o mesmo temperamento a dispôs à melancolia. Sabedoria nossa é vigiar contra a tentação e usar as vantagens de nosso temperamento natural.

Quando não sabemos que pedir ou esperar em particular, encomendemo-nos a Deus; deixemo-lo fazer o que lhe apraz. Para aumentar as expectativas de Marta, nosso Senhor declara que Ele é a Ressurreição e a Vida. É a ressurreição em todo sentido: fonte, substância, primícia e causa da ressurreição. A alma remida vive feliz depois da morte e, depois da ressurreição, o corpo e a alma são resguardados de todo mal para sempre.

Quando leiamos ou ouçamos a palavra de Cristo sobre as grandes coisas do outro mundo, devemos perguntar-nos: acreditamos nesta verdade? As cruzes e os consolos desta época não nos impressionariam tão profundamente como o fazem, se acreditássemos como devemos nas coisas da eternidade.

Quando Cristo, nosso Mestre, vem, nos chama. Ele vem em sua palavra e ordenança, e nos chama a elas, nos chama por elas, e nos chama a si mesmo. Os que, num dia de paz, se põem aos pés de Cristo para que lhes ensine, podem, com consolo, lançar-se a seus pés para encontrar seu favor num dia de inquietude.

Comentário de João 11:33-46

A tenra simpatia de Cristo por estes amigos aflitos se manifestou pela angústia de seu Espírito. Ele é afligido em todas as aflições dos crentes. Sua preocupação por eles é demonstrada em sua bondosa pergunta pelos restos de seu amigo falecido. Ele age na forma e do jeito dos filhos dos homens, ao ser achado a semelhança de homem. Isso o demonstrou por suas lágrimas. Era varão de dores e experimentado no quebranto. As lágrimas de compaixão se parecem às de Cristo, mas este nunca aprovou essa sensibilidade da qual se orgulham tantos dos que choram por simples relatos de problemas, e todavia se endurecem ante o ai de verdade. Nos dá o exemplo ao afastar-se das cenas de hilaridade frívola, para que consolemos o aflito. Não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se de nossas debilidades.

É um bem passo para elevar uma alma para a vida espiritual, quando é tirada a pedra, quando se eliminam e superam os prejuízos, dando lugar para que a palavra entre ao coração. Se recebemos a palavra de Cristo, e confiamos em seu poder e fidelidade, veremos a glória de Deus e nos alegraremos de vê-la. Nosso Senhor Jesus nos ensina, com seu exemplo, a chamar Pai a Deus na oração e a aproximar-nos dEle como filhos ao pai, com reverência humilde, mas com santa ousadia. Falou diretamente a Deus com os olhos alçados e em voz alta, para que eles se convencessem de que o Pai o havia enviado ao mundo como seu Filho amado.

Ele podia ressuscitar a Lázaro pelo exercício silencioso de seu poder e vontade, e a obra invisível do Espírito de vida, porém o fez em voz alta. Era um tipo do chamado do evangelho pelo qual se tiram as almas mortas do túmulo do pecado; tipo de som da trombeta do arcanjo do último dia, com que serão acordados todos os que dormem no pó, e serão convocados a comparecer ante o grande tribunal. O túmulo do pecado e este mundo não são lugar para aqueles que Cristo reviveu; eles devem sair. Lázaro foi revivido completamente e regressou, não só à vida, senão à saúde. O pecador não pode reviver sua própria alma, senão que deve usar os meios de graça; o crente não pode santificar a si mesmo, senão que deve deixar de lado todo peso e estorvo. Não podemos converter a nossos parentes e amigos, porém devemos instruí-los, precavê-los e convidá-los.

Comentário de João 11:47-53

Dificilmente haja um descobrimento mais claro da loucura do coração do homem e de sua inimizade acerbada contra Deus que o aqui registrado. As palavras da profecia na boca não são prova clara de um princípio de graça no coração. Pelo pecado tomamos o rumo ma eficaz para lançar-nos acima de nós a calamidade, da qual procuramos escapar, como fazem os que crêem que fomentam seu próprio interesse mundano opondo-se ao reino de Cristo. O que o ímpio teme, lhe sobrevirá. A conversão das almas é a reunião delas com Cristo como seu rei e refúgio; Ele morreu para efetuar isso. Ao morrer as comprou para si mesmo, e adquiriu o dom do Espírito Santo para elas: Seu amor ao morrer pelos crentes deve uni-los estreitamente.

Comentário de João 11:54-57

Devemos renovar nosso arrependimento antes da Páscoa do evangelho. Assim, por uma purificação voluntária e por exercícios religiosos, muitos, mais devotos que seu próximo, passam um tempo em Jerusalém antes da Páscoa. Quando esperamos reunir-nos com Deus devemos preparar-nos com solenidade. Nenhum artifício do homem pode alterar os propósitos de Deus, e ainda que os hipócritas se divirtam com formas e disputas, e os homens mundanos procurem seus próprios planos, Jesus continua ordenando todas as coisas para sua glória e para a salvação de seu povo.

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